Uma senha sera enviada para seu e-mail

O que era para ser uma temporada brigando por playoffs e título de divisão em New York rapidamente se transformou em um pesadelo sem fim. Junto com Browns e 49ers, os Giants fazem parte do nada honroso grupo de equipes que ainda não venceram em 2017.

As explicações para o fracasso são variadas. Em primeiro lugar, temos a incompetência da franquia em resolver algumas questões crônicas. Por exemplo, não é de hoje que os Giants têm problemas na linha ofensiva e no jogo terrestre, mas mesmo assim quase nada foi feito durante a intertemporada visando buscar soluções. Em segundo, podemos citar o ambiente conturbado nos bastidores. Muito se especulava sobre a possibilidade do head coach Ben McAdoo ter perdido o controle do vestiário. Bem, isso foi de certa maneira confirmado após o episódio envolvendo Dominique Rodgers-Cromartie. Para quem não sabe, o cornerback foi suspenso nesta semana porque discutiu com o treinador, pegou suas coisas e simplesmente abandonou as instalações da franquia1.

Por último, vale destacar também o inacreditável azar de New York. Não é toda hora que vemos um time perder seus quatro melhores wide receivers por lesão na mesma partida. Foi o que aconteceu diante dos Chargers: Odell Beckham Jr., Brandon Marshall e Dwayne Harris não jogam mais na temporada. Já Sterling Shepard pode ficar alguns jogos de molho devido à uma contusão no tornozelo.

Enfim, com tantos problemas e nenhuma vitória, é seguro assumir que a vaca dos Giants está devidamente deitada e a equipe não brigará por muita coisa em 2017. Deste modo, pode já ter chegado o momento de pensar em 2018, até porque nunca é cedo demais para começar a se planejar, sobretudo se você tiver que tomar grandes decisões – como é o caso de New York.

Começar tudo do zero é uma opção viável?

Essa é a maior questão a ser analisada e respondida. Em teoria, os Giants podem aproveitar o atual fiasco e uma possível escolha top 5 no próximo Draft para fazer um reboot total na franquia. Não seria nada absurdo, dado os vários anos de inércia e decepções desde a sua última conquista do Super Bowl, em 2011. Contudo, isto implicaria em assumir que a janela com Eli Manning está definitivamente fechada.

O problema é que New York é um time que se preparou para vencer hoje. Os contratos longos e valiosos oferecidos em 2016 para Damon Harris, Olivier Vernon, Jason Pierre-Paul e Janoris Jenkins, por exemplo, são uma prova disso. Os Giants pagaram muito dinheiro por atletas desse calibre tentando dar uma arrancada rumo ao Super Bowl. Abandonar o projeto agora traria bastante prejuízo, a menos que a equipe conseguisse trocá-los. Ou seja, seguir o mesmo caminho de Browns ou Jets, por ora, parece estar fora de cogitação.

A alternativa, então, seria uma reformulação moderada. Embora seja uma das franquias mais pacientes da liga com seus profissionais, do contrário Jerry Reese não seria general manager na NFL até hoje, é bem possível que haja uma limpeza em East Rutherford ao final da temporada. O próprio Reese está na corda bamba, assim como McAdoo. O head coach já vinha sendo bombardeado de críticas pela imprensa e pelos torcedores antes mesmo do incidente com Rodgers-Cromartie. Agora, com as suspeitas de que ele perdeu o controle do grupo se confirmando, sua situação pode ter ficado insustentável.

Resumindo, é provável que o elenco dos Giants não passe por transformações bruscas para 2018, principalmente entre seus melhores atletas. Por outro lado, devemos ter mudanças na comissão técnica e front office. O único que parece estar com o emprego mais ou menos seguro é o coordenador defensivo Steve Spagnuolo, embora a defesa também esteja decepcionando e atuando bem abaixo do nível apresentado em 2016.

Escolher ou não escolher o substituto de Manning na primeira rodada?

Este sem dúvida será um dos assuntos mais discutidos daqui até abril do ano que vem. Os Giants estão destinados a draftar dentro do top 10, talvez até mesmo no top 5, então ficarão em uma ótima posição para selecionar algum dos melhores quarterbacks da classe. A questão é se eles terão vontade de seguir esse caminho.

Manning evidentemente vive os momentos finais da carreira e já passou da hora de pensar no seu sucessor. Davis Webb foi escolhido na terceira rodada do último recrutamento com essa missão, mas só Deus sabe se ele se desenvolverá em um jogador de NFL – Webb era considerado muito “cru” e com um teto de talento baixo.

O cenário ideal pensando em médio e longo prazo seria draftar um signal caller de grande potencial e deixá-lo no banco aprendendo com Eli por um ou dois anos. Neste caso, a franquia abriria mão de alguém para ajudá-la imediatamente, mas em compensação estaria se preparando para o futuro. Por outro lado, New York pode também optar por arriscar tudo em uma última tentativa antes da janela com Manning se fechar de vez. Deste modo, pegaria um atleta para suprir uma necessidade imediata, como um offensive lineman de elite ou um running back playmaker como Saquon Barkley.

Seja como for, muita água ainda vai rolar debaixo da ponte até o dia do Draft. Vários quarterbacks universitários subirão e despencarão nos boards, então fazer projeções de nomes agora é uma missão ingrata e quase inútil. O ponto é que faz sentido imaginar os Giants escolhendo um signal caller na primeira rodada, algo que não ocorre desde 2004. Tudo depende do planejamento utilizado.

O que fazer com o restante de 2017?

Dizer que o ano dos Giants acabou é apenas uma força de expressão. O time ainda terá que entrar em campo mais 11 vezes, logo é preciso ter algum objetivo até a temporada realmente chegar ao fim.

Em nossa opinião, New York deveria enxergar o restante das partidas como um laboratório para traçar sua estratégia mirando o futuro. Quem sabe não seria uma boa testar Ereck Flowers em outras posições da linha ofensiva? Ele não deu certo como left tackle, porém talvez renda melhor como right tackle ou mesmo como guard. Webb poderia entrar um pouco em alguns jogos para termos alguma ideia de como ele se sai atuando contra as defesas da NFL. Wayne Gallman, running back calouro que vem ganhando espaço nas últimas semanas, pode ser ainda mais envolvido no plano de jogo.

Enfim, existem inúmeras maneiras de realizar observações. Até o próprio Eli pode ser alvo delas, para a franquia saber se ele ainda tem lenha para queimar na NFL. A partir disso, os Giants terão uma boa ideia de quem vale a pena manter no time, além de descobrir quais jogadores estão comprometidos com a franquia. Depois, tiradas as devidas conclusões, terão mais embasamento ainda para formular a estratégia de 2018. Hoje, esta parece ser a única forma de fazer alguma coisa útil e não desperdiçar a temporada tanto assim.

Comentários? Feedback? Siga-me no Twitter em @MoralezPFB, ou nosso site em @profootballbr e curta-nos no Facebook.

“RODAPE"

  1. http://www.nfl.com/news/story/0ap3000000860334/article/dominique-rodgerscromartie-suspended-indefinitely Acesso em: 12/10/2017