5 vitórias seguidas e depois 4 derrotas: o que acontece com o Minnesota Vikings?

Um time jovem, alguns jovens talentos promissores provenientes de bons drafts nos últimos anos, um quarterback em ascensão, um running back que futuramente estará no Hall da Fama e uma defesa que prometia. Mais do que isso, uma boa temporada em 2015, com 11 vitórias e o título da NFC North, com uma queda no Wild Card Round contra o Seattle Seahawks. Esse era o cenário em Minnesota antes da temporada da NFL começar. Mike Zimmer e seus comandados eram tidos como uma das forças da NFC para eventualmente brigar por um lugar no Super Bowl. Contudo, antes do início da temporada as coisas começaram a se complicar; Teddy Brigdewater rompeu um ligamento do joelho e não jogaria em 2016. A solução foi buscar uma grande troca para trazer Sam Bradford do Philadelphia Eagles para o posto de quarterback titular.

De início, parecia que as coisas de fato embalariam; vitórias fora de casa contra Titans e Panthers, em casa contra o rival Packers. Contra os dois últimos, Bradford foi o titular, e conseguiu conduzir muito bem o ataque. Eram as credenciais necessárias para os Vikings aparecerem entre as principais forças do país e o quarterback mostrar que poderia sim ir longe. Nesse meio tempo, entretanto, uma péssima notícia: Adrian Peterson rompera o menisco e só deve voltar em 2017. A vitória contra Carolina mais as duas vitórias nas rodadas seguintes – contra Giants e Texans – já até faziam o torcedor pensar que Peterson não faria tanta falta.

A queda

Invicto até a semana 5, os Vikings eram uma das equipes a serem batidas para a temporada de 2016. Após uma bye-week, as apostas tendiam totalmente a favor da equipe na partida contra o Philadelphia Eagles; então as coisas começaram a desandar. A secundária dos Eagles conseguiu segurar Bradford, que lançou sua primeira interceptação na temporada e teve apenas 58.5% de seus passes completados – até então tinha uma excelente média acima de 70%. Se por um lado a defesa adversária se provou como uma das grandes unidades da liga, um sinal amarelo acendeu para Mike Zimmer; o ataque não conseguira produzir o mesmo que nos jogos anteriores.

A partida da semana seguinte parecia ser o cenário ideal para a redenção: contra um rival de divisão que vinha de 1 vitória e 5 derrotas (Chicago Bears), num Monday Night Football. Só que Jay Cutler resolveu jogar bem – como costumeiramente o faz em jogos a noite quando a água tá batendo na bunda, mais uma derrota para os Vikings e uma interrogação gigante. A partir daí, outras duas derrotas (Detroit e Washington) em atuações fracas os colocam na segunda posição da divisão, justamente atrás dos Lions.

E onde está o problema?

Se o time não está vencendo, pensaria em analisar primeiro o que acontece defensivamente. Ao olharmos os números, pode-se concluir que a unidade ainda mostra força, apesar da queda na últimas quatro partidas em relação às primeiras cinco: 22.5 nestas, contra apenas 12.6 naquelas. Uma possível justificativa seria algumas importantes lesões, como dos defensive tackles Shariff Floyd e Linval Joseph. De qualquer forma, a unidade atualmente lidera a NFL em pontos cedidos (16.9 por jogo). Em adição, é a terceira que menos cede jardas por partida (303), quarta em jardas por tentativa (4.94) e quarta que menos permite passes completos (58.5%).

Quando se tratando de turnovers, também se destaca – quarta em interceptações e turnovers forçados, sendo a segunda equipe com maior diferença entre turnovers forçados e cedidos. Só que a performance nos primeiros jogos não pode ser tomada totalmente como parâmetro; ceder 12.6 pontos por jogo é um número quase que surreal. A última defesa a ter média abaixo disso foi dos Buccaneers em 2002, mas na época anotava-se menos pontos de modo geral (os Broncos ano passado cederam 18.5 pontos por jogo, enquanto os Seahawks de 2013 foram 14.4, por exemplo).

Falando do ataque, a diferença entre as partidas vencidas e perdidas é simplesmente gritante; 23.8 pontos anotados nas vitórias, 14 nas derrotas, sendo que nas quatro derrotas foram menos de 20 pontos, algo que só aconteceu na vitória contra os Packers (17 x 14). Apesar disso, o desempenho de Sam Bradford não caiu de maneira proporcional (com exceção à partida na Philadelphia). Nos últimos três jogos são 72.6% de passes completos, 4 touchdowns e apenas 1 interceptação; ou seja, o signal-caller protege a bola e consegue passar.

Um fator importante que explica parcialmente a abrupta queda é que algumas das vitórias do time foram tidas como grandes feitos no início da temporada, mas acabaram se provando conquistas sobre times que não eram tão fortes como se pensava – como Packers e Panthers, por exemplo. Já Giants e Texans mostraram uma grande incapacidade em mover as correntes e conquistar pontos (os primeiros ainda mostraram melhora nas duas últimas semanas). Ou seja, as vitórias talvez tivessem ocorrido sobre times que não estavam no nível que se imaginava.

Analisando mais profundamente o aspecto ofensivo, alguns outros pontos devem ser relevado: a começar pela ausência de Adrian Peterson. Há quem diga que o time não sofreu tanto assim com sua ausência, já que o mesmo foi bastante discreto enquanto esteve em campo. Entretanto, do ponto de vista tático faz uma enorme diferença a presença de um jogador tão explosivo e perigoso como o veterano running back. Certamente isso causa um alívio nas defesas adversárias, que pode atuar de maneira mais focada em defender o passe. Até aqui, os substitutos Matt Asiata e Jerick McKinnon pouco fizeram para ajudar o ataque – somados, tem 481 jardas e média de 3 por tentativa, sendo que cada um teve apenas uma corrida de mais de 20 jardas. A média de 69.8 jardas corridas por partida coloca Minnesota como o pior ataque terrestre da NFL; apenas 21.8% das jardas conquistadas vem por meio de corridas.


“RODAPE"

Ademais, digamos que Bradford nunca se mostrou um quarterback que carrega o time nas costas. Nos últimos quatro confrontos foram mais de 37 passes lançados (média de 39.5); nos primeiros jogos nunca lançou mais que 36, com média de 31.25. Enfim, ele vem se mostrando um bom game manager – vem completando a maioria dos passes e protegendo muito bem a bola -, mas não se pode acreditar que ele vai conduzir o time a vitórias como outros grandes nomes. Sem um jogo terrestre que ao menos ajude a controlar o relógio – algo que o time fez muito bem em alguma de suas vitórias – a defesa se cansa mais e os ataque adversários tem mais oportunidades de pontuar.

Enfim, não se pode afirmar que os Vikings são um cavalo paraguaio, já que os adversários das primeiras rodadas acabaram se provando mais fracos do que se imaginava. Todavia, é nítida a dificuldade do time em conseguir anotar pontos. Depender totalmente dos lançamentos de Sam Bradford não é a melhor receita para se conseguir ir longe na temporada. Caso Adrian Peterson estivesse saudável (e jogando o que sabe), certamente as chances desse texto existir seriam consideravelmente pequenas. A não ser que a defesa se reinvente na segunda metade da temporada e seja completamente dominante, é difícil imaginar que Minnesota repita as 11 vitórias da temporada passada.

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