A temporada da NFL é uma das mais difíceis de serem previstas. Quem imaginaria que o Arizona Cardinals e o Carolina Panthers seriam campeões da Conferência Nacional em 2008 e 2015 quando sequer eram favoritos para serem campeões de divisão? Ao mesmo passo, há o outro lado da moeda: times para os quais havia muita expectativa do público mas que não mostraram entrega e resultados. São as decepções que todo ano acontecem.
Dado que chegamos na Semana 15, já é possível elencar várias decepções nesta temporada. Elenquei 5 aqui mas, a bem da verdade, poderia colocar mais. Sem mais delongas, vamos a elas.
5- NFC East como um todo
Existe uma probabilidade real do campeão da NFC East ter campanha negativa e nos últimos 10 anos, em 80 possibilidades, isso aconteceu apenas em duas ocasiões. A divisão é quase como um saco de pancadas da NFL e mesmo a AFC East, considerada “baba” pelo público, está batendo na sua contrapartida geográfica da NFC, como mostrado pela vitória do Miami Dolphins sobre o Philadelphia Eagles na Semana 14 e os Patriots, que estão atravessando certos problemas, terem tido 4-0 contra a divisão. Os Bills tiveram 3-1, aliás.
A aparência é que “ninguém quer ganhar” a NFC East. A gente acha que o Dallas Cowboys vai ganhar porque acabou de ver o Philadelphia Eagles perder. Aí Dallas toma uma pancada na quinta-feira e acha que os Eagles vão ganhar. E assim temos um ciclo sem fim. Se os Redskins e os Giants tivessem ganho na Semana 14, teríamos tido a possibilidade dos quatro times da NFC East terminarem com campanha 6-10. Sendo sincero, seria justo.
Nos dois times que dá para levar mais a sério nessa divisão, há problemas para todos os lados. Nos Eagles, lesões atrapalharam mas não deveriam ser justificativa para um nível técnico tão baixo que vem sendo apresentado. É verdade que a ausência de DeSean Jackson tira uma verticalidade necessária dessa unidade ofensiva, mas o declínio de Carson Wentz é preocupante. Com drops a rodo de seus recebedores ou não, não dá para passar pano para isso.
No lado de Dallas, Jason Garrett é uma grande samambaia batedora de palmas na sideline. Você não o vê falando com nenhum jogador, não o vê passando instruções para outros membros da comissão técnica e ele tampouco chama as jogadas ofensivas ou defensivas. O “nó tático” sofrido por Garrett virou constante e é um tremendo absurdo ver um elenco talentoso como o de Dallas tendo campanha negativa e nenhuma vitória contra times acima dos 50% de aproveitamento. Pare e pense comigo: qual seria a campanha desse time se ele tivesse Mike Tomlin de head coach? Pois é.
4- Ataque dos Rams
Bom, neste golpe eu não caí. Com perdas na linha ofensiva, os Rams tiveram efetividade diminuta no ataque e Jared Goff foi mais exposto do que nunca. Escrevi um longo texto sobre o assunto e e você pode lê-lo aqui. Houve melhora nos dois últimos jogos – sobretudo com maior carga de toques de Todd Gurley, mas a situação no todo da temporada ainda pode ser considerada decepção. Abaixo, um excerto desse texto que disse:
“Ainda preocupa. Jared Goff constantemente está sofrendo pressões pelo meio da linha, o jogo terrestre/play action perdeu eficiência e, para piorar, Goff está com 10 fumbles em 12 jogos. Sem contar as interceptações, portanto, a média está quase em uma perda de bola/jogo. Contando as interceptações, a crise se agrava: 22 turnovers em 12 jogos – quase dois por partida, portanto. Não dá para ser competitivo assim.
No ano passado, os Bears e os Patriots mostraram o caminho das pedras para destruir a força esquemática de Los Angeles: colocar 6 homens na linha, neutralizar Gurley (a injeção eletrônica) e forçar Goff a entrar em pânico. Com fita desses jogos para se inspirar, as defesas adversárias estão achando ainda mais problemas no sistema ofensivo de LA”.

3- Ataque dos Patriots
O New England Patriots está enfrentando uma tempestade perfeita para debilitar um ataque que, no ano passado, embora não tenha sido vistoso havia sido eficiente. Foi o primeiro em jardas/tentativa no play action, por exemplo, numa NFL que foi tomada de assalto pelo Los Angeles Rams e pelo Kansas City Chiefs nesse tipo de jogada – e ambos eram muito mais falados nesse quesito do que New England.
O center David Andrews não jogou neste ano por estar com coágulo no pulmão. James Develin, fullback de extrema importância na temporada passada, também está machucado. Para completar o baque ao jogo terrestre, Rob Gronkowski aposentou. Eu sei que sua importância no jogo aéreo é o que ficou marcado na memória do torcedor, mas fato que ele era de suma importância no jogo terrestre – conforme ficou evidenciado na pós-temporada, em especial contra o Los Angeles Chargers e o Kansas City Chiefs. O declínio de produção terrestre sem essas três peças é notório. New England é o 29º da NFL em jardas por carregada, com 3.54.
Como efeito, Tom Brady está mais exposto do que nunca e os 42 anos parecem pesar. É óbvio que mesmo diante de tudo isso o time ainda pode chegar ao Super Bowl – dado que tem 86% de chance matemática de folga na primeira rodada dos playoffs – mas a situação não é nem de perto a imaginada pelo público antes do ano começar. Falei mais sobre aqui;
2- Los Angeles Chargers
Aqui, creio que o texto recém-escrito pelo Roberto aqui no site seja bastante elucidativo. De toda forma, considerada a expectativa de que o time brigaria pela Conferência Americana e pela AFC West e a eliminação matemática após a Semana 14, é impossível não colocar a equipe como decepção. É verdade que houve lesões, como Derwin James. Mas a queda de produção de Philip Rivers foi absurda nesta temporada – ele teve interceptações dignas de um calouro. Como um todo, os Chargers são uma gigantesca decepção nesta temporada. Ao menos pelo Wild Card da AFC deveriam brigar, porque têm talento para isso no elenco.
1- Cleveland Browns e Baker Mayfield
Após um início conturbado num jogo cheio de faltas e derrota ante o Tennessee Titans, a fumaça era visível de longe. Hoje, podemos ver que há um tremendo incêndio em Cleveland e é a metade d moeda que o torcedor não queria imaginar. Os Browns entraram a temporada como favoritos para vencer a AFC North nas casas de apostas de Las Vegas. Hoje, brigam pelo Wild Card mas a verdade é que respiram por aparelhos. A vitória sofrida contra o péssimo Cincinnati Bengals, em jogo que Baker Mayfield teve menos de 200 jardas e duas interceptações, ilustra isso.
O técnico, Freddie Kitchens, demonstrou uma tremenda teimosia ou desconhecimento tático nas primeiras semanas. Mesmo sabendo que as pontas da linha ofensiva eram fracas, chamou jogadas verticais com frequência – o que beira o absurdo quando se tem máquinas de jardas após a recepção em Jarvis Landry e Odell Beckham Jr. Este, aliás, dá indícios de descontentamento e reza o rumor que ele está “pedindo para outros treinadores lhe salvarem (via troca em 2020)”.
Ressaca de Baker Mayfield
2018 2019
Yds/ATT 7.54 7.21
TD 24 15
INT 11 16
Rating 95.1 77.6>> 13 jogos como espaço amostral nos dois anos
— Antony Curti (@CurtiAntony) December 10, 2019
Por fim, Baker Mayfield vive uma ressaca de segundanista, conforme demonstrado pelo meu tweet acima. Sabendo que o time era um dos maiores bondes antes da temporada começar e que há talento no elenco, os Browns deram uma aula de como não se portar numa temporada. Basicamente, são como urânio: o potencial para energia ou para destruição dependia de quem lhe manejasse. Baker e Kitchens transformaram Cleveland em Chernobyl.






