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Quatro Descidas é a coluna semanal de Antony Curti sobre a NFL, publicada todas as segundas. São quatro assuntos e não mais que 3000 palavras (ou quase… Às vezes vai passar). Para ler o índice completo da coluna, clique aqui.


1st and 10: Valeu por tudo, Kam

Acima de tudo, trata-se de um título triste. Mas verdadeiro. Não é uma previsão. É a realidade.

Manter coesão defensiva de um ano para o outro é anos luz mais difícil que manter ataques em alto nível por anos a fio. Não é algo que pensei agora ou que só eu penso: há vários outros teóricos do esporte que já há algum tempo falam sobre o assunto – notoriamente o Football Outsiders.

Por quê? Bom, o ataque é muito dependente do quarterback. Se você evoluir seu quarterback ou mantê-lo por anos a fio, a chance de manter estabilidade é muito maior. É por isso que você viu os Colts tão no auge com Peyton Manning e Andrew Luck e numa queda sem eles (2012, 2017). E também é por isso que vimos a ascensão dos Rams correlacionada com a evolução de Jared Goff – ou por que os Bears e os Chiefs têm futuro em dependência de evolução (ou não) de Mitchell Trubisky e Patrick Mahomes.

Já na defesa, o sucesso depende de muitas peças. Embora, indiscutivelmente, haja um “ás” em diversas unidades defensivas dominantes, é impossível dizer que apenas com ele essa defesa estará acima da média por si. Lawrence Taylor era o “ás” das defesas de Belichick como coordenador defensivo dos Giants dos anos 1980 – mas havia muitas peças importantes ao redor. Os Broncos têm Von Miller como “ás” – mas sem Danny Trevathan e outros defensores importantes pelo meio, a defesa ficou vulnerável contra a corrida.

Earl Thomas, no sistema Northwestern – com um safety patrulhando o fundo do campo – influencia demais a defesa em seu (bom) desempenho. Mesmo assim, os outros setores do campo dependem dos demais jogadores. E, ao longo do tempo, é impossível manter tantos atletas juntos – eles envelhecem, eles saem na free agency, eles aposentam.

Thomas está sozinho. Já há algum tempo não temos um Ringo Starr – o 4º elemento da secundária, que não é talentoso como os outros – por lá. John e George saíram – Richard Sherman foi para San Francisco após ser cortado e Kam Chancellor… Aposentou. Resta Paul McCartney em… Bem-sucedida carreira solo?

O torcedor dos Seahawks espera que sim. Mas nem isso é garantia. Nos últimos meses, a questão contratual de Thomas foi bastante especulada . Em seu último ano de contrato, é difícil que permaneça em Seattle – já teriam renovado caso fosse a intenção.

Kam Chancellor é um elemento importante nessa defesa, não tenha dúvidas disso.

Sua fisicalidade e sua presença contra o jogo terrestre e passes curtos eram o que dava a liberdade necessária para Thomas patrulhar o fundo do campo com facilidade, seja no cover 1 ou no cover 3.

Aposentadoria era uma sombra que parecia uma hipótese dura demais para acreditar. Aos 30 anos, embora houvesse histórico de lesão, ainda parecia ter muita lenha para queimar. Sua fisicalidade é uma faca de dois gumes. A mesma intensidade que ajudou Chancellor a se tornar um dos melhores safeties da NFL fez com que seu corpo ficasse exposto a mais riscos.

O exame no pescoço mostrou que não havia melhora na lesão do pescoço. Kam decidiu se preservar.

“Sempre orei para Deus e disse para mim mesmo que eu jogaria esse esporte até que não desse mais”, escreveu. “Bom, não é que não dá mais, mas Deus me deu um sinal que eu não posso ignorar. Eu joguei mesmo com vários tipos de hematomas e lesões sérias. Mas esta eu não posso ignorar… Largar o jogo por escolha é uma coisa, largar por conta de risco de paralisia é outra. Meu exame final não mostrou melhora”, finalizou o comunicado e, por que não, a carreira.

A aposentadoria de Kam Chancellor é mais um duro golpe no coração do torcedor de Seattle. Em termos afetivos, significa, sim, o final da Legion of Boom – não há legião de um homem só. E não foi a única baixa.

Como se vê, é praticamente outro time. E, teoricamente, pretende ser outro também. Bobby Wagner será a coluna dorsal da unidade defensiva. O pass rush, que silenciosamente ajudou a secundária por anos a fio, foi endereçado no Draft. O jogo terrestre, que indiretamente tira pressão dos ombros de Russell Wilson, idem.

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É o fim de uma era e o começo de outra. Embora os Seahawks não sejam favoritos na divisão, podemos dizer que isso tudo pode, sim, ser um pit stop. Os Patriots tiveram problemas entre as dinastias – notoriamente com a defesa após 2008. Teddy Bruschi e outros tantos aposentaram e cones vieram para “ajudar” Tom Brady. Como resultado, quedas nos playoffs para Mark Sanchez e Joe Flacco. Ou seja: não é como se um time já não tivesse passado por isso e se recuperado depois.

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O futuro de curto prazo, contudo, parece menos otimista. Com os Rams como força a ser batida na divisão – vide a conquista no CenturyLink Field no ano passado – e os 49ers em ascensão com Jimmy Garoppolo, as coisas serão mais difíceis sem Chancellor.


2nd and 3: Esqueci um substituto possível para Jameis Winston (risos)

Na semana passada, minha coluna foi toda sobre a possível suspensão – que de fato se concretizou – de Jameis Winston. A NFL, em investigação diligente, concluiu que Winston abusou de uma motorista de Uber ao final de 2016 – com isso, a suspensão veio e foi de três jogos. É, ficou barato considerando que Ezekiel Elliott pegou seis e doping dá quatro.

Em texto exclusivo dos sócios de nosso site, sugeri algumas hipóteses para substituir Winston nesses três – difíceis – jogos contra Eagles, Saints e Steelers. Ryan Fitzpatrick como titular me soa como 0-3.

Para que as coisas fiquem ainda mais espetaculares e divertidas, há um homem pronto para essa missão. Não, não é Teddy Bridgewater. Não, não é Nick Foles.

“Ah… Não sei dizer 100%, talvez”, foi perguntado pela esposa se estava certo sobre a aposentadoria. Perguntado sobre quando ele terá certeza, esta lenda da empolgação respondeu: “Setembro”.

Jay Cutler não tendo 100% de certeza se vai aposentar ou não é a coisa mais Jay Cutler letárgica e sem atitude que eu esperaria de Jay Cutler. A cena acima, que foi ilustrada com esta lenda da vontade e motivação bebendo um cafézinho, ocorreu no reality show de Kristin Cavallari, esposa de Cutler. Ela, visivelmente, pistola porque ele a enrola há anos sobre a questão.

No ano passado, pós lesão de Ryan Tannehill, os Dolphins vieram com a inacreditável solução de Jay Cutler porque “Cutler conhece o sistema” – o equivalente ao “Dante conhece os alemães” do 7 a 1. Vimos no que deu e, agora, tenho o delicioso gostinho de dizer “eu avisei”. Seria completamente inacreditável que os Buccaneers apertassem esse gatilho. Em teoria, é uma opção melhor que Fitzpatrick. Na prática, era o que faltava para esse 0-3 acontecer de vez – com um tempero especial de interceptações estúpidas.

3rd and 1 – Empolgou

Esta época do ano propicia algumas notícias mais amenas pra contrastar com a avalanche de besteiras que alguns jogadores fazem. Anualmente, é neste período que temos a lista de camisas mais vendidas da NFL após a free agency e o Draft. É um termômetro interessante para sabermos a força de dadas estrelas e, em caso de novos jogadores, o quanto as torcidas estão acreditando.

Ela é encabeçada pelo novo ídolo do maior mercado consumidor da liga – Nova York: Saquon Barkley foi a camisa mais vendida. Na sequência, o novo Rei de San Francisco: Jimmy Garoppolo. Ao que tudo indica, a torcida voltou a se empolgar como a Era Jim Harbaugh.

Depois, o testemunho supremo de que é uma liga de quarterbacks. Todo o restante é composto por jogadores da posição. Carson Wentz é o terceiro, Tom Brady o quarto e Baker Mayfield, o quinto. Interessante notar que Nick Foles, herói dos Eagles no Super Bowl, é o sexto da lista – o carinho da torcida da Philadelphia será eterno.

Mayfield é a esperança no Carrossel do Capeta que se tornou a posição de quarterback nos Browns. Natural que ali esteja. Só esperamos que o possível 30º titular do Cleveland Browns desde 1999 o seja por pelo menos 16 jogos – coisa que não acontece desde 2001 com Tim Couch. Ironicamente, também uma primeira escolha geral do time no Draft (1999).

4th and inches – Oakland Panelas

Não cubro NBA diariamente, mas, por conta das participações no ESPN League, sempre que posso falo sobre a liga – até por questão de “lição de casa”. É virtualmente impossível não falar sobre a panelação máxima, com 5 All-Stars e potenciais Hall da Fama, que o Golden State Warriors, doravante apenas chamado por mim de Oakland Panelas, fez.

Como já pistolei bastante no Twitter e devo pistolar no League de sexta – devo fazer o programa com uma panela na mão, ainda estou pensando sobre – vou falar sobre a NFL indiretamente aqui. Perguntaram-me no twitter se essa concentração de valores seria possível.

Dificilmente.

Oício da coluna demonstra como isso seria difícil de acontecer. Além disso, o teto salarial da NFL é “sério”/”duro”: as equipes simplesmente não podem ultrapassá-lo. Se o fizerem noício do ano fiscal da liga (março), a NFL vai cancelando os últimos contratos assinados até que a equipe esteja de acordo com o teto. Além disso, punições como perda de escolhas no Draft podem acontecer.

A NBA e a MLB não funcionam assim. O teto é “mole”. Ou, como gosto de dizer, é como orçamento de obra pública no Brasil: ninguém respeita e gasta-se o dobro. No caso do Oklahoma City Thunder, por exemplo, o teto foi ultrapassado e o time paga uma taxa por isso. E só. É a única punição. Parece e é extremamente ineficaz quando falamos em franquias que valem bilhões de dólares

O fato de haver mais atletas nos elencos da NFL ajuda a evitar a panelação. Junto de um teto fixo, praticamente impossibilita. Mesmo que o elenco tenha força em um lado, acaba inevitavelmente fraco do outro. O ataque dos Steelers é ótimo. A secundária.. errrh. A defesa dos Jaguars é excelente. Blake Bortles… ergggh.

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Que bom que é assim.

Muita gente ainda está pistola com isso tudo, mas inevitavelmente passaremos para os outros estágios da pistolice. Barganha, tristeza e, por fim, aceitação. Outubro será assim, inevitavelmente.

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Fato é que, sim, saber que um campeonato já está decidido antes mesmo de começar é broxante. Vi muitos enaltecendo o “mérito” dos Saucepans pelo fato de três dos integrantes do Megazord terem vindo por Draft – mas isso não mitiga o dumping feito ao assinar com Cousins por cinco milhões quando um calouro ganha mais do que isso. É dumping, não tem outra palavra para descrever.

É triste. É broxante. Mas é a realidade.

#OaklandPanelas

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