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Quatro Descidas é a coluna semanal de Antony Curti sobre a NFL, publicada todas as segundas. São quatro assuntos e não mais que 3000 palavras (ou quase… Às vezes vai passar). Para ler o índice completo da coluna, clique aqui.

1ª para 10: Por que cada macaco tem que ficar no seu galho

Há muitas formas de governo no mundo. Hoje em dia, basicamente, há a República e a Monarquia. No caso da segunda, há a monarquia absolutista e a constitucional, que na maioria dos casos é operada com Primeiro-Ministro, parlamentarismo e etc. Na primeira, o Rei pode tudo. Na segunda, ele é uma figura decorativa que representa o Estado e vez ou outra limita cagadas do gabinete.

30 franquias da NFL funcionam como “monarquias constitucionais hereditárias”: há um dono, que é o Rei em nossa analogia. Mas quem manda mesmo é o general manager – ou, no caso de New England Patriots (Bill Belichick) e Oakland Raiders (Jon Gruden) o head coach.

2 franquias são monarquias absolutas, com o dono acumulando o cargo de.

A primeira é o Cincinnati Bengals.

A franquia foi fundada na década de 1960 por Paul Brown, lendário treinador e multicampeão em anos anteriores. Brown era técnico dos… adivinha, Cleveland Browns e foi demitido pelo dono do time, Art Modell, noício da década em questão. Com a ascensão da AFL (American Football League) e iminente fusão com a NFL, ele cria o Cincinnati Bengals no mesmo Estado de Ohio e praticamente com os mesmos uniformes de Cleveland. Após sua morte, a equipe é herdada por seu único filho, Mike Brown.

Mike, tal como seu pai, administrou o time também como. Suas decisões a partir de 1991, quando herda o time, são trapalhadas após trapalhadas. O primeiro grande ato foi demitir Sam Wyche, treinador que levou o time ao Super Bowl três anos antes. Mike alega que Wyche se demitiu – mentira. Nos anos posteriores, os Bengals foram a grande piada da NFL. Acumularam escolhas no topo do Draft e todo o mais que você vê com os Browns no século XXI.

Hoje, Mike é extremamente criticado por:

1) Não está nem aí com o histórico de jogadores problemáticos (Vontaze Burfict, Joe Mixon & Amigos) e

2) Dar uma estabilidade eterna no emprego para Marvin Lewis. Minha suposição é que essa estabilidade, que não deveria existir, acontece por um trauma de Mike com a demissão de seu pai pelos Browns. Enfim, suposição minha.

Fato é que Mike Brown, enquanto dono e, literalmente não tem vitórias em pós-temporada. É sério. A última foi em 1990, quando seu pai ainda era vivo. Para você ter ideia de quanto tempo faz:

  • A vitória em questão foi no Wild Card Round contra uma equipe que não existe mais: Houston Oilers
  • Na rodada seguinte, foram eliminados pelo Los Angeles Raiders, outra equipe que em essência não existe mais e está prestes a ir para Las Vegas depois de voltar para Oakland em 1995
  • Eu não era nascido e tenho 27 anos. Já penso em casar e ter filhos e Mike Brown ainda não tem vitórias.
  • O dinheiro de todo mundo estava confiscado pelo Governo Collor.
  • Configuração de um computador de ponta: Intel (um núcleo) 486, 8 MB de ram (escrevo em um com 4000 MB) e 80 MB de HD (com HD Externo, tenho 1500000 MB).
  • Novela das 8 da Globo: Meu Bem, Meu Mal (assisti inteira no Viva, aliás, EXCELENTE obra de Cassiano Gabus Mendes HAHAHAH)
  • Música mais ouvida nos EUA na semana da última vitória em pós-temporada dos Bengals: Justfy My Love, da Madonna.

E, finalmente, este foi eleito o Carro do Ano: 

E qual o problema?

É muito simples; Não vou me alongar em questões filosóficas, Teoria do Estado, Montesquieu nem nada sobre Administração de Empresas; O fato é: se você toma decisões sobre tudo no time e não reporta para ninguém senão Deus – e não passou por um processo para se aperfeiçoar até administrar o time, como… Estudar – a coisa não costuma andar.

No caso de Mike Brown – e do outro dono/general manager que o título já revela quem é e que eu daqui a pouco falo sobre – a teimosia fruto desse poder absoluto geralmente resulta em, bem, várias merdas. Um dono de franquia que também é general manager na prática nem a Deus reporta. Ele é Deus naquele time. Ele contrata técnicos, jogadores e todo o mais. O processo é todo contaminado pela paixão.




Numa liga com franquias valendo bilhões de dólares, a paixão não costuma ser um bom negócio como fio condutor de tomada de decisões. Os resultados falam por si.

2ª para 5: Agora onde queria chegar: Jerry

A segunda é o Dallas Cowboys.

Janeiro de 1989. No limbo há alguns anos, o Dallas Cowboys é comprado por um rico empresário do ramo de petróleo. Seu nome é Jerry Jones.

Jones imediatamente manda embora o então treinador do time, Tom Landry. Inventor da defesa 4-3, Landry era o treinador do time desde a fundação, em 1960, e havia vencido dois Super Bowls. Na década de 1980, os resultados sumiram e o treinador estava desgastado.

Junto de Landry, Jones demite o, Tex Schramm. Assim, assume as funções de GM e dono da franquia, cargos que exerce até hoje. Contudo, noício de sua caminhada, Jerry contrata Jimmy Johnson como e, na prática, co-general manager.

Leia mais:   Prévia: Com três vitórias seguidas, Bears assumem favoritismo contra os Vikings

Johnson foi colega de Jones na faculdade: ambos jogaram juntos no time da Universidade de Arkansas, campeã do College em 1964. A experiência de futebol americano de Jones se resumia a isso. Jimmy, por sua vez, seguiu a carreira de treinador e estabeleceu na Universidade de Miami um dos times mais fortes do futebol americano universitário.

A exemplo do Oakland Raiders de 2018, os Cowboys tankaram violentamente em 1989. Trocaram seu principal jogador, o Herschel Walker, por uma penca de escolhas de futuros drafts do Minnesota Vikings – equipe desesperada por um numa época onde os corredores eram mais valorizados que hoje.

Deu certo. Depois do 1-15 de 1989, os Cowboys draftaram corretamente – muito por conta do conhecimento das classes de jogadores contra quais Johnson jogou no College – e estabeleceram uma dinastia. Depois do segundo título, em 1993, Jones começou a ficar incomodado.

Muito se falava de Jimmy Johnson como grande arquiteto e de Troy Aikman, Michael Irvin e Emmitt Smith como grandes jogadores. Mas e dele?

Nunca se soube bem o que aconteceu, mas em coletiva de imprensa, Jerry Jones e Jimmy Johnson anunciaram que seguiriam caminhos distintos. Para substituir Johnson, JJ contratou um técnico desafeto de seu.

Troy Aikman e Barry Switzer tiveram seus caminhos cruzados em Oklahoma, onde Switzer era o grande cacique. Aikman, que detestava o estilo de jogo travado e corrido de Barry, pediu transferência para melhorar seu valor no Draft e se provar como passador. Foi para UCLA e, de lá, foi primeira escolha geral do Draft. Cinco anos depois, em 1994, se encontrariam novamente.

Essa marca a primeira decisão errática de Jerry Jones como absoluto do Dallas Cowboys. Noício, era uma diarquia: ambos mandavam juntos na escolha de elenco, embora a palavra final fosse de Jerry. Mas, na prática, o grande arquiteto era Johnson. Sem ele no caminho, JJ podia exercer todo seu poder, montar o time como bem entendia e todo o mais.

Em 1995, o time foi campeão pela quinta e última vez. A terceira com Jerry como dono. É bem verdade que a base era toda montada pela dupla. Mas, como Lennon/McCartney, não seriam os mesmos separados.

3ª para 3: As trapalhadas no teto salarial

Eu poderia ficar dias e mais dias escrevendo sobre as decisões erráticas de Jerry Jones enquanto administrador de elencos. É bem verdade que como dono de franquia ele é brilhante. Ora, comprou o time por 140 milhões de dólares em 1989 e hoje ele vale mais de 4 bilhões. Na prática, o clube esportivo mais valioso do mundo.

Como diretor de futebol americano, contudo, ele deixa a desejar. Na prática, Jones é o absoluto desde 1996, ainda na Era Switzer. São 187 vitórias e 173 derrotas – campanha pífia se comparada à primeira metade da década. Na pós-temporada, são apenas três vitórias. 3-9 no período, aliás.

Tendo mais estabilidade no emprego de que servidor público concursado, ele faz o que bem entender e sequer corre o risco de ser exonerado. Tal como numa monarquia absolutista, apenas o fim da vida tirará o homem do cargo.

Nos últimos anos, a coisa vem complicando ainda mais. Em 2014, Jones queria draftar Johnny Manziel na primeira rodada do Draft. Seu filho, na sala onde o Draft era comandado, impediu – no lugar, Zack Martin, um dos melhores i-OL da NFL, foi escolhido.



“prmo"
Mesmo com a sorte sorrido para os Cowboys com Tony Romo – que não foi draftado – e Dak Prescott no meio do Draft, nada foi aproveitado disso. Prescott, por mais que você queira culpá-lo em 2018, teve um formidável ano de calouro quando havia ajuda do elenco. Sua maior virtude – a paciência no – hoje virou defeito com uma linha ofensiva fraca e recebedores que não conseguem separação.

Prescott, mesmo com contrato de calouro (baratíssimo), não tem ajuda por conta de Jerry Jones. Ele estourou o teto salarial de maneira inacreditável nos últimos anos. Os Cowboys pagam mais de 26 milhões de dólares para jogadores que não estão jogando por eles. Tony Romo (8 milhões), Dez Bryant (8 milhões), Orlando Scandrick, escolha o seu.

Sim, Romo está aposentado há dois anos e ainda recebe dinheiro dos Cowboys. Muito porque Jerry, totalmente comandado pela emoção, renovou seu contrato – tal como o de Dez – por valores absurdos. Esse dinheiro preso impede que os Cowboys se aproveitem do salário baixo de seu atual, tal como Philadelphia Eagles e Los Angeles Rams fazem (assunto da semana passada na coluna, aliás).

Podcast desta semana

Esperávamos uma semana fantástica. Foi o que tivemos. Rams e Saints combinaram para 80 pontos, Ravens e Steelers fizeram aquela partida pegada de sempre e, claro, o Sunday Night Football entre Brady vs Rodgers foi especial como esperávamos.

Sem mais delongas, o recap da incrível Semana 9.

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4ª para 1: A paciência absurda

Jerry Jones não gosta de voltar atrás de decisões porque, bem, porque ele é um egomaníaco e voltar atrás nas decisões indica que ele estava errado. É óbvio que ele não vai assumir isso.

Assim, demorou para cortar Jason Witten – que só saiu aposentado do time – e Dez Bryant. A grande teimosia de Jones, contudo, reside em Jason Garrett.

No papel, Garrett é o do time. Na prática, é uma samambaia. Tal como Jerry e seu ego querem e precisam, ele é o anti-Jimmy Johnson. Não chama as jogadas nem do ataque nem da defesa. Sua função, em essência, é bater palmas tal como um professor de primário.

 

É sério. Tem duzentos milhões de gifs dele batendo palma. Sugiro o drinking game com a imagem em questão, aliás. Ontem, contra o Tennessee Titans, Garrett foi inepto o bastante para, depois de 96 jardas terrestres de Ezekiel Elliott no primeiro tempo, haver apenas seis corridas do mesmo no segundo.

Dá e não dá para culpar, porque não é ele que chama as jogadas. É Scott Linehan, outro do triunvirato da incompetência de Dallas. A defesa, ao menos, se vira – não tem tanto talento e sofre com lesões de Sean Lee, mas faz uma boa temporada.

Em resumo, uma bagunça completa cuja gasolina é o ego de Jerry Jones. Ele não manda Garrett embora mesmo seu técnico tendo as seguintes campanhas:

Chegamos ao ponto no qual o torcedor do Dallas Cowboys sonha, desesperado, com um massacre do Philadelphia Eagles no próximo Sunday Night Football. Em audiência nacional e horário nobre, talvez a vergonha seja tanta o suficiente para Jerry criar vergonha na cara e mande todo mundo embora.

Nesta semana, contudo, o ego continuou falando mais alto e ele declarou que quer estender os contratos de Dak Prescott e Jason Garrett mesmo, bem, ambos sequer merecendo isso.

É uma tragédia completa. Monarquias absolutas costumam não dar certo em 2018. O Reino de Dallas é só mais um exemplo disso.



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