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Quatro Descidas é a coluna semanal de Antony Curti sobre a NFL, publicada todas as segundas. São quatro assuntos e não mais que 3000 palavras (ou quase… Às vezes vai passar). Para ler o índice completo da coluna, clique aqui.


1st and 10: A Incógnita Mahomes

As aulas de matemática iam ficando cada vez mais difíceis na medida em que aumentavam as incógnitas na equação. Quando era uma equação de primeiro grau, beleza. Sistema com x, y e z? Vish, não era todo mundo que conseguia fazer se não prestasse atenção na aula e não fizesse a lição de casa.

O Kansas City Chiefs é um time difícil de ser previsto justamente por isso: sua imensa quantidade de incógnitas. Matt Nagy, coordenador ofensivo que demonstrou imensa criatividade ao fazer Alex Smith ser efetivo em profundidade, se foi – agora é head coach do Chicago Bears. O próprio Smith, como era esperado, foi trocado e agora é quarterback em Washington.

A sucessão na principal posição do esporte foi costurada com calma durante os últimos meses. Kansas City subiu no Draft e escolheu Patrick Mahomes II, um prospecto cru com teto altíssimo. Braço mais forte de sua classe, Mahomes precisava de lapidação para se adaptar à NFL e aos conceitos mais complexos do que o ataque “Four Verticals Bora todo mundo pra cima em rota vertical” que executava em Texas Tech.

Mahomes jogou apenas uma partida na NFL. É aí que reside a incógnita: o espaço amostral é pequeno. Embora as ferramentas – mobilidade, braço forte – estejam lá, é difícil saber quanta evolução foi feita – ou não foi – no aspecto mental. Embora o novo titular dos Chiefs seja constantemente elogiado em treinos, isso não serve como parâmetro. O real parâmetro é o adversário competitivo.

Não que ele tenha tido um adversário competitivo. 5 horas da manhã, toca “Boate Azul” e tá todo mundo bêbado. Esse pode ser um resumo da Semana 17 entre Kansas City Chiefs e Denver Broncos. Os Chiefs, já classificados como campeões de divisão e “travados” como quarto cabeça-de-chave da Conferência Americana, pouparam diversos titulares. Os Broncos já estavam eliminados.

“Sem amostragem para tanta empolgação, um jogo contra a defesa reserva de Denver e nem marcou . Criticamos Josh Allen, mas Mahomes não é um prospecto tão diferente”. disse-me Deivis Chiodini, do OnTheClock. “Precisamos ver mais antes de dizer que o ataque de Kansas City será um sucesso como ventilado. Ele é uma aposta e de alto risco”, completou.

Aqui, numa terceira descida longa, o melhor que ele tem a apresentar. Com o corpo travado pelo pass rush, Mahomes consegue um passe preciso e forte apenas com a força do braço – sem rotação de tronco, sem mecânica de membros inferiores. Seu braço é forte o suficiente para compensar tudo isso.

No mesmo jogo, o outro lado da moeda. Patrick confia tanto em seu braço que solta um tijolo no meio do campo – e o resultado é a inevitável interceptação.

Muito da expectativa em Patrick Mahomes reside em seu potencial. Se Andy Reid –  embora tenha passado a responsabilidade de chamadas para Nagy no meio do ano, tem muito dele no estilo do time – continua por lá, por que não ter essas boas expectativas? Ora, Alex Smith tem suas limitações. Mahomes ultrapassa essas limitações. Para o bem e para o mal, Smith era conservador. Patrick é o oposto, como você vê pelos vídeos acima.

No papel, o ataque é incrível. Tyreek Hill tem 15 recepções para mais de 35 jardas em dois anos de NFL. Se ele fez isso com Alex Smith, notório “braço curto” em sua carreira, imagine o que pode fazer com um quarterback que tem um foguete no braço? Na free agency, veio Sammy Watkins – que, embora não tenha sido o principal recebedor dos Rams na temporada passada, tem imenso talento. Não obstante, o meio do campo pode ser trabalhado com um dos melhores tight ends da NFL em Travis Kelce.

Não para por ai. Mahomes pode se dar ao luxo de contar com defesas mais amigáveis para o passe. Após uma temporada incrível, Kareem Hunt terá defesas lhe respeitando e colocando mais jogadores no, próximos à linha. Isso, por tabela, abre espaços no jogo aéreo. Não obstante, Hunt é uma excelente arma em screens e recebendo passes como um todo.

A mobilidade de Mahomes, adicionada a conceitos de college que os Chiefs muito bem utilizaram no ano passado – shovel pass para Kelce, por exemplo – é algo para colocar na conta. Nesse jogo contra os Broncos, ele saiu bem do pocket. Após um ano recheado de Run-Pass Option, tenha certeza que o sucesso dos Eagles será emulado em massa por outros times. Com Mahomes no comando, os Chiefs são fortes candidatos para tanto. Se vários conceitos de college já foram bem incorporados ao plano tático do time do Missouri, tenha certeza que a RPO será ainda mais em 2018.


Nem tudo é bonito.

A incógnita reside no elemento principal temor para quarterbacks: decisões estúpidas. A interceptação que coloquei acima é, infelizmente, um bom exemplo disso. Inexperiência e prospecto cru é uma soma de resultado “interceptações”. Não tenha dúvidas: várias virão. Em quais momentos? Isso é mais do que importante, porque podem custar partidas.

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“A empolgação não nasceu ontem, ele era um grande saindo do College… E, beleza, ele teve um jogo na NFL e não dá para ter certeza que ele será excelente. Mas também não dá para termos essa certeza com Josh Rosen ou Sam Darnold, falou-me Henrique Bulio, colega redator aqui do site. “Estou levando muita fé em Mahomes pelo o que vi dele como prospecto, eu gostei do jogo dele contra Denver. Tem muita coisa para melhorar e muita coisa que vamos descobrir nesta temporada, mas levo fé nele pelo o que vi no college”, completou.

Para o bem e para o mal, há expectativas. Acompanhar o talento de Patrick Mahomes será uma história incrível e uma das quais eu mais anseio nesses praticamente 90 dias até o kickoff da temporada 2018 da NFL. Os ingredientes estão todos ali: uma das melhores mentes ofensivas como head coach, a força no braço, a mobilidade, um ataque com várias peças.

Resta saber: a parte mental fará jus a isso tudo? Houve evolução? Cenas dos próximos capítulos.

2nd and 3: Uma contratação que não estamos dando a atenção suficiente

Aproveitando o assunto “incógnitas”, uma contratação que passou sob o radar foi a de Cameron Meredith. Pelo lado bom, posso atualizar meu livro com o caro e raro exemplo de agente livre restrito sendo contratado por outra equipe.

Em resumo, Meredith recebe uma etiqueta de compensação pela equipe que tinha seus direitos até o ano passado – no caso, os Bears. Essa compensação se dá em escolha de Draft e o valor de seu salário em 2018 é arbitrado em função de qual compensação ele recebeu. No caso, os Bears colocaram a menor etiqueta possível – que não dá compensação, porque Meredith não foi draftado. No máximo, Chicago tinha a opção de igualar uma futura oferta.

Ela foi feita; Chicago não igualou.

Talvez tenhamos falado pouco sobre o assunto porque isso aconteceu às vésperas do Draft e o objeto da notícia foi um jogador que não jogou a temporada passada por lesão. Meredith tinha uma campanha cercada de expectativas, mas rompeu ligamento do joelho na terceira partida de pré-temporada dos Bears, contra Tennessee.

O time que foi atrás de Meredith já tem, em Michael Thomas, um excelente recebedor. Sem pressão para que ele seja o principal alvo, como teria sido em Chicago na temporada passada. De quem estou falando? New Orleans Saints, um time a uma jogada absurda de chegar à final da Conferência Nacional de 2017 e um dos favoritos para o Super Bowl.

Leia também: Mesmo com derrota de cortar o coração, o futuro do New Orleans Saints parece ótimo para 2018

Tendo Drew Brees passando-lhe a bola, é bem provável que Cameron volte à forma de 2016. Se saudável, claro. Para o torcedor dos Saints, a boa notícia é que, sim, ele está saudável na medida do possível. O técnico do time, Sean Payton, disse que Meredith está “à frente” no calendário de recuperação. Durante sua passagem nos Bears, Cam atuou bastante no slot e essa é uma lacuna no elenco de New Orleans após a saída de Willie Snead. Sua altura, na red, pode ser perfeita para a precisão e boas tomadas de decisão de Brees – Cam tem 1,92m.

Com Thomas sendo o principal alvo e o recém-draftado Tre’Quan Smith sendo o foco em profunidade de Drew Brees, a produção de Meredith pode ser pra lá de interessante no slot. Olho nele.

3rd and 2: Mais boatos nos Patriots e a falta de pauta em junho

Vou usar uma das descidas para matar um dos assuntos do final da semana passada. Como já escrevi sobre esse assunto e a primeira parte da coluna ficou BEM MAIOR do que o esperado, vou arredondar por vídeo.

A partir desta semana, volto a fazer vídeos lá no YouTube. Assim, conseguimos agradar a gregos e troianos. Quem prefere ler conteúdo escrito tem meus diversos textos aqui no ProFootball. Quem quer ouvir algo no caminho do trabalho/escola/faculdade, tem o podcast – que volta nesta terça. E quem quer ficar vendo vídeo para passar o tempo no trabalho/escola/faculdade, tem o canal do YouTube. Clique aqui para se inscrever, aliás.

PS: Excepcionalmente esse eu gravei no quarto do hotel AHAHHA os próximos voltam com cenário/câmera profissional e mic.

4th and 1: No papel, o ataque dos Browns não é nada mal, mas….

Enquanto estava esperando meu voo de Curitiba para São Paulo no domingo passado, fiquei refletindo sobre coisas que poderia escrevei nesta coluna. Tentei, de cabeça, pensar no ataque do Cleveland Browns.

Sabe de uma coisa? No papel ele não é ruim. Josh Gordon é um excelente wide (quando sóbrio); Jarvis Landry é um dos melhores slot receivers da NFL. Se saudável, Corey Coleman tem potencial. O tight end, David Njoku, silenciosamente fez uma sólida temporada de calouro. Na conta, caso não tenha problemas com o antidoping a là Gordon, Antonio Callaway era o fisicamente mais talentoso dos recebedores do último Draft.

Ainda, o coletivo de running backs tem bons nomes. Nick Chubb, calouro, tem excelente produção em Georgia. Recebendo passes, Duke Johnson de longe é um dos mais subestimados jogadores da posição. Ainda, provavelmente em situações de descidas curtas, Carlos Hyde oferece potencial – talvez com uma carga menor o risco de lesão seja menor.

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A grande incógnita – tema principal desta coluna e não poderia ser diferente em junho – é a posição de quarterback. Caso Tyrod Taylor seja o titular, coisa que espero ao menos para Semana 1, o pior problema dessa unidade deve ter sido solucionado: interceptações. No ano passado, nenhum time foi mais interceptado do que Cleveland. Qual o quarterback com a menor porcentagem de interceptações por passe na NFL nos últimos dois anos? Bingo, Taylor.

Claro, a história pode mudar quando Baker Mayfield virar o titular. Não, não queira: se você escolhe um quarterback com a primeira escolha geral do Draft, mais dia menos dia ele será o titular. Ok, Curti, então os Browns vão vencer a divisão?

Aí que mora o problema.

Em 2014, peso por peso, nome por nome, o Brasil não tinha um elenco ruim para a Copa do Mundo. É, VAI TER MUITA COPA e ela estará nessa coluna. Qualquer pessoa com o mínimo olho clínico para diagnósticos esportivos percebia que o time operava como uma zona tática – na base do chutão pra frente e na ligação direta. O resultado foi o baile tático no mata-mata que culminou com uma vitória nos pênaltis contra o Chile e o inevitável 7 a 1.

Leia também: Estimativa de vitórias: Browns podem sair do fundo do poço da NFL em 2018?

O problema do Cleveland Browns não mora no elenco. Tem muito time com plantel pior que acaba dando resultados. A defesa do New England Patriots pós-lesão de Dont’a Hightower era um lixo completo se desconsiderarmos a secundária. Bill Belichick e Matt Patricia operaram um milagre ao levar a unidade até o Super Bowl – tal como 2011. Na mesma toada, Hue Jackson é o homem do 1-31. Mantê-lo no comando do time não me pareceu uma boa decisão. Até porque os Browns têm um novo general manager em John Dorsey, que contratará um homem de sua confiança após a previsível campanha de no máximo cinco vitórias que se avizinha em Cleveland – ao menos, cinco vitórias a mais do que ano passado, han?

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Seja como for, Hue é meio que um atraso de vida. Resta saber o quão atraso ele será. Todd Haley, agora coordenador ofensivo de Cleveland, tem seus problemas, mas queira ou não comandou uma boa unidade como coordenador ofensivo do Pittsburgh Steelers até ano passado. Que deus permita que Jackson abra mão do máximo possível de controle no ataque para vermos algo melhor do que as chamadas que vimos no ano passado.

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