Em algum momento dessa temporada, a disputa entre Patrick Mahomes e Drew Brees pelo prêmio de melhor jogador do ano foi uma discussão digna de méritos, afinal, presenciamos na primeira metade de 2018 uma explosão ofensiva que atingiu patamares históricos, catapultada pela ascensão de jovens – e brilhantes – mentes ofensivas mixadas com treinadores que historicamente sempre tiveram em seus times alguns dos ataques mais poderosos da liga ano sim, ano também.
Entretanto, é difícil imaginar um cenário no qual não se aponte Patrick Mahomes como o Most Valuable Player da temporada – a tradução literal aponta algo como “jogador mais valioso”, porém, o prêmio de MVP é dado ao melhor jogador do ano -, especialmente se notarmos a queda de nível dos outros postulantes ao prêmio na segunda metade. Que se registre: Mahomes prevaleceu na votação da equipe do Pro Football, mas não de forma unânime, já que Khalil Mack (Felipe) e Philip Rivers (João Henrique) também receberam votos.
Mahomes redefiniu a forma pela qual analisamos quarterbacks
Os Chiefs apostaram alto no passador saído de Texas Tech mesmo tendo em Alex Smith um quarterback bastante estável no elenco. O time sabia que, apesar de eficiente, Smith não era capaz de dar um ou dois mais passos necessários para que Kansas City pudesse vencer seu primeiro Super Bowl em quase 50 anos. Mahomes, provindo de um sistema ofensivo pouco comum na NFL, certamente não estava preparado para assumir a titularidade instantaneamente, mas a organização atrelou seu futuro ao potencial que ali estava para ser lapidado.
Então, veio o excelente 2017 de Alex Smith, a melhor temporada de sua carreira; após o fim da temporada, os Chiefs decidiram trocar-no para Washington e atrelar oficialmente o futuro da franquia a Mahomes. A decisão de mudar de forma tão brusca de um jogador com eficiência provada para um segundanista que ainda era uma grande incerteza encontrou bastante ceticismo, todavia, era uma aposta válida se considerada a excelente coaching staff que estava a trabalhar junto de Mahomes, lapidando-o.
Finalmente, chegamos as duas primeiras semanas da temporada.
Dois confrontos longe de Kansas City, dois adversários fortíssimos, duas atuações magistrais, dez touchdowns e nenhuma interceptação. Era impossível não se impressionar com o que aconteceu no primeiro quarto da temporada, aonde Mahomes – e o ataque dos Chiefs como um todo, capitaneado pelo ótimo Andy Reid – parecia imparável. Mais do que isso, ele fazia jogadas incríveis de forma pouco convencional, o que chamava muito a atenção.
Quando pensamos nos melhores quarterbacks da NFL, naturalmente nos vem a cabeça uma característica que se destaca em seu jogo e que lhe coloca no topo. Tom Brady, por exemplo, sempre tem uma vantagem psicológica sobre seu adversário, e pode dissecar toda e qualquer defesa; o release rápido e a precisão ímpar de Drew Brees levaram muitas alegrias aos torcedores dos Saints na última década; e o que dizer de Aaron Rodgers, o melhor passador natural da história não-chamado Dan Marino? Se estamos vivendo numa época em que o jogo aéreo é o ponto focal da imensa maioria dos ataques, passadores de qualidade certamente possuem uma mão nisso.
A beleza do jogo de Patrick Mahomes ia na direção contrária. Toda semana, alguma espécie de highlight acontecia e virava febre no Twitter – seus passes lançando contra o movimento do corpo, seus lançamentos longos e precisos mesmo saindo do pocket e com um trabalho de pernas não-convencional, ou até o infame passe sem olhar em direção ao alvo contra o Baltimore Ravens.
Em 2018, o Kansas City Chiefs terminou a temporada regular com 12 vitórias e a home field advantage ao longo de toda a pós-temporada da AFC. Mahomes venceu a votação da equipe por ter sido o melhor jogador da NFL no ano em questão, porém, se o prêmio fosse levado ao pé da letra, ele também teria meu voto: a defesa dos Chiefs é pavorosa, e o time só teve um alto número de vitórias pois o ataque produziu em números irreais – como esquecer do Monday Night Football da semana 11, quando os Rams triunfaram por 54 a 51? Não a toa, agora eliminados, a organização demitiu o coordenador defensivo Bob Sutton.
A razão que me fez votar em Patrick Mahomes para MVP foi sua consistência ao longo de toda a temporada regular, coisa que não vimos acontecer com Drew Brees ao longo da segunda metade. Houve, claro, uma regressão à média, contudo, esta foi irrelevante se levarmos em consideração a queda de nível de outros candidatos a MVP – Drew Brees, Jared Goff, etc. – ao passo que nos aproximamos dos playoffs.
Eu votei em Patrick Mahomes, também, porque ele foi o jogador que mais me impressionou em campo e que me fez ter vontade de assistir um time que nem ao menos é o meu. 50 touchdowns, 12 interceptações, 5097 jardas em apenas seu primeiro ano como titular são a epítome de que a aposta que a franquia realizou em 2017 foi bastante acertada.
Eu votei em Patrick Mahomes porque eu não tenho dúvida alguma de que ele foi o melhor jogador da NFL na temporada 2018.






