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Quatro Descidas é a coluna semanal de Antony Curti sobre a NFL, publicada todas as segundas. São quatro assuntos e não mais que 3000 palavras (ou quase… Às vezes vai passar). Para ler o índice completo da coluna, clique aqui.

PS: Estivemos ausentes nas últimas semanas com a coluna, mas houve uma reorganização no site – agora eu edito menos artigos – e volto a ter tempo de fazer a coluna às segundas!


1st and 10: Não acabou a dinastia

Ah vá.

Como disse no último podcast, a crise em Foxboro tinha um remédio bem claro: AFC East. O calendário propiciou isso. Se na última vez que o alarde foi feito, em 2014, o time viajou para Cincinnati e passou o caminhão em cima dos Bengals, desta vez o calendário foi ainda mais vantajoso: um jogo em casa contra um adversário que os Patriots historicamente dominaram nesta década.

Mais: a divisão inteira é freguesa em Foxboro. Os Patriots venceram 26 dos últimos 28 jogos em casa contra adversários da divisão. Nas duas derrotas, New England não teve Tom Brady em campo por todos os 4 quartos – no ano da suspensão, por exemplo, Brady ficou de fora da partida da Semana 4 contra o Buffalo Bills (2016).

Questão é que, como já falei algumas vezes, a estrutura de treinos de intertemporada da NFL faz com que algumas equipes tenham apagões no início da temporada. O torcedor do Minnesota Vikings, por exemplo, deveria ter menos medo do que está tendo. O dos Patriots, idem.

Por quê?

Bom. Desde 2012, as equipes têm menos treinos possíveis na intertemporada – é a regra do CBA, o acordo coletivo entre Associação de Jogadores e NFL. Menos treinos, menos entrosamento. Menos entrosamento, jogam pior. Apagões acontecem.

Foi assim em 2014, assim de novo agora. O corpo de recebedores do New England Patriots está completamente desfigurado do que era antes. Amendola e Cooks foram embora. Dion Lewis, parte importante do plano de jogo, também saiu. Julian Edelman só volta na semana que vem. Josh Gordon caiu de paraquedas no meio do ano. O running back Sony Michel é calouro.

Natural que essa mistura toda seria um Opala 78 a álcool. Quando você adiciona a raiva de Tom Brady e o chicote estalando a semana inteira por Bill Belichick, o resultado foi o Império Contra-Ataca do domingo contra os Dolphins. Estatisticamente, o melhor jogo de Brady no ano.

Nos primeiros três jogos, 57% de passes completos. Ontem, 67%. Nos primeiros três, 5.5 jardas por tentativa. Ontem, 11.1. A defesa também melhorou de produção, sobretudo no que tange a eficiência – e isso certamente é resultado de Belichick na orelha de todo mundo. Os Dolphins amargaram um 3-11 em terceiras descidas, pior marca do time na temporada.

Daqui pra frente, o Opalão 78 deve pegar no tranco e há duas oportunidades excelentes para mostrar isso. Na quinta (TNF), os Patriots enfrentarão um Indianapolis Colts com Andrew Luck e certamente mordidos depois da freguesia pós-Manning. Ah, tempero, extra: Josh McDaniels deu bolo nos caras e em vez de virar seu head coach, voltou para a Estrela da Morte e segue como coordenador ofensivo dos Patriots. O general manager de Indianapolis, ante tudo isso, declarou que “a rivalidade está de volta”.

Na sequência, o Acabou a Dinastia Game: New England joga em casa contra Pat Mahomes e o Kansas City Chiefs, mesmo adversário da Semana 4 da temporada 2014 – aquele jogo que gerou a primeira grande crise da dinastia patriota. Os Chiefs, aconteça o que acontecer no Monday Night de hoje, são o melhor time da Conferência Americana. Vencê-los significa coisa demais para estabilizar as coisas em New England.

Cenas dos próximos capítulos. A novela está longe de terminar – mas dá sinais de que volta a pender para o Império Galáctico.

2nd and 7: Finalmente algo bom no ataque de Chicago

Ouvi algumas vezes o seguinte: se Mitchell Trubisky não conseguir um bom desempenho contra a péssima defesa do Tampa Bay Buccaneers, que vinha de semana curta (jogou no Monday Night) e teria de ir até Chicago, aí podemos ligar o sinal amarelo. Concordei múltiplas vezes com isso.

Ao longo de toda intertemporada, pipocavam notícias de que Mitchell, segunda escolha geral do Draft 2016, vinha tendo dificuldades de aprender o livro de jogadas de Matt Nagy. Recém-empossado como head coach do Chicago Bears, Nagy vinha de um trabalho fantástico em Kansas City.

Tendo ele como coordenador, Alex Smith teve o melhor ano estatístico de sua carreira. Tendo ele como chamador de jogadas, os Chiefs se recuperaram na segunda metade da temporada e evitaram uma implosão após começarem 5-0 – Andy Reid cedeu a responsabilidade de chamar as jogadas no meio do ano, vale lembrar.

Era impossível não traçar paralelos entre Trubisky/Nagy e o que vem acontecendo em Los Angeles e Philadelphia. Eu mesmo escrevi sobre isso como tema principal desta coluna em edição anterior. No caso de LA, a comparação era “quarterback que foi mal no primeiro ano na NFL e uma boa mente ofensiva salva sua carreira” – Jared Goff/Sean McVay. No segundo caso, “segunda escolha geral do Draft + ex-coordenador ofensivo de Andy Reid”.

Quando duas somas aparecem assim, é bom demais para não ser verdade.

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Mas, até acontecer de fato, não é verdade. Após colocar 20 a 0 contra o Green Bay Packers no Sunday Night Football inaugural da temporada 2018, Trubisky não conseguiu fazer mais nada. Na segunda partida da temporada, também um jogo em horário nobre contra os Seahawks, as leituras novamente se mostraram travadas em múltiplas ocasiões.

Nas três primeiras semanas da temporada regular, Mitchell não teve nenhum passe completo para mais de 10 jardas. Na direita, foram sete, para comparação. Bati nessa tecla algumas vezes no twitter: ele simplesmente não conseguia passar na esquerda.

Aí veio a Semana 4 contra o Tampa Bay Buccaneers. Em casa, os Bears tinham consigo uma defesa formidável para ajudar o camisa 10.

Ao melhor estilo “deixa que a natureza marca”, Trubisky teve apenas 5 blitzes enfrentadas – os Buccaneers resolveram pressionar com quatro homens e deixar 7 na cobertura do passe. Todas as blitzes, aliás, no segundo tempo – talvez como ajuste de intervalo para tentar algo.

Nas poucas situações que Tampa Bay conseguiu pressionar o jovem quarterback de Chicago, foram 0-4 em passes. O resultado foi uma outra apresentação por parte de Mitchell. Parecia, de fato, outro quarterback. Trubisky teve 6 passes completos na esquerda – exatamente a mesma quantidade de passes para mais de 10 jardas que tentou nas três semanas anteriores (e todos tinham sido incompletos).

Aparte disso, vimos a eficiência que se esperava com Matt Nagy: seis passes para . Um quarterback dos Bears não fazia isso desde 1293. Na verdade, 1949, mas você teria acreditado se eu tivesse falado que foi no século XIII. Para se ter ideia da metamorfose, Trubisky teve seis passes para nos 7 jogos anteriores em casa. É outra realidade.

Vai se manter? Óbvio que não. A secundária de Tampa Bay é horrível. Isso não tira o mérito do camisa 10 de Chicago, mas também não quer dizer que ele virou Patrick Mahomes da noite pro dia. Fato é que finalmente foi mostrada evolução. Acima de tudo: conforto. Nitidamente faltava isso nas campanhas de Mitchell, principalmente quando a defesa fazia ajustes no segundo tempo.

Com uma defesa absurda e digna de rótulo de melhor da NFL nos primeiros quatro jogos, os Bears lideram a divisão pela primeira vez em muito tempo. Foi a maior quantidade de pontos marcados pelo time desde 2012. Primeiro início 3-1 desde 2013 – última temporada na qual o time não teve mais derrotas do que vitórias após 17 semanas.

Contexto é necessário. As vitórias vieram contra times da metade debaixo da tabela. Com todo respeito, mas Seahawks, Cardinals e Buccaneers não almejam muitas coisas nesta temporada. Os Bears agora vão para a semana de folga – sem muitos jogadores machucados – e recarregam as energias para a Semana 6. O calendário, dali pra frente, tem pedras no caminho e elas servirão de termômetro para o time: é um time 3-1 mesmo ou uma vaca que subiu na árvore e vai cair a qualquer momento?

A defesa tem potencial para ser a melhor do time desde 2006 – ano em que chegou no Super Bowl, diga-se. Naquela temporada, a unidade defensiva tirou o inepto ataque do buraco em inúmeras ocasiões. Depois da semana de folga, os Bears pegam a AFC East com jogos contra Dolphins, Patriots, Jets e Bills. Considerando que não é uma divisão forte, Chicago tem potencial – e defesa – para sair dessa campanha com 6-2.

Isso seria o suficiente para colocar o time no radar do Wild Card. Vai acontecer? Como antes, depende da evolução de Trubisky nas próximas semanas.

3rd and 5: É hora de se preocupar na Philadelphia? Há ressaca?

O elenco é o mais completo, no papel? Sim e não. Lesões acontecem e elas já começaram a afetar a temporada de Philly.

Alshon Jeffery só estreou na tarde de ontem e, como esperado, teve um desempenho fantástico. O mesmo pode ser dito de Zach Ertz, que foi explorado demais no miolo da defesa de Tennessee, o setor frágil do time na defesa aérea. Juntos, eles tiveram cada um 100 jardas recebidas.

Vamos ao primeiro problema: Philadelphia não teve jogo terrestre. Um excelente comitê de running backs foi reduzido para Jay Ajayi FC por conta de Corey Clement e Darren Sproles fora. No final das contas, Carson Wentz teve que passar a bola em 50 ocasiões – segunda maior marca de sua carreira. Spoiler: quando um quarterback passa tanto a bola assim, não costuma ser bom sinal para uma equipe.

Os Eagles não contaram com o tempo de posse absurdo que outrora estavam tendo. A defesa teve que ficar mais tempo em campo. Com isso, a forte linha defensiva estava exausta ao final da partida, que ainda contou com prorrogação. A força motriz dessa unidade é o pass rush. Sem ele, a secundária – que não é boa – fica exposta. Sem Rodney McLeod, fora também por lesão, foi um desastre ainda maior.

Conversei com o Henrique Bulio, nosso redator, antes de publicar a coluna e perguntei a ele se havia mais problemas. Nessa questão da secundária, a ausência de McLeod operou um efeito em cascata terrível para a unidade – que foi potencializado pelas questões acima. Jim Schwartz, o coordenador defensivo, ama entrar em campo com pacotes dime – formação defensiva com mais . Não há mais tanta profundidade de talento para isso.

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Sem McLeod, o fraco Corey Graham subiu para titular. O calouro, Avonte Maddox, sobe para a posição de Graham – mesmo sem ter tido tantas repetições para tanto. A receita do caos e do “ressurgimento” da temporada de Marcus Mariota estavam ali. Sem ajuda de McLeod, para completar, Jalen Mills sofreu mais do que o de costume. Uma secundária que já não era boa acabou tendo ainda mais problemas.




Não vou entrar nem no mérito de outros problemas, como o festival de drops de Nelson Agholor que lembrou a Era Chip Kelly. Ou as atuações fracas da linha ofensiva – a defesa dos Colts, como vimos nesta semana, não é tão boa quanto pareceu contra Philadelphia.

De toda forma, não é hora para pânico. Se tiver peças mais saudáveis, esse time volta a ser uma potência – só que o resultado da equação acima foi desastroso para a equipe. Sinal amarelo? Talvez. Fato é que nessa divisão ainda não vejo time que possa ameaçar os Eagles, mesmo com todos esses problemas.

4th and 2: Bell, Thomas, greves e… Humanos

Alguns torcedores mostram descontentamento com a situação de Earl Thomas. Um dos melhores safeties de sua geração, Thomas está em último ano de contrato e não havia a menor possibilidade de ter que Seattle renovasse o vínculo. Ele está “do lado errado” dos 30 anos, digamos.

Para a posição, isso importa. Menos do que para um running back, é bem verdade, mas, ainda assim, um “problema” quando a negociação começa. Thomas fraturou a perna na partida do último domingo contra o Arizona Cardinals. Não joga mais neste ano. Ao sair de campo, de maca, mostrou o dedo do meio para a side line… De Seu time.

Se já não havia muito clima para sua permanência, agora então ficou claro que ele estará em outra franquia para a próxima temporada. Lá se vai o último pilar da defesa campeã do Super Bowl XLVIII e vice do campeonato seguinte.

Mostrar o dedo do meio talvez tenha sido demais. Podemos concordar nisso. Mas, será que ele estava errado de não treinar? De aparecer só para os jogos? Ora, os times em várias oportunidades cortam jogadores com anos sobrando no contrato. Ao contrário da MLB e da NBA, o dinheiro do contrato não é todo garantido – a menos que você se chame Kirk Cousins.

Em resumo: não tem lado certo.

Você pode ser um torcedor mais feroz e ficar com raiva dos jogadores, mas não podemos esquecer que eles são seres humanos. Recuperando-se de lesão e jogando muito, Tyler Eifert machucou-se novamente ontem e está fora da temporada. Ao sair de campo, não conteve as lágrimas.

São humanos.

A gente os critica, eles são milionários, mas eles têm emoção e vão no banheiro todos os dias tanto quanto e ou você – a menos que você tenha o intestino preso, vai saber. Julgar casos como esses – seja o de Thomas, seja o de Bell – é delicado.

O que se tira disso? Que esse modelo de todo o dinheiro do contrato não ser garantido, em certa medida pode mudar no próximo acordo coletivo trabalhista da liga com seus atletas. Essa é a consequência. Ou isso, ou o esquema de pagamento da franchise tag, coisas assim. Fato: algumas coisas vão ter que mudar.

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