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Quatro Descidas é a coluna semanal de Antony Curti sobre a NFL, publicada todas as segundas. São quatro assuntos e não mais que 3000 palavras (ou quase… Às vezes vai passar). Para ler o índice completo da coluna, clique aqui.




1st and 10: o novo contrato de Aaron Rodgers

Em meio a vários “nada acontece, feijoada” que o mês de junho e julho reservam para os amantes do futebol americano, uma potencial pauta se destaca. Já falei, por cima, sobre ela em edição anterior de nossa coluna.

Para resumir: o jogador mais bem pago da NFL é sempre um franchise com contrato para “vencer” em breve. Antes que a bomba estoure ou que o time fique refém de um ano fantástico do atleta – que, tal como Joe Flacco, capitalizaria horrores em cima disso – a franquia renova com o quarterback. E, aí, é o maior contrato.

Para o quarterback em questão, isso é problema na medida em que o contrato ficará “para trás” na medida em que os anos vão avançando. Lembra o alvoroço que o contrato de Derek Carr causou? Já é o terceiro maior em vez de ser o primeiro – e nem faz tanto tempo assim, praticamente um ano. O que ocorre, em realidade, é que o contrato não é atrelado ao teto salarial (que cresce todo ano em cerca de 10%). 

Aaron Rodgers quer mudar isso.

Como melhor quarterback entre os contratáveis – a posição de Tom Brady é completamente à parte, dado que ele têm 41 anos em setembro e em termos contratuais isso fica bem complexo por conta da idade – o líder dos Packers pode pedir a chave da cidade que não há muito o que os Packers fazerem a respeito. Ante esse poder de barganha e como “próximo da lista” entre os quarterbacks com contrato a vencer, Aaron deve revolucionar o modo pelo qual as coisas são feitas nesse sentido.

Em março deste ano, Kirk Cousins já estabeleceu o paradigma de um contrato totalmente garantido – tal como já é prática na NBA e na MLB. Agora, pode haver uma nova modalidade: o contrato com “poder absoluto”. Na prática, é como se Rodgers tivesseúmeras opções contratuais com gatilho em seu poder – coisa que também já é prática no basquete e no beisebol. Após esta temporada, LeBron James (Cleveland Cavaliers) e Clayton Kershaw (Los Angeles Dodgers, MLB) têm opção “do jogador”: eles podem se tornar free agents se assim quiserem.

O que Rodgers quer, segundo fontes, é ajeitar uma “injustiça” desse algoritmo de “ordem dos mais bem pagos”. Em 2013, Aaron conseguiu contrato novo – 110 milhões totais, valores que eram recorde na época. Os valores posteriores cresceram tão rápido que o melhor quarterback da NFL (por favor, torcedor dos Patriots, você sabe que a situação de Brady é diferente por conta da idade, não dê chilique, ele é o p* do GOAT e eu já disse isso) é apenas o 14º mais bem pago da posição em 2018. Três posições acima de… Andy Dalton. Não tá certo, óbvio.

Em meio às negociações, é difícil saber o que é verdade e o que não é. O que já é meio consensual sobre o assunto é isso: Rodgers quer mais controle e opção “do jogador”. Como a NFL é a liga mais “perigosa” para as franquias em termos de lesões, a figura do contrato garantido (Cousins) e de opções de jogadores não é frequente. Mas isso não significa que não seja possível. Então, vamos às possibilidades:




i) Aaron Rodgers pode querer opção de jogador para se tornar free agent a qualquer momento; Isso daria controle de Rodgers sobre seu futuro, de maneira semelhante àquela que LeBron James tem nesse momento “cercado de idiotas” nos Cavs (jajá mais sobre nesta coluna).

ii) Rodgers pode querer SEMPRE ser o quarterback mais bem pago da liga enquanto os X anos de seu contrato estiverem vigentes – essa possibilidade foi descartada porúmeras fontes

iii) Rodgers pode querer que seu contrato esteja em função de uma porcentagem do teto salarial. Assim, ele não “ficaria para trás” na medida que o teto subisse, tal como aconteceu desde 2013

No momento, o quarterback tem mais dois anos de contrato com o Green Bay Packers: temporadas de 2018 e 2019. É amplamente sabido que ele não irá querer pouca coisa. Seja um dos itens acima ou todos, algum novo paradigma será adicionado ao fato de que Rodgers deve ser, em breve, o mais bem pago dos jogadores da NFL.

2nd and 4: Onde Adrian Peterson vai jogar? (ou em lugar nenhum?)

“Ah, mas ele não tem obrigação de saber que o time foi para Los Angeles”. Lógico que tem, não queiram. Seja como for, Adrian Peterson elaborou uma “lista” de times nos quais ele pode estar na temporada 2018. A lista é completamente sem noção – ele simplesmente foi falando cidades aleatórias. O Carolina Panthers foi um deles e… Com Christian McCaffrey e C.J. Anderson lá, acho um tanto quanto improvável.

Leia mais:   4 Descidas: Voltou a Dinastia, Apocalipse de Gruden e Cairo cortado dos Rams

Nem Rams, nem Panthers – ou Packers, como o próprio sugeriu. Há duas possibilidades até que plausíveis para Peterson. Uma delas foi levantada por Bill Barnwell, redator da ESPN americana. A outra é especulação minha –  um “retorno de relacionamento”.

Segundo Barnwell, o Dallas Cowboys faria todo sentido. No momento, a franquia de Jerry Jones (solta a música do Rei do Gado aí) tem apenas Rod Smith na reserva imediata do estelar Ezekiel Elliott. Considerando que Smith não é lá aquelas coisas, até que faz sentido. Ainda mais se considerarmos que Peterson jogou em Oklahoma no college e boa parte da base de fãs dos Cowboys fora do Texas reside por lá. Ao menos, venderia camisa pra rodo.


“camisetas

Segundo Curti (AHAHAHAHHA é muito bizarro falar de si mesmo na terceira pessoa), pensei em uma possibilidade extra. Uma delas faz sentido na toada da minha extensa análise de relacionamentos. O que acontece quando um ex começa a comentar elogios nas fotos do Instagram? Quer voltar, né? Então, é mais ou menos isso que está rolando. Peterson vem elogiando Drew Brees até não poder mais e o técnico dos Saints já se mostrou “aberto” a uma possível volta. Vale lembrar, Mark Ingram está suspenso pelos quatro primeiros jogos da temporada. Até pode rolar. Vejamos o que acontece.

Adicionalmente, vi relatos de Eagles e Giants como destinos possíveis. Em ambos os casos, já há running backs com perfil semelhante a Peterson no elenco – idade inferior, também. Aí já vejo como possibilidade menor. E não descarte a possibilidade do “lugar nenhum”. Adrian é um medalhão e dificilmente compensará qualquer investimento – vide nos Saints ano passado e por um jogo contra os Cardinals.

3rd and 3: Os substitutos não são a principal narrativa em New England, continua sendo Brady

Rob Gronkowski e Tom Brady apresentaram-se nos minicamps obrigatórios do New England Patriots. Mesmo tendo “obrigatório” no nome, são tudo menos isso: a multa para a ausência costuma ser dinheiro de pinga para os jogadores da NFL. Daí, a presença de ambos é uma boa notícia para a torcida do time em meio a boato de aposentadoria de Gronkowski após a temporada passada terminar e a primeira ausência de Brady nos OTAs em anos.

Três outros nomes conhecidos dos Patriots, porém, estão longe. E não estão mais no elenco. Brandin Cooks e Dion Lewis foram primeiro e segundo do time em jardas de Scrimmage no time na temporada passada – Cooks foi trocado para os Rams e Lewis não teve o contrato renovado, assinando com o Tennessee Titans. É a primeira vez desde 2001, quando Tom Brady virou titular, que os Patriots não têm o retorno dos líderes em jardas de scrimmage para a temporada seguinte. Ainda, o quarto da lista, Danny Amendola, também saiu do elenco – o terceiro, Gronkowski, está de volta.

De certa maneira, o cenário é menos apocaliptico do que parece. Julian Edelman, que perdeu toda a temporada passada, volta neste ano e lesão. Braxton Berrios, escolha no final do Draft, é comparado a Wes Welker desde a época que estava sendo recrutado no high school. E Sony Michel pode ser um bom substituto para Dion Lewis – Michel também veio por Draft, ao final da primeira rodada.

O único sem um real substituto no papel, ao menos pelo o que parece, é Brandin Cooks. Relembro ao leitor que ele perdeu boa parte do Super Bowl LII, quando saiu por concussão. Mesmo assim, os Patriots tiveram cartucho para 33 pontos e 613 jardas totais. Ao longo de toda temporada, chamei a atenção para a inconsistência em sua produção. A expectativa de “melhor recebedor de Brady desde Randy Moss” não foi de todo concretizada: pouco mais de 1000 jardas recebidas e sete touchdowns. São bons números, mas nada tão absurdo assim.




Meu ponto é o seguinte: não desvie o foco da real narrativa aqui: o elenco de coadjuvantes vai tão bem quanto Tom Brady for. Em 2007, Brady levou o time à final da Conferência Americana com 4 cones recebendo a bola – a versão LeBron James 2018 do futebol americano, ao que me lembro. Se preferir, pode comparar a Peyton Manning e as defesas horríveis dos Colts até o meio da década passada.

Ou seja: aos 41 anos, o número de vitórias dos Patriots e a produção do ataque da equipe se dá em função de Brady – seja o elenco coadjuvante que vier.


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4th and 1 – Viva pelos três, morra pelos três. Viva sem ter treinador, morra por isso também

Não é segredo para ninguém a minha admiração a alguns atletas. Após o trecho acima, muitos vão me acusar de adorar Tom Brady. Então, para não perder a viagem e poderem me acusar 2 em 1, vamos a LeBron James.

Sua temporada é simplesmente inacreditável. Carregando os Cavs mais do que o Scar fazia com as hienas no Rei Leão – mas igualmente “cercado por idiotas” – quero fazer apenas uma observação. No basquete, existe a famosa frase “viva pelos três pontos, morra pelos três pontos”. Isso se dá quando um time dependente do recurso, num dia ruim que a bola de três não cai, morre no mata-mata – olá. Houston Rockets!

Fato é que LeBron James também está morrendo, nesta temporada, por algo que lhe fez viver. Quem manda no elenco é ele. Quem quis a ausência de comando por um treinador, Tyronn Lue, foi ele. Essa mesma ausência de comando pode matar o time – seja não pedindo tempo na lambança de JR Smith, seja na fraqueza tática-defensiva que o time demonstra. James está carregando cones, é óbvio isso. Mas não é como se não contasse com esse risco. Kyrie Irving foi despachado muito por conta do poder de LBJ, aliás.

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Ah, não teremos outros esportes como costume nesta coluna. Mas era algo que eu queria escrever em algum lugar.

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4 Descidas, Talkback: Jogos para ver na, NFL e as apostas e nossa coluna de volta

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