Uma senha sera enviada para seu e-mail

Quatro Descidas é a coluna semanal de Antony Curti sobre a NFL, publicada todas as segundas. São quatro assuntos e não mais que 3000 palavras (ou quase… Às vezes vai passar). Para ler o índice completo da coluna, clique aqui.




1st and 10: As apostas dos Jets estão rendendo

A tempestade perfeita aconteceu para o New York Jets e não foi só uma vez. Quando o time trocou várias escolhas de segunda rodada para o Indianapolis Colts no deste ano, imaginava-se que a ideia poderia ser um tiro saindo pela culatra.

Afinal, trocar no sem saber qual quarterback estaria disponível é… Bem, é meio temerário. Seria o equivalente a fazer uma declaração amorosa a alguém sem nenhum indício de que será retribuído.

No final das contas, deu certo. O Cleveland Browns surpreendeu a todos e draftou Baker Mayfield. O New York Giants mostrou que ainda acredita em Eli Manning e reforçou o ataque com o running back Saquon Barkley. Na terceira escolha geral, os Jets estavam em posição de fazer o que muitos duvidariam que pudesse haver possibilidade de virar fato concreto: draftar Sam Darnold.

Ora, tudo indicava que o front office de Cleveland iria na direção de Darnold.

A ideia passada e a conclusão que a maioria dos analistas chegava é que os Jets acreditavam que Baker Mayfield estaria disponível na terceira escolha geral – daí a troca com os Colts. Às vezes a gente faz coisas no escuro, se arrisca e, bem dá certo.

Darnold está treinando bem e demonstrou consistência nas últimas duas atuações de pré-temporada. Tudo indica que ele será o titular na Semana 1. Dores de crescimento à parte, é a melhor ideia. Não é como se os Jets competissem pelo Super Bowl neste ano. Assim, colocar o calouro em campo para aprender “na prática” me soa como uma boa ideia.

O “problema” é que Teddy Bridgewater, quarterback outrora escolha de primeira rodada e contratado por Nova York na intertemporada, também está jogando bem. Vou te poupar de linhas estatísticas que, na pré-temporada, de nada adiantam. Acredite em alguém que se matou de correr na esteira enquanto via o tape dos jogos de Teddy: ele está seguro e bem.

Isso nos levou a fazer um texto sobre… Para onde ele vai? Possibilidade quase zero de ele seja o titular na Semana 1 em Nova York. Ora, só assim seria se os Jets tivessem um time mais competitivo. Aí você coloca o veterano mais capaz em campo. Como não é o caso e os times raramente carregam três quarterbacks na temporada regular, a tendência óbvia é que os Jets mantenham Josh McCown – o tutor/quase-técnico – e o calouro-estrela Darnold. Sobra um. Sobra Bridgewater.

A troca é uma possibilidade óbvia. Caso cortado, ele vira free agent. Mais fácil uma franquia oferecer escolha de +/ou jogadores e garantir os serviços de Teddy no cômodo contrato atual.

Antes de continuarmos – a segunda descida será dedicada ao que penso sobre o melhor destino possível – vamos a esse contrato. Porque ele é complexo. O que é necessário falar é que o contrato de Teddy com os Jets tem várias “rampas de saída”, que nem você tem nas rodovias. Caso ele vá bem, há gatilhos de produção/pagamento que são ativados. Por exemplo: Se ele tiver 21 touchdowns, recebe 1,25 milhão de bônus. Se tiver 50% dos snaps ofensivos como titular e for para os playoffs, recebe mais 2,5 O contrato-base é de 5 milhões – uma pechincha para um quarterback.

“Quando a esmola é demais, o santo desconfia”. Já sei que você pensou nisso. Por que um contrato tão barato? Bom, Bridgewater quase deixou de jogar futebol americano. Ele teve uma das mais graves lesões que me recordo – na prática, os ligamentos de seu joelho romperam na totalidade. Ele ficou quase duas temporadas parado. Assim, os Jets compraram na baixa e vão vender na alta.

Em seu texto do final da semana passada, o Gabriel elencou algumas equipes-destino de Teddy em caso de troca. São elas: Patriots/Saints/Chargers (as três com quarterback em idade avançada e sem um príncipe imediato), Bills, Jaguars, Bengals, Eagles e Buccaneers.

Nenhuma para mim faz tanto sentido quanto os Jaguars.

2nd and 7: Para os Jaguars, faz sentido trocar por Bridgewater

Caso você prefira este segmento em vídeo, gravei um e você pode assistir acima. Antes de mais nada, vou-me utilizar do beisebol como contexto. Se você não gosta desse outro esporte que eu comento, por favor segura a raiva e vem comigo: vai fazer sentido.

Ano sim, ano também, equipes “na caça” de títulos de divisão ou da World Series fazem um esforço extra no prazo limite de trocas e adquirem jogadores para melhorar pontos fracos de seus times. Times em reconstrução, por sua vez, “vendem” jogadores que não devem renovar ou cujos futuros já não interessam. Neste ano, por exemplo, o Los Angeles Dodgers foi atrás do shortstop Manny Machado para melhorar a produção do ataque. Os Yankees, que não tinham bons nomes para além de Luis Severino (na época vinha bem) na rotação de arremessadores, conseguiram dois bons nomes em J.A. Happ e Lance Lynn.

Na NFL, as trocas são menos constantes porque os esquemas táticos são mais complicados. Não que não haja orientação ou esquema em algumas equipes do beisebol, mas quem rebate em St. Louis vai conseguir fazer a mesma coisa em Nova York. Sobre essa lógica, falo mais sobre em meu livro.

Leia mais:   4 Descidas: Mike McCarthy é o freio de mão na vida de Aaron Rodgers

Por conta da variação de sistemas do futebol americano – marca mais em zona ou homem a homem? 4-3 ou 3-4? West Coast ou Vertical? – a coisa fica mais complicada ao receber jogadores via troca. Raros são os casos de trocas no meio da temporada nas quais o jogador consegue contribuir de imediato. Mesmo no caso de Jimmy Garoppolo, franchise em tese, houve um tempo de “banco” para adaptação.

Dito isso, o casamento entre Teddy Bridgewater e o Jacksonville Jaguars é ideal.

Neste momento das coisas, ainda há tempo. Sobra pelo menos duas semanas para adaptação. Na pior das hipóteses, como foi o caso de Jacoby Brissett indo para os Colts no ano passado, Teddy joga na Semana 2.

Dito isso, o casamento entre Teddy Bridgewater e o Jacksonville Jaguars é ideal.Primeiro porque ele tem potencial para, se saudável, ser um franchise. Mostrou isso em Minnesota, afinal. Além disso, os Jaguars têm um time pronto. Arrisco, o time “sem quarterback” mais pronto da NFL. Adicionar um jogador com potencial de Teddy seria o necessário para esse time alçar voos mais altos.


“odds"

Naturalmente, você me pergunta: e se ele machucar? Quanto isso vai custar?

Bom, o casamento é ainda mais perfeito. O custo de oportunidade é baixo. Para começo de conversa, os Jets aparentemente demonstraram interesse em Dante Fowler Jr, linha defensivo que “está sobrando” na fortíssima rotação de Jacksonville. Ele poderia ser envolvido em potencial troca – adicionalmente, mais uma escolha baixa do de 2019. E mesmo que não dê certo, o “não” você já tem. Ou melhor, você já tem Blake Bortles.

No mundo dos sonhos, seria um upgrade interessante – Blake por Teddy. E necessário. Conforme falo no vídeo, a janela defensiva é menor do que a ofensiva. Com um grande quarterback sob contrato, você consegue manter o nível ofensivo por anos a fio – tal como os Patriots ou os Colts na era Manning. A defesa, como observado em Seattle e Denver, precisa de mais peças e nem sempre é possível ter esses caras por mais de, sei lá, quatro anos.

Daí a necessidade da troca. A janela defensiva dos Jaguars não vai durar para sempre. É necessário capitalizar agora, antes que os contratos de calouro de Jalen Ramsey e Myles Jack acabem. E antes que os Malik Jackson e os Calais Campbell dessa defesa fiquem velhos.

Daí a necessidade da troca. A janela defensiva dos Jaguars não vai durar para sempre.

Tal como os Dodgers maximizando as possibilidades ao melhorar seu ataque com Manny Machado ou os Yankees fazendo o mesmo com sua rotação, é medida de urgência que os Jaguars façam o mesmo para capitalizar ainda neste ano. Quais são os outros “desafiantes” na Conferência, afinal?

O New England Patriots tem o corpo de recebedores mais fraco em anos e sua defesa precisa ser melhor contra o pass rush. A defesa do Pittsburgh Steelers preocupa sem Ryan Shazier – especialmente a secundária. O Kansas City Chiefs tem quarterback novo e uma incógnita em Pat Mahomes; O Los Angeles Chargers tem bom elenco, mas vem sendo amaldiçoado por lesões – já falo sobre. Quer oportunidade melhor para Jacksonville capitalizar?



Tudo lindo, tudo maravilhoso.

Mas a teimosia de Tom Coughlin, que ganhou dois Super Bowls com uma defesa forte e ataque embasado em jogo terrestre, pode ser a verdade absoluta para os próximos meses. Afinal, os Jaguars renovaram com Bortles e não contrataram nenhum quarterback na free agency que pudesse competir com ele – erro, a meu ver. E tampouco foram atrás de alguém no – erro maior, dada a profundidade da classe.

Os Jaguars ficaram a um segundo tempo melhor de irem para o Super Bowl. O problema? Blake Bortles. Claramente a comissão técnica tinha medo de chamar passes em primeira ou segunda descida. Foram conservadores, mostraram medo. Bill Belichick fez com que pagassem por isso.

Agora há a oportunidade de serem agressivos e é o momento ideal para tanto. Pena que, provavelmente, não vai acontecer.

3rd and 4: Corte de Cairo Santos

Soava estranho que Cairo não tivesse jogado nenhuma partida desta pré-temporada.

Depois de cortado pelo Kansas City Chiefs no meio da temporada passada, Cairo ficou um tempo em reabilitação e, depois, assinou com o Chicago Bears. Jogou pouco tempo – a lesão na virilha voltou a atrapalhá-lo.

Em março, Cairo assinou com os Chiefs e ganhou bônus de 500 mil dólares. A lesão na virilha seguiu atrapalhando. Rich Cimini, insider que cobre o time para a ESPN americana, relatou que a lesão de Cairo seria crônica – e, em sendo na virilha, horrível para um chutador.

A lesão limitou-o no training camp na temporada passada e ele pouco treinou neste ano com os Jets. Segundo fontes de Adam Schefter, Cairo estaria saudável mas Nova York preferiu ir em outra direção – já viram mais de Taylor Bertolet e Jason Myers, que agora competem pela titularidade.

Não sejamos tolos. Vamos ler as entrelinhas. Por mais que tenha sido dito que Cairo está 100% saudável, algumas franquias vão ter medo dessa lesão crônica. De toda sorte, ainda bem que o inevitável (ao que tudo indica) corte pelos Jets rolou AGORA em vez de mais para frente – dado que ainda há duas semanas de pré-temporada e isso dará a Cairo a chance de se estabelecer em alguma outra franquia.

Com lesão crônica ou não, fato é que há espaço.

Os médicos da franquia que lhe ligar certamente poderão avaliar isso da melhor forma possível, mas, saudável, Cairo não é pior do que vários titulares da NFL. Tampa Bay, New York (Giants), Washington, Chicago e Arizona são alguns times que podem mandar um “oi sumida” para o empresário do brasileiro.

Leia mais:   4 Descidas: Mike McCarthy é o freio de mão na vida de Aaron Rodgers

Ainda tem água para rolar. Cairo tem 54 jogos na carreira e, neles, acertou 84% dos chutes – com o mais longo sendo para 54 jardas, em 2016. Em pós-temporada, não errou nenhum chute. É o melhor kicker da NFL? Não. Mas é alguém que certamente tem espaço na liga para esta temporada – caso a lesão não lhe atrapalhe.

4th and 2: Dez/Adrian

Ainda na toada de vídeos, fiz este acima para comentar sobre dois medalhões.

(Um grande disclaimer sobre produtividade e todo o mais – o qual esta coluna e seu modelo permitem. Nas últimas semanas tive alguns probleminhas pessoais – nada grave – que acabaram me perturbando e comendo meu tempo. Ao contrário de Jerry Jones, que se apega e deixa a bomba explodir, a questão já foi resolvida – veja o vídeo para mais informações hehe.)

O ponto aqui é: havia dois “Reis do Fantasy de 2013” ainda disponíveis no mercado. Dez Bryant e Adrian Peterson seguiam sem equipe para 2018. Motivos, bem, não faltam. Eis o que escrevi sobre Dez quando o corte aconteceu:

“Bryant não vale 16,5 milhões por ano – não importa o quanto ele tenha feito na NFL nesta década. Como digo, legado não faz . São negócios e é a liga mais lucrativa dos Estados Unidos, com um calendário de “tiro curto”. Afeiçoar-se ao passado não costuma dar certo.

Na temporada passada, Bryant foi o 26º em jardas recebidas, o 70º em % de passes recepcionados e o quarto com mais drops (foram 6).  E, a bem da verdade, não é de hoje que Dez está em declínio. Ele não é mais aquele jogador que fazia uma dupla mortal com Tony Rono.

Depois que renovou seu contrato, a produção só caiu. São 300 mil dólares por recepção desde 2015. 21 recepções para mais de 20 jardas nas últimas três temporadas (só em 2014 foram 22). Seis drops na temporada passada – só três jogadores tiveram mais.

Começamos nossas prévias de temporada, são exclusivas de nossos assinantes, confira!

🔒 PRÉVIAS 2018: A OL dos Texans vai conseguir proteger o prodígio Deshaun Watson?
🔒 PRÉVIAS 2018: Luck de volta, mas como a defesa dos Colts pode lhe ajudar?

Sabe quando todo mundo fala para seu amigo, que ele está num relacionamento que lhe faz mal, que ele virou outra pessoa e etc, etc, e mesmo assim ele continua? Bom, digamos que era o caso de Jerry Jones e Dez.

Para completar os erros todos, não havia qualquer química entre Bryant e o recém empossado franchise, Dak Prescott. A impressão que passava era de que eles nunca estavam na mesma página. O ESPN Stats and Info demonstra isso: foram 28 passes mais altos do que deveriam nessa conexão, em 2017 – pior marca de um duo QB-WR na temporada passada. Dos 110 QB-WR com pelo menos 50 passes trocados, eles foram os 104º em porcentagem de completos – 52%.”

Declínio, salário, falta de sintonia com Dak num ano que Jerry Jones publicamente disse que o time seria montado ao redor dele. Junte isso tudo e entenda por que Dallas deu o pé no popô. O problema é que demorou demais para esse corte vir. A quantidade de tempo que ele não tem equipe mostra bem isso.

Sobre Adrian Peterson, o mesmo que foi dito sobre ele na temporada passada continua valendo. É um medalhão. Um jogador que já foi o melhor da NFL em sua posição e que segue capitalizando em cima disso. Direito dele. Falta de lógica das franquias.

No ano passado, mesmo com Mark Ingram e o recém-draftado Alvin Kamara no elenco, o New Orleans Saints investiu em Peterson. Ele não rendeu nada, tirou carregadas dos outros dois e, para completar, brigou com o técnico. Acabou sendo trocado para Arizona, onde teve um bom jogo contra o Tampa Bay Buccaneers e nada além disso.

Peterson não tem 3,5 jardas por carregada desde 2015. Ele tem 33 anos e é notório que os corredores dificilmente rendem depois dos 30 anos. Não por acaso, DeMarco Murray se aposentou. No caso específico de AP, o Washington Redskins optou em arriscar. Não concordo, porúmeros motivos.

Para começar que Peterson não é o mesmo jogador de 2012. Repito isso quase todos os dias e parece que ninguém parece prestar atenção. Em segundo lugar, mesmo com a lesão de Derrius Guice, não é como se houvesse certeza de que Adrian, neste momento da carreira, é um corredor melhor do que Rob Kelly e Samaje Perine. Que ele não recebe passes como Chris Thompson eu tenho certeza, porque mesmo no auge da carreira já não o fazia.

AP vai tirar carregadas de Perine, essenciais em seu desenvolvimento. E por menos que eu goste de Kelly, ainda acho que ele é uma opção melhor. Seja como for, Dan Snyder e Cia. apostaram no medalhão. Dificilmente deve dar certo, aparte de corridas mais curtas e/ou goal line. Vejamos o que rola, né.

 




SIGA-NOS!

Siga-nos no Instagram: @antonycurti
Inscreva-se em nosso canal do YouTube, vídeos novos toda semana.


“proclubl"