Como os Patriots construíram o elenco do Super Bowl LIII

Diferente dos Rams, elenco conta com poucas superestrelas e foi "formado" nas últimas rodadas do Draft

Se no Los Angeles Rams o mérito merece ser igualmente dividido entre os trabalhos de Sean McVay e Les Snead, a situação no New England Patriots é um pouco diferente. Além de treinador, Bill Belichick acumula a função de general manager e tem a palavra final em todas as decisões com relação ao elenco da equipe – não é surpreendente perceber que ele dispõe de tanto poder após uma estadia de tamanho sucesso em New England.

Algumas dessas decisões possuem reflexos não tão producentes. Por exemplo, as trocas de Chandler Jones e Jamie Collins em temporadas anteriores deixaram escancarados alguns buracos no pass rush e no grupo de linebackers da equipe, dois fatores que fizeram falta em alguns momentos desde 2016. Belichick possui um histórico extenso de trocar alguns de seus grandes jogadores pelos mais diversos motivos – Richard Seymour em 2009, por exemplo, é um ótimo exemplo de superestrela que o comandante em New England não teve problema em cortar laços.

É claro que Belichick não é incriticável, mas ele obviamente tem o benefício da dúvida em todas suas decisões com relação ao elenco dos Patriots dado seu histórico que mais do que lhe qualifica para a discussão de melhor técnico da história da liga. Assim como fizemos com o Los Angeles Rams, no texto de hoje faremos uma recapitulação de alguns dos movimentos mais importantes que moldaram o elenco de New England que estará disputando o Super Bowl no próximo domingo.

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Você já deve ter ouvido falar de um tal quarterback em New England. Se em Los Angeles os Rams selecionaram o líder da franquia com a primeira escolha geral no Draft de 2016, os Patriots possuem Tom Brady em seu elenco desde o ano de 2000 (!), com o maior ídolo da franquia e maior jogador da história da liga tendo sido escolhido apenas na sexta rodada daquele Draft.

O ataque dos Patriots, inclusive, é formado majoritariamente por jogadores que somente foram escolhidos nas rodadas finais do Draft. Julian Edelman (sétima rodada, 2009), Chris Hogan (não-draftado, 2011), James White (quarta rodada, 2014), Rex Burkhead (sexta rodada, 2013) são alguns desses exemplos. É claro que existem alguns skill players que foram selecionados mais cedo e que também possuem extrema importância, como é o caso de Rob Gronkowski (segunda rodada, 2010), Sony Michel (primeira rodada, 2018) e Cordarrelle Patterson (primeira rodada, 2013), no entanto, New England tem achado bastante valor em rodadas em que a imensa maioria das outras franquias não conseguem ser produtivas.

Até mesmo na linha ofensiva essa tendência se repete. Por exemplo, o time investiu uma escolha de primeira rodada em Isaiah Wynn no último Draft, todavia, ele se machucou com gravidade e não atuou nessa temporada. Dessa forma, dos cinco titulares do excelente grupo que se formou em 2018, apenas Joe Thuney (terceira rodada, 2016) foi draftado antes do último dia de escolhas. É um grupo com bastante rotatividade nos anos recentes, inclusive, já que nenhum dos titulares do Super Bowl XLIX, da temporada 2014, está atualmente no elenco, e ainda assim a qualidade é alta.

Voltando ao assunto Tom Brady, o veterano notoriamente tem valores anuais mais baixos em seus contratos de modo que a equipe possa reforçar melhor outras posições do elenco. São poucos os jogadores nos Patriots que recebem contratos que estão dentre as maiores marcas de suas respectivas posições, mas eles existem: Stephon Gilmore, Rob Gronkowski e Devin McCourty são alguns desses raros exemplos, e não é absurda a ideia de trocar algumas estrelas do elenco de modo a não pagar uma renovação contratual que certamente seria cara: essa é a causa pela qual New England trocou Chandler Jones para Arizona em 2016, mesmo com o pass rusher vindo do melhor ano de sua carreira numa posição bastante valorizada no futebol americano.

Uma outra tendência interessante de como Bill Belichick molda seus elencos é a troca de escolhas de baixo valor por jogadores que não corresponderam as expectativas em seus antigos times, e isso costuma dar resultado. Como exemplo, o time trocou uma escolha de sexta rodada para o Detroit Lions em 2017 pelo linebacker Kyle Van Noy e uma escolha de sétima rodada – e Van Noy se tornou um membro valioso no meio da defesa de New England depois de três anos decepcionantes em Detroit.

Danny Shelton, antiga escolha de primeira rodada do Cleveland Browns, e Philip Dorsett, antiga escolha de primeira rodada do Indianapolis Colts, são outros desses exemplos, ainda que com sucesso moderado. Contudo, nenhum jogador exemplifica essa tendência de modo mais efetivo do que Josh Gordon, a estrela problemática do Cleveland Browns a quem os Patriots adquiriram por uma simples escolha de quinta rodada. Gordon, que agora está afastado da equipe (e suspenso indefinitivamente pela liga), vinha sendo o recebedor mais prolífico e o alvo favorito de Tom Brady até a época de seu afastamento, num momento no qual New England tinha problemas com seu grupo de recebedores.

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Quando alguém diz que o elenco de New England está envelhecendo e que a janela da dupla Tom Brady e Bill Belichick está se aproximando do final, isso não é um exagero ou algo feito para atrair mídia. Afinal, não é só o quarterback que está se aproximando da aposentadoria: alguns relatos já citam o nome de Devin McCourty, que está com a franquia desde 2010, como um possível alvo a pendurar as chuteiras ao fim da temporada; e as especulações sobre Rob Gronkowski ganham cada vez mais força à medida que o tempo avança, e não seria surpresa alguma se o Super Bowl LIII fosse o último jogo de sua carreira: selecionado pelos Patriots também em 2010, o tight end está em claro declínio físico. Julian Edelman, draftado em 2009, não parece um candidato a largar o esporte, mas com 32 anos já não é nenhum garoto.

Mesmo com um elenco relativamente velho, é incrível o quão produtivo os Patriots são ano sim, ano também. Em todo final de temporada regular, o braço de Tom Brady notoriamente perde um pouco da força, mas o descanso recebido na costumeira folga na semana do wild card ameniza o problema na pós-temporada. Gronkowski esteve longe de seu melhor em 2018, porém, ele ainda permanece como uma grande ameaça quando em campo.

Quando New England adentrar o campo no domingo para defrontar Los Angeles no Super Bowl LIII, veremos dois estilos de montagens de elenco que não se assemelham. Se os Patriots possuem em seu núcleo jogadores que já estão com a equipe há bastante tempo e que produzem bem dentro do sistema do time – Brady, Edelman, Gronkowski, McCourty etc -, os Rams rechearam seu vestiário de forma maciça com superestrelas para melhor capitalizar no contrato de calouro de Jared Goff – Aqib Talib, Ndamukong Suh e Brandin Cooks são alguns desses exemplos.

O Super Bowl LIII acontece no próximo domingo, 03 de fevereiro, as 21h30 do horário de Brasília, com transmissão da ESPN. Na Odds Shark, os Patriots são favoritos por 2,5 pontos.

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