10 Opiniões: Jon Gruden não bate bem da cabeça, e Jacksonville deveria tentar se aproveitar disso

[dropcap size=big]A[/dropcap] coluna 10 opiniões é a forma de você rapidamente se inteirar sobre os principais assuntos da semana na NFL.

Postada toda quarta-feira com Henrique Bulio, inclusive durante a temporada regular da NFL e uma forma de você rapidamente ficar informado! Confira aqui o índice completo da coluna.


  1. Eu quero que você, leitor, relembre um cenário comigo, pra ter uma boa noção do quão… questionável, digamos, tem sido a nova passagem de Jon Gruden nos Raiders

O dia é 26 de abril de 2018 e estamos na primeira rodada do Draft da NFL. O frenesi causado pela histórica classe de quarterbacks já passou de seu auge, mas a excitação no topo da rodada ainda permanece. Na 15ª escolha geral, agora pertencente ao Oakland Raiders após troca com o Arizona Cardinals, um talento de elite ainda permanece disponível. Parece óbvio que a equipe da costa oeste vai fazer a escolha mais segura ali e adicionar Derwin James ao seu elenco.

Exceto que os Raiders adicionam Kolton Miller, que era um jogador questionável de se adicionar até mesmo no fim da primeira noite. Derwin James é selecionado duas escolhas depois, para o rival Chargers. Falaremos de Miller mais pra frente, mas a questão é: os Raiders deixaram James passar.

A justificativa para isso? Jon Gruden, o treinador, declarou em entrevista recente que queria ter selecionado James, mas que infelizmente tiveram de se contentar com Miller. Segundo Gruden, o fato dos Raiders terem utilizado duas escolhas precoces em safeties nos últimos dois anos afastou Oakland da possibilidade de selecionar o produto de Florida State. Karl Joseph foi a escolha de primeira rodada (#14) da franquia em 2016; Obi Melifonwu, a escolha de segunda em 2017 (#56). Nesse momento, Melifonwu está na injury reserve depois de ter sido dispensado em agosto, e Karl Joseph está no trade block, segundo informações de insiders.

Os Raiders não adicionaram um safety de elite no Draft por já terem gastado escolhas precoces nas últimas duas classes e existe uma chance real de nenhum desses três jogadores não estarem em Oakland num futuro próximo. Gruden está claramente num modo de reconstrução total, e Karl Joseph pode ser uma moeda valiosa de troca; a esse ponto, Melifonwu não tem quase nenhum valor. O time realmente poderia se utilizar de um Derwin James, que tem dominado a liga na primeira metade da temporada em Los Angeles a ponto de ser um dos favoritos ao prêmio de calouro defensivo do ano – o boost na defesa do time seria imenso.

E Kolton Miller? Bom, justiça seja feita. Miller, apesar de ter tido uma partida desastrosa contra os Seahawks no último domingo – muito por conta de uma lesão em seu joelho, diga-se -, tem tido um ano acima das expectativas, e o seu teto de produção é bastante alto. Porém, é de se argumentar se o produto de UCLA foi realmente a melhor escolha a ser feita. Apenas mais uma das milhares de decisões questionáveis de Gruden desde sua volta.

2. Eu acho improvável que isso aconteça – quase impossível, diria. Mas, depois de TANTAS decisões questionáveis de Gruden, eu não vejo porque o time em questão não deveria ao menos ligar para Oakland e descobrir o preço.

Eu acho que os Jaguars deveriam ir atrás de Derek Carr.

A ideia dos Raiders trocarem seu franchise quarterback obviamente parece absurda, assim como trocar Khalil Mack parecia absurda – e veja aonde estamos. E, sim, eu sei que os Jaguars não estão com a melhor situação na folha salarial no próximo ano, mas o contrato de Carr não possui o maior dead cap do mundo e existem vários acordos vigentes em Jacksonville que também poderiam ser encerrados sem grandes complicações.

Não existe absolutamente nada que indique que os Raiders estariam dispostos a realizar tal acordo – lembrem-se que Gruden não pagou Mack com a justificativa de que “um grande contrato já estava em curso”, no caso o do próprio Carr. Entretanto, olhando pelo lado de Jacksonville, a melhora na posição mais importante do jogo seria tão grande que ao menos um cortejo seria válido – e poderia ser a diferença entre perder a final da AFC ou chegar ao Super Bowl.

3. Eu tinha os Vikings como favoritos ao título do Super Bowl nessa temporada e, seis semanas passadas, o time ainda parece longe de seu potencial total. Confesso que, assistindo game film, não conseguia compreender a razão para o time jogar tão abaixo de seu suposto potencial. Até que uma teoria surgiu no Twitter na segunda-feira e parece que a explicação clicou.

Se eu tivesse de apostar minha casa, eu diria que as razões pelas quais os Vikings começaram a temporada num ritmo tão lento são 1) a morte de Tony Sparano logo antes do início da temporada e 2) a situação envolvendo Everson Griffen. O problema de Minnesota não é técnico, é emocional. O desempenho dos jogadores foi afetado por graves situações externas e, num espaço amostral tão pequeno quanto o da temporada da NFL, é de uma ignorância tremenda acreditar que o fator emocional não está pesando no desempenho do time em campo.

4. Uma das figuras importantes (e desconhecida, de certa forma) na coaching staff do Los Angeles Rams atende pelo nome de Jedd Fisch. Com o título oficial de Senior Offensive Consultant, o treinador principal Sean McVay especificou anteriormente que a função de Fisch é a de auxiliar McVay no controle do relógio e dos tempos, fator com o qual o líder dos Rams teve problemas quando head coach calouro, em 2017.

Eu acho que Kyle Shanahan precisa de contratar um assistente para realizar a exata mesma função. O exemplo do Super Bowl LI é muito doloroso para o torcedor dos Falcons, contudo, o acontecido no último Monday Night Football em Green Bay mostram que o treinador não aprendeu a lição de forma devida. É ótimo que Shanahan imprima um estilo agressivo; porém, para controle de relógio, jamais haverá solução melhor do que correr com a bola.

5. Se você quer fazer piada do Chicago Bears por terem perdido um jogo para o Miami Dolphins comandado por Brock Osweiler, tudo bem. Mas não faça isso parecer mais do que é. Os números de Osweiler (28/44, 380 jardas, 3 touchdowns, 2 interceptações) de fato foram bons, mas o que o jogo nos mostrou foi uma quantidade muito grande de jardas conquistadas após a recepção, principalmente por meio de screens.

Por outro lado, os Dolphins são de fato um time capaz de brigar pela AFC East. Com 4-2 até o momento, eu daria o favoritismo dos próximos três jogos (Lions, @Texans, Jets) a Miami, com a possibilidade real de viajar até Green Bay com um record de 7-2. Os golfinhos, apesar de terem sido muito menos do que impressionantes contra New England e Cincinnati, ainda são um time perigoso. Não tire o olho deles.

6. Se eu sou torcedor dos Giants, a minha temporada se transforma numa temporada de reza para que Justin Herbert se declare para o Draft. Herbert é disparadamente o melhor quarterback da classe atual (considerando um cenário onde Dwayne Haskins não se declare elegível, o que é provável) e, além disso, é o único digno de se investir uma escolha de primeira rodada – não se aproxime de mim falando de Will Grier ou Drew Lock.

Os Giants provavelmente terão uma escolha altíssima de primeira rodada e, vamos ser sinceros, Eli Manning está acabado. Além disso, dos times que devem selecionar junto de New York no topo do Draft (Cardinals, Raiders, Bills, Colts, 49ers são algumas das apostas), somente os comandados de Pat Shurmur não tem uma situação de quarterback definida para o longo prazo.

Um ataque com Justin Herbert distribuindo a bola para Odell Beckham Jr., Sterling Shepard, Evan Engram e com Saquon Barkley no backfield? Seria divertidíssimo e eficiente. O game changer da questão é, obviamente, a incerteza quanto a declaração de elegibilidade do produto de Oregon ou não: embora a tendência seja de declaração, existem reports que apontam que o quarterback considera a possibilidade de voltar para a universidade em 2019. A ver.

7. A situação dos quarterbacks em Buffalo continua se superando em termos de bizarrice. Josh Allen se machucou e deve perder algumas semanas. O time não tem mais AJ McCarron, trocado pouco antes do início da temporada e, por padrão, Nathan Peterman seria o titular em condições normais.

Exceto que nada nos Bills ocorre em condições normais. Peterman tem sido tão mal, mas tão mal, que o time anunciou que Derek Anderson será o titular na partida do próximo domingo. Anderson assinou com a equipe há dez dias, tem ainda quase nenhum conhecimento do playbook e mesmo assim existem reports que os jogadores em Buffalo estavam pedindo pela titularidade do veterano, o que diz muito sobre as opiniões relativas a Peterman naquele vestiário. É surpreendente o quanto a comissão técnica da franquia tem problemas e mais problemas para lidar com a posição mais importante do jogo.

8. Eu acho que Nick Bosa está certíssimo na decisão de abandonar o College Football. O irmão mais novo de Joey Bosa declarou ontem que não retornará ao time de Ohio State para focar em sua recuperação completa depois de uma lesão não-tão-grave contra TCU, encerrando assim sua carreira universitária.

Se você critica essa decisão, se lembre que: 1) jogadores da NCAA não são pagos; 2) Ahmmon Richards teve de se aposentar de Miami recentemente por conta de uma grave lesão no pescoço e 3) a NCAA e a NFL pensam prioritariamente no dinheiro sempre, sempre, sempre. Ou seja: Bosa não está errado de fazer o mesmo. Ele certamente será uma escolha de topo de primeira rodada no Draft de 2019 e, mesmo que não seja a atitude mais nobre do mundo largar o time pensando no dinheiro, é a atitude mais correta a se fazer dado o atual estado da organização que comanda o College Football.

9. Todos nós torcemos para Cairo Santos ter sucesso na liga, mas a verdade nua e crua é que ele não é elite. Isso é necessariamente um problema? Claro que não – existe uma razão para que os kickers de elite sejam tão bem reconhecidos como são. Porém, virar os olhos para o fato de que Cairo está desempregado por seu nível é ignorância.

Santos é um kicker extremamente preciso, disso não há dúvidas. Todavia, sua perna não tem potência o suficiente, o que limita a seus times na opção de chutar field goals longos, assim como desfavorecem-nos com relação a posição de campo nos kickoffs. Ele é bom o suficiente para estar num elenco da NFL? Sem dúvida. Ele é bom o suficiente para ser considerado unanimidade na liga? Duvidoso.

10. Sessão semanal de prêmios, semana 6

Melhor jogada da semana: Os Bears assumiram a liderança contra os Dolphins restando pouco mais de três minutos em Miami. Perdendo por 28 a 21 e com a bola na linha de 25 do campo de defesa, os donos da casa iniciaram o drive com um passe de apenas quatro jardas para Albert Wilson no meio do campo; o que torna essa jogada incrível é que, após a recepção, Wilson ativou o modo turbo, ultrapassou toda a defesa de Chicago, quebrou tackles e chegou até a end zone, levando a partida para a prorrogação.

Pior jogada da semana: Também em Miami e já na prorrogação, a vitória dos Dolphins parecia certa quando o time teve a primeira posse e chegou até a linha de uma jarda. Na terceira descida, Kenyan Drake tentou entrar pelo meio, sem sucesso; quando tentou o segundo esforço, Drake sofreu um fumble na goal line, com os Bears recuperando a posse da bola e se mantendo vivos na partida. Entretanto, Chicago erraria o field goal que lhes daria a vitória e os donos da casa garantiriam a vitória na posse seguinte.

Jogada subestimada da semana: Com 5:33 restando no último quarto em Foxborough, New England defrontava uma 3rd and goal na linha de 4 jardas perdendo por 33 a 30. Kansas City, então, tentou uma estratégia de cobertura interessantíssima, utilizando cobertura dupla em três dos alvos de Brady; a solução para o quarterback dos Patriots, que não é conhecido por seu atleticismo e/ou velocidade, foi entrar na end zone correndo com a bola, coisa que quase nunca o vemos fazendo com exceção de sneaks. Os donos da casa venceriam um incrível Sunday Night Football por 43 a 40.

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