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Quatro Descidas é a coluna semanal de Antony Curti sobre a NFL, publicada todas as segundas. São quatro assuntos e não mais que 3000 palavras (ou quase… Às vezes vai passar). Para ler o índice completo da coluna, clique aqui.


1st and 10: Worst to First

Na coluna desta semana, a primeira descida será dedicada para apresentar um fenômeno constante na NFL: os times que saem de último lugar em suas divisões para se tornarem líderes e classificados para a pós-temporada no ano seguinte. Desde 2001, em praticamente todos os anos tivemos uma equipe campeã de divisão após ficar em último lugar no ano anterior.

ANO E TIME CAMPANHA ANO ANTERIOR
2001 Chicago 13-3 5-11
2001 *New England 11-5 5-11
2003 Carolina 11-5 7-9
2003 Kansas City 13-3 8-8
2004 Atlanta 11-5 5-11
2004 San Diego 12-4 4-12
2005 Chicago 11-5 5-11
2005 New York Giants 11-5 6-10
2005 Tampa Bay 11-5 5-11
2006 Baltimore 13-3 6-10
2006 New Orleans 10-6 3-13
2006 Philadelphia 10-6 6-10
2007 Tampa Bay 9-7 4-12
2008 Miami 11-5 1-15
2009 *New Orleans 13-3 8-8
2010 Kansas City 10-6 4-12
2011 Denver 8-8 4-12
2011 Houston 10-6 6-10
2012 Washington 10-6 5-11
2013 Carolina 12-4 7-9
2013 Philadelphia 10-6 4-12
2015 Washington 9-7 4-12
2016 Dallas 13-3 4-12
2017 *Philadelphia 13-3 7-9

* GANHOU O SUPER BOWL

A esse fenômeno, se dá o nome de “WORST TO FIRST” em inglês – como rima, fica muito mais legal falar assim do que usar a tradução em português (ÚLTIMO PARA PRIMEIRO). Com a NBA cercada de polêmicas pela Panela de Oakland e uma suposta falta de competitividade, achei interessante falar sobre a NFL e o oposto nesteício de coluna.

A NFL é a única das ligas americanas que possui um teto salarial rígido. Não há possibilidade de um time ultrapassá-lo – caso aconteça, os últimos contratos assinados são anulados até que o time se adeque ao teto. E existe um empregado em cada time que é exclusivamente dedicado para tomar cuidado, de maneira que o time não ultrapasse esse limite. Na MLB e na NBA, os times podem ultrapassar o teto – pagam uma multa caso o façam. Mas, para franquias avaliadas em bilhões de dólares, essa multa é dinheiro de pinga, convenhamos.

Seja como for, a própria estrutura do futebol americano permite que os times não consigam formar panelas tão fortemente. Quando essas panelas existiam, criou-se o Draft nos anos 1930. O dono do Philadelphia Eagles, cansado de perder talentos para Chicago, Green Bay e New York Giants, propôs que um recrutamento acontecesse e que sua ordem fosse inversa à classificação da temporada anterior. “A liga é tão forte quanto seu elo mais fraco”, disse Bert Bell na época. Anos depois, ele seria o comissário da NFL e o responsável pelo calendário equilibrado  – times fortes jogam contra times fortes, times fracos, contra times fracos.

Até hoje é assim. O último lugar da divisão, necessariamente, jogará contra o último lugar das outras divisões de sua conferência. De maneira análoga, o primeiro colocado de dada divisão joga contra o primeiro das outras divisões da conferência. New England Patriots, Jacksonville Jaguars, Pittsburgh Steelers e Kansas City Chiefs, portanto, se enfrentam por terem sido campeões das divisões da AFC em 2017. Houston Texans, Cleveland Browns, Denver Broncos e New York Jets, idem – por terem sido útlimos. Os terceiros e segundos da AFC também se enfrentam.

Outro elementos podem ser considerados para essa competitividade. São 32 times com 53 jogadores. Há mais pulverização de talentos, ajudada pelo teto salarial rígido. Você não consegue montar um Dream Team quando tem que escolher alguma área para colocar seu dinheiro. Os Jaguars têm a melhor defesa da NFL… E Blake Bortles de quarterback. Os Steelers tem, no papel, o ataque mais completo da NFL… E uma secundária que foi queimada por Blake Bortles.

Para não escrevermos demais, caso você queira adentrar mais sobre o assunto acima – o fenômeno de competitividade que a NFL conseguiu construir – dedico páginas e mais páginas do meu livro, o Manual do Futebol Americano para o assunto – clique no banner ao lado ou aqui para comprar.

O fato de cada time ter uma kritponita torna a NFL competitiva e maravilhosa. Já redigi textos antes de playoff com “a maior fraqueza de cada equipe na pós-temporada. A maior fraqueza do Golden State Warriors era o pivô. Com Cousins, não é mais.

Enfim, feito todo esse contexto, vamos aos times que ficaram em último lugar no ano passado e que podem vencer suas divisões. O The Ringer escreveu sobre na semana passada – mas, além de eu não concordar com a ordem, não concordo com a forma pela qual a lista foi feita.

Para mim, é difícil elencar de 1 a 8. Bem mais lógico separar em prateleiras. São três, a meu ver:

  • Times com alta chance de vencerem suas divisões em 2018
  • Times que estão em divisões fortes demais e com chance média
  • Times que dificilmente vencerão suas divisões em 2018




2nd and 6: Times que dificilmente vencerão suas divisões em 2018

Tudo é possível na NFL, conforme você viu acima. Os Eagles demonstraram uma evolução enorme de Carson Wentz e apresentaram uma linha defensiva com muita profundidade de talento – algo que vem sendo copiado pelos outros times para montagem de elenco. Em 2001, um certo Tom Brady surgiu para o mundo e a defesa dos Patriots deu um salto de qualidade no segundo ano de Bill Belichick como técnico.

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Enfim, seja como for, para que a grande virada aconteça, é necessário que um grande salto também aconteça. Embora estes times estejam no caminho certo, ainda não vejo um cenário plausível deles conquistarem suas divisões.

New York Jets: Mesmo com Danny Amendola, Dion Lewis e Brandin Cooks saindo do New England Patriots, a AFC East ainda é a divisão de Tom Brady e cia. Isso não quer dizer que eu não tenha gostado do que os Jets fizeram na intertemporada: a adição de Trumaine Johnson foi excelente para a secundária. Sam Darnold tem as ferramentas para ser um franchise. Porém, ainda é calouro. O corpo de recebedores tem incógnitas, o de linebackers também e há alguns outros buracos na equipe.

Cleveland Browns: Situação parecida: há uma grande força na divisão – Pittsburgh Steelers – e uma incógnita na posição de quarterback. Se você olhar o elenco “de 1 a 11”, não é ruim na parte ofensiva da bola. Tyrod Taylor tem um teto de produção que não simboliza título de divisão e Baker Mayfield ainda tem muitas dores de crescimento a passar.

De toda sorte, os Browns estão num caminho mais sólido que estavam anteriormente: a intertemporada foi interessante, com adições que melhoram o elenco – Jarvis Landry, Antonio Callaway, Nick Chubb. O problema, além dos Steelers, é ter Hue Jackson como head coach. Isso dificulta muito as coisas.

Tampa Bay Buccaneers: Com a suspensão de Jameis Winston e um calendário bem difícil, a chance de conquistar a divisão é remota. O time fez adições interessantes, como Vinny Curry e Jason Pierre-Paul na linha defensiva – emulando o que foi feito em Philadelphia e no Los Angeles Rams. Ainda, gostei bastante da escolha, via Draft, de Ronald Jones II para ajudar o jogo terrestre.

Contudo, jogar sem Winston contra Saints, Steelers e Eagles nos três primeiros jogos da temporada soa como um 0-3 em potencial. Numa divisão com Saints, Panthers e Falcons… Fica bem complicado imaginar um título aqui.

3rd and 3: Times que estão em divisões fortes demais e com chance média

Aqui, uma coisa interessante: são equipes com elencos interessantes e que passaram por algum problema já resolvido. Há mudanças no corpo de técnicos, por exemplo – mas, no todo, são divisões difíceis demais para que o título venha. Pode acontecer, claro. Mas há outras duas equipes com chances maiores a meu ver.

New York Giants: O 2017 dos Giants foi todo zoado, para não dizer outra coisa. A ausência de Odell Beckham Jr expôs as deficiências táticas de Ben McAdoo enquanto treinador. Eli Manning não tinha jogo terrestre. A linha ofensiva tinha em Ereck Flowers o grande bode expiatório. Sem vitórias, a defesa virou um amontoado de jogadores desmotivados. Odell volta. Saquon Barkley ajudará Eli. Flowers não é mais o left – Nate Solder vem a peso de ouro na free agency.

De toda forma, a NFC East é praticamente impossível de prever a cada ano e as coisas complicam na medida em que os Eagles têm o melhor elenco da NFL, Washington tem um time competitivo e Dallas terá Ezekiel Elliott por 16 jogos. Existe uma janela na qual os Giants conseguem o salto, mas com Eli Manning aos 37 anos, fico menos otimista que o torcedor.

Chicago Bears: Com Aaron Rodgers voltando e o excelente elenco do Minnesota Vikings tendo Kirk Cousins na posição de quarterback, os Bears têm problemas para dar o salto final aqui. Ainda, um Detroit Lions de Matt Stafford e Darius Slay numa das defesas mais subestimadas da liga sempre pode ser problema. Chicago fez mudanças interessantes na comissão técnica – devemos ver um playbook parecido com o dos Eagles/Chiefs, com muita-pass option e conceitos de college que certamente ajudarão a evolução de Mitchell Trubisky. Ainda, a defesa é subestimada.

Mas, nessa divisão, a coisa é bastante complicada de prever – Green Bay de Rodgers e Minnesota com um elenco completaço ainda são forças a serem batidas.

Denver Broncos: O grande problema dos Broncos na temporada passada residia no carrossel de quarterbacks – Trevor, Brock & Paxton. Até Brock Osweiler foi titular e ter o #CosplayDePoste passando a bola não me parece uma boa ideia. Com o ataque inepto, a defesa sempre começava com pouco campo para e o resultado foi o que você viu no ano passado. Case Keenum é a solução? Gostei dele no ano passado em Minnesota, mas sem Pat Shurmur lhe chamando as jogadas, ainda tenho um pouco de pé atrás.

A linha ofensiva, péssima em 2017, foi melhorada. A defesa certamente será ajudada mesmo que Keenum tenha uma regressão a 2017 – até porque sua versão regredida ainda é melhor do que Trevor, Brock & Paxton. A exemplo dos Bears, contudo, há dois elencos melhores na divisão – Chiefs e, sobretudo, um Chargers que não deve começar 0-4 – e ainda tem os Raiders para dar uma encardida nos dois duelos divisionais. Pode acontecer? Sim. E exemplo dos Giants, dependerá do quarterback. De toda forma, em julho, ainda não consigo colocar as fichas em Case.




4th and 1: Times com alta chance de vencerem suas divisões em 2018

Se eu puder apostar em dois times, seriam estes. Claro: um dos times acima na terceira descida podem incomodar. Mas no cenário atual, gosto das chances destes dois.

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Houston Texans: J.J. Watt, Whitney Mercilus e Deshaun Watson voltam para 2018. É a grande notícia que qualquer torcedor quer ouvir. Suas ausências – principalmente a de Watson, que aumentou o potencial do time em coisa de 10 pontos por jogo – foram determinantes para que os Texans fossem o pior time, em campanha, da AFC South de 2017.

A secundária, que teve problemas no ano passado, tem em Justin Reid (calouro) e Tyrann Mathieu (free agency) duas adições pra lá de bem-vindas. Ainda, os Texans têm o calendário mais fácil da NFL em força dos oponentes com base na campanha de 2017. Isso, mais a volta de Watson e a má-sorte de lesões não acontecendo novamente = chance alta. Tem os Jaguars com a melhor defesa da NFL? Tem. Mas Houston pode dar trabalho.

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San Francisco 49ers: A essa altura do campeonato você já deve ter ouvido que Jimmy Garoppolo é o quarterback de San Francisco e que os 49ers não perderam com ele como titular. Claro, o calendário era fraco no período – mas a vitória contra os Jaguars foi importante. É bem verdade que os Rams de Gurley, Peters/Suh/Talib/Cooks (adições da intertemporada) são o time a ser batido e que temos de respeitar os Seahawks de Russell Wilson. Mas isso não quer dizer que os 49ers não tenham uma chance.

O potencial de Kyle Shanahan como playcaller foi devidamente atingido – em parte, ao menos – com Garoppolo under. O time conta com Jerrick McKinnon recebendo passes no backfield e Pierre Garçon volta de lesão. Richard Sherman pode dar uma energia interessante para a defesa. Claro: ainda falta um pass rusher de elite nas pontas da defesa – DeForest Buckner precisa de ajuda ao seu lado. De toda forma, a chance é boa.

Feedback:

Podem mandar para minhas redes sociais que vou respondendo na medida do possível. Nas últimas semanas praticamente não chegaram perguntas para esta coluna – não os culpo, entendo muito bem a falta de pauta gigantesca.




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