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Quatro Descidas é a coluna semanal de Antony Curti sobre a NFL, publicada todas as segundas. São quatro assuntos e não mais que 3000 palavras (ou quase… Às vezes vai passar). Para ler o índice completo da coluna, clique aqui.

1st and 10: Dallas comete o mesmo erro 10 anos depois

É um tanto quanto difícil que uma troca implique em dois lados saindo piores do que entraram. Veja, os grandes exemplos de trocas na história da humanidade implicaram sempre em, pelo menos, um lado vencedor – do primeiro escambo à uma compra que você faz hoje. Você ganha satisfação, utilidade ou que seja – o vendedor, dinheiro.

No caso da troca do wide Amari Cooper para o Dallas Cowboys, podemos ter, efetivamente, dois lados que perderam. Eu sei, parece um gigantesco pessimismo de minha parte, mas vamos lá. Antes do lado dos Raiders, que saem como vencedores parciais, falemos do Dallas Cowboys.

Quando você entra em uma negociação, deve evitar que todos saibam o quão desesperado você está para que ela aconteça. Nas semanas passadas, Jerry Jones – dono e, na prática, general manager do Dallas Cowboys – fez questão de dizerúmeras vezes como seu time precisava de um verdadeiro recebedor número 1. Isso reduz seu poder de barganha em qualquer troca, obviamente. O outro lado pode te “extorquir” ao saber de seu desespero.

Foi exatamente o que o Dallas Cowboys fez. Os Raiders agradecem. O pior de tudo é que essa não é nem a primeira vez que os Cowboys, nos mandos e desmandos de Jerry Jones, fazem uma troca desse jeito na caça do próximo Michael Irvin.

Em 2008, exatamente há 10 anos, Dallas trocou por Roy Williams – que estava em decadência em Detroit após, adivinhe, ser uma escolha de primeira rodada. O mais assustador é que as semelhanças entre Williams e Cooper vão além disso.

Williams, em 2008, jogou 5 jogos por Detroit antes de ser trocado. Cooper tem 6 jogos. Nesses, Williams teve 3,4 recepções por jogo. Cooper, 3,7. Apenas um  para os dois nessas temporadas – e a média de jardas recebidas por partida é assustadoramente igual. Roy teve 46,4. Amari, 46,7. Ainda mais assustador é que os números de Cooper são semelhantes aos de… Dez Bryant. 16% de na temporada passada. Ambos.

Edições anteriores da coluna:
4 Descidas: Voltou a Dinastia, Apocalipse de Gruden e Cairo cortado dos Rams
4 Descidas: Afinal, por que as pessoas não mostram mais amor a Drew Brees?

Claro, nem tudo é desgraça. O ESPN Stats and Info reporta que Amari teve 3,8 jardas de separação, em média, por rota corrida. Os outros recebedores dos Cowboys nesta temporada estavam tendo 2.2 jardas de separação. É muito pouco e atrapalha muito a vida de um.

Meu grande ponto para dizer que a chance de Dallas sair bem dessa situação – além do histórico, vide a desgraça que virou da troca por Roy Williams – é que os Cowboys não estão a um Amari Cooper de serem competitivos. Isso justificaria uma troca a essa altura do campeonato. Sofrendo com recebedores neste ano, os Eagles ofertaram uma escolha de segunda rodada para Oakland – proposta superada pela insanidade de Dallas.

É bem verdade que eu estou sendo bastante pessimista com a situação toda, mas ante uma troca como essa, é difícil haver otimismo. Josh Gordon foi trocado por uma escolha de quinta rodada, lembremos. Jimmy Garoppolo saiu por uma de segunda. Claro: eram situações peculiares com menos poder de barganha para os times que trocaram. Mas esse é justamente meu ponto: o desespero e a boca grande de Jerry Jones penderam a balança da barganha para o lado negativo.

Cooper, nessa altura do campeonato, não vale uma escolha de primeira rodada. Da mesma forma que Williams não valia em 2008. Da mesma forma que Joey Galloway, OUTRO recebedor que Jerry Jones trocou por, também não valia em 2000. Pode dar certo? Pode, claro. Afinal, o volume de Cooper será alto, os Cowboys precisam de recebedor e todo o mais. Mas para valer uma escolha de primeira rodada ele vai ter que jogar DEMAIS – e nesse ataque eu não consigo ver isso acontecendo.

Podcast desta semana

Semana 7 já nos livros de história. Foi uma semana com muitos times em folga, como Packers e Seahawks. Mas isso não quer dizer que não tivemos boas histórias.

Mike Vrabel e a decisão de ir pra dois: decisão correta, chamada ruim? Deveriam mais times ir pra 2 sempre? Kerryon My Wayward Son breakout game, ajuda os Lions a equilibrar o ataque?  Chega de Hue Jackson — chega de ser escorregadio, jogar a culpa nos outros e se esconder. Quarterbacks em apuros: Dalton passando vergonha no Sunday Night Football e Bortles bancado.

Ainda, deu tempo de falar sobre três trocas que rolaram desde sexta passada: Carlos Hyde para os Jaguars, Eli Apple para os Saints e Amari Cooper nos Cowboys.

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Leia mais:   🔒 Mesmo que soe como decisão impopular, os Cowboys deveriam fazer de Prescott seu quarterback do futuro

2nd and 7: Do outro lado, ainda não dá para saber se Oakland sai ganhando – Las Vegas, talvez?

Na coluna da semana passada, dissequei extensamente acerca do plano de Jon Gruden na administração do Oakland Raiders como de fato que é. A ideia é se livrar de jogadores do antigo regime, acumular escolhas de primeira rodada e fazer com que o time esteja competitivo em 2020, quando já estiver jogando como Las Vegas Raiders.

Na teoria, lindo. Outros esportes testemunharam boas equipes sendo montadas após “tanks” magníficos. Só para citar dois exemplos, o Houston Astros – que saiu de 100 derrotas para 100 vitórias e o título da World Series na MLB – e o bom conjunto do “Confia no Projeto” do Philadelphia 76ers.

O grande problema é que não existe nenhuma garantia que essa escolha de primeira rodada de Oakland vai virar algo bom. Não é pessimismo não: é histórico. Veja alguns comentários bizarros de Jon Gruden antes de dados Drafts nos quais era comentarista na ESPN americana:

Eu to muito querendo dar o benefício da dúvida, porque 3 escolhas certas de primeira rodada podem colocar um time como favorito. Mas tem que ser a escolha certa e eu não consigo confiar no Gruden dado o histórico dele e o Draft questionável de 2018. Questionável também na época em que era o cacique do outro time de piratas.

Escolhas de 1ª rodada na Era Gruden em Tampa Bay:

WR Michael Clayton
RB Cadillac Williams
OG Davin Joseph
DE Gaines Adams
CB Aqib Talib (que só rendeu depois que saiu de lá).

É pra esse cara que os Raiders deram a chave da franquia por 10 anos. Ante tudo isso, como imaginar que essa história de Jon Gruden ter três escolhas de primeira rodada na mão vai dar certo? Ele nunca foi um bom avaliador de talento. Michael Lombardi, do The Ringer/The Athletic, disse isso na semana passada também. A grande verdade é que Gruden herdou um time vencedor em Tampa Bay, melhorou o ataque um pouco e venceu o Super Bowl XXXVII contra uma equipe que conhecia com a palma da mão.

Em 2005, lembramos, ele confiou mais em Chris Simms do que na ideia, assim, hipotética, de draftar Aaron Rodgers. Novamente: não há nenhum indício positivo disso tudo. Nem histórico positivo para ele. O futuro parece, no mínimo, uma coisa: sombrio.

3rd and 4: Sobre custo de oportunidade e Saquon Barkley

Existe um conceito interessante em microeconomia – ensinado nas primeiras aulas, aliás – que é o custo de oportunidade. Em termos simples (se você é graduado em economia, me perdoe), é o que você perde ao escolher outra coisa.

No Draft da NFL, poucas coisas fazem tanto sentido para entendermos melhor o valor das posições e das escolhas como um todo. No também, como falei aqui neste artigo.

No, quando você escolhe um cedo no Draft, perde a oportunidade de escolher um que produzirá mais – coisa que é escassa no meio do Draft, onde você poderia pegar um que produz tanto ou parecido com aquele que você pegou antes.

No Draft “de verdade”, é a mesma coisa. A diferença de talento do Saquon Barkley para um de 3a rodada (Hunt, Kamara, escolha o seu) é muito menor do que de um de 1a para um de 3a rodada. É questão do que “você perde” escolhendo a outra coisa. O custo de oportunidade de passar um no topo do Draft é muito alto.

Claro: há os Trubisky da vida que dão mais raiva que sei lá o que, mas mesmo assim. Não se passa uma oportunidade como os Giants fizeram. A decisão pode transformar Barkley no Barry Sanders da nossa geração. Ou seja: o melhor corredor da liga e alguém que não chega ao Super Bowl porque joga sem. Se preferir, pode usar o exemplo de Adrian Peterson em Minnesota, quando ele estava no auge e teve que jogar com Joe Webb de contra os Packers nos.

Existe uma fixação muito grande no fato de que Russell Wilson e Joe Montana foram escolhas de 3a rodada e que Brady foi a 199. A grande verdade é que passou a primeira rodada, a chance de encontrar um bom cai DEMAIS. Running back, não. Vide, como já falei, Hunt, Kamara, Howard e etc.

Leia mais:   Sem drama, sem alardes: tudo o que Brady precisa é de descanso

Olha a lista de draftados a partir da segunda rodada do Draft de 2017: (obrigado ao seguidor Drawler, que mandou)

41 – Dalvin Cook
48 – Joe Mixon
67 – Alvin Kamara
86 – Kareem Hunt
105 – James Conner
119 – Tarik Cohen
143 – Marlon Mack
182 – Aaron Jones
249 – Chris Carson

Agora olha a de:

52 – DeShone Kizer
87- Davis Webb
104- C.J. Beathard
135 – Joshua Dobbs
171- Nathan Peterman
215- Brad Kaaya
253- Chad Kelly

Tá claro o ponto agora, né? Com todo respeito a Saquon, que é brilhante e um cara que amo ver jogar, mas ele era um luxo que os Giants não podiam se dar ao luxo de pagar. Minha analogia no ESPN League de segunda foi a seguinte: é a mesma coisa que comprar um iPhone X – que custa tipo, 8 mil reais – e não ter dinheiro para pagar seu aluguel.

O celular é do cacete, mas do que adianta se o resto da sua vida tá toda zoada? Vale a pena esse luxo? Não né.

No caso dos Giants, mesma coisa. Havia a oportunidade de pegar um na classe mais profunda de talento da posição em anos. Não pegaram. Quiseram fazer o que Dallas fez com Dak-Elliott, mas Eli Manning nem no nível de Dak está.

É nítido como o jogo “passou” Eli. Parece rápido demais para ele. “Ah, Curti, mas podemos ter um depois”. Pois é. Vou te dar uma notícia ruim.

Justin Herbert, o único que vale um top 10 no Draft 2019, esta seriamente pensando em voltar para mais uma temporada em Oregon. Os outros da classe são fracos – uma pegada meio Draft 2013, só com Geno Smith e EJ Manuel no topo.

Os Saints têm mais dois anos de Drew Brees, potencial em Taysom Hill e mesmo assim trocaram por Teddy Bridgewater.

Os Giants, com a segunda escolha no Draft com mais profundidade de talento para em uma década, escolheram uma posição que você acha Kareem Hunt na 3a rodada. Essa conta vai ser cobrada.

4th and 1: Esqueci de falar algo…

Como o resto da coluna já ficou muito grande, vou usar a quarta descida pra relembrar um ponto que acabei esquecendo de divulgar naquele mar de transmissões da pós-temporada do beisebol que estava fazendo.

Nas últimas duas semanas a gente viu a NFL pegando mais leve ao aplicar a regra do. Mas foi um assunto importante noício da temporada e acabou passando batido aqui.

Todo mundo tá reclamando e a NFL segue no alto de sua pose, dizendo que a regra está sendo corretamente aplicada. Não pode tocar no, não pode cair em cima dele. Por que é assim? A resposta, como sempre: dinheiro.




A liga sabe que não contar com Aaron Rodgers e grandes signal callers, por conta de lesão, faz com que o nível do jogo caia e, por tabela, a audiência também. Ninguém quer ver Tom Savage contra Connor Cook num jogo de playoff. Falo mais sobre no vídeo.

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