Desde que as equipes da NFL começaram a perceber que Ozzie Newsome/Baltimore capitalizava – muito – em escolhas compensatórias no Draft, começaram a levá-las mais a sério. A quem não está acostumado com o termo, são escolhas extras que a NFL dá para equipes que perderam free agents de peso e que não se reforçaram na mesma medida durante uma dada free agency.
Essas escolhas começam a partir do final da terceira rodada e podem gerar muitos frutos para as franquias. O grande exemplo – que é completamente fora da curva, mas ainda assim um exemplo – é Tom Brady, na escolha #199 do Draft de 2000: uma escolha compensatória de New England.
Nos anos anteriores, alguns bons jogadores vieram nessas escolhas. O recebedor Marquez Valdes-Scantling (Green Bay, 5ª rodada, 2018), o RB James Conner (Pittsburgh, 3ª rodada, 2017) e o QB Dak Prescott (Dallas, 4ª rodada, 2016) são bons exemplos.
Embora a fórmula de como a NFL dá essas escolhas não seja sabida do público, há algo que é sabido e notório: contratações de free agents a partir de maio não entram na equação do “não se reforçaram na mesma medida”. Assim, depois do Draft, ainda há alguns movimentos que agitam o mercado e que merecem certa consideração.
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O Henrique Bulio já tinha escrito sobre esta segunda leva que, a meu ver, encerra-se hoje com os números oficiais do contrato de Ndamukong Suh com o Tampa Bay Buccaneers. Por mais que ele chegue para substituir Gerald McCoy e este agora está no mercado, o grosso dos nomes mais badalados da segunda leva já tem casa nova. É o que vamos falar aqui.
Ziggy Ansah nos Seahawks
O Seattle Seahawks fez um movimento um tanto quanto ousado na primeira rodada do Draft ao escolher o EDGE L.J. Collier – ranqueado em #137 no board do OnTheClock. Após a troca de Frank Clark, era mais do que natural que a equipe buscasse reforços na posição e, além da aposta em Collier, o time contratou o EDGE Ziggy Ansah na segunda leva.
Outrora escolha de primeira rodada pelo Detroit Lions, Ziggy Ansah é a personificação da inconsistência quando falamos em um pass rusher. O atleticismo está lá, mas a produção muitas vezes não está. Os Lions acertaram em “não pagar” para ver no ano passado: colocaram a tag e Ansah jogou apenas sete jogos, limitado por problemas no ombro.
Veja a inconsistência: em 2018, teve 4 sacks. 2017: 12. 2016: 2 sacks. 2015: 14,5. É difícil apostar num jogador que oscila mais que meu horóscopo. De toda forma, é uma aposta plenamente justificável de Seattle: o contrato é de apenas um ano e 9 milhões de dólares. Se Ansah repetir números que já teve na carreira – de duplo dígito de sacks – seria uma barganha. Se não o fizer ou se machucar, não há tanto prejuízo, o valor é inferior a 5% do teto salarial.
Jamie Collins volta a Foxboro
O New England Patriots é uma das equipes que mais se beneficia do modelo de escolhas compensatórias – principalmente ao não renovar a peso de ouro com peças defensivas. Em não o fazendo e tampouco gastando rios de dinheiro na free agency, recebem escolhas no Draft um ano depois. Você pode ter certeza que ao não renovar com Trey Flowers o time terá uma escolha compensatória no final da terceira rodada de 2020.
Como o prazo para que as contratações contassem na fórmula passou, Belichick se aproveitou e trouxe de volta um antigo conhecido da torcida de New England: Jamie Collins, EDGE que estava no time até três anos atrás. Collins estava pedindo dinheiro demais em 2016 e Bill Belichick trocou-o para o Cleveland Browns. Os Patriots receberam uma escolha de terceira rodada em troca.
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Nos Browns, não fez muita coisa, tendo apenas quatro sacks na temporada passada e perdendo jogos por lesão em 2017. Com a nova defesa que o time montou, ficou como carta fora do baralho. Assim, Belichick se aproveitou para fazer mais uma de suas apostas com baixo risco e potencial alta recompensa. Ainda não há valores públicos, mas sabe-se que o contrato é de apenas um ano.
A aposta em Tampa: Ndamukong Suh
O Spotrac apontava na época da free agency que o valor de mercado de Ndamukong Suh geraria um acordo de 3 anos e 45 milhões de dólares – uma média anual superior aos 14 milhões que ele recebeu do Los Angeles Rams em 2018. Suh não é a mesma força destrutiva de outrora, porém, ainda é um jogador com potencial de jogar bem, e aos 32 anos, a dúvida é se ele está interessado em acumular mais dinheiro em sua conta ou brigar por um anel.
Ao assinar com o Los Angeles Rams em 2018, Suh declarou que “recusou ofertas maiores para poder estar em Los Angeles” – haveria de se interpretar que 2019 será um ano semelhante no modo de pensar. Não foi o caso e nem temos como culpá-lo, dado que o mercado foi bem mais minguado do que ele esperava.
Outrora segunda escolha geral do Draft, Suh vai para seu terceiro time em três anos e há poucas chances do Tampa Bay Buccaneers ser uma força na temporada 2019. A equipe joga na disputada NFC South e há questionamentos sobre a capacidade de Jameis Winston ser o quarterback que levará o time à pós-temporada. Suh teve 4,5 sacks nos dois últimos anos: somados, isso é menos que os 10 que teve em seu ano de calouro. Ainda, no ano passado, teve apenas 4 tackles para perda de jardas – pior marca de sua carreira. Considerando que jogou do lado de Aaron Donald e este demandaria mais atenção, os números foram bem aquém do que esperávamos.
Resta saber se em Tampa Bay conseguirá produzir. O contrato é mais um “prove-se”: um ano e 9,25 milhões. Considerando que Ansah assinou por valor semelhante e tem teto superior, ficou caro ao pensarmos em quão minguado foi o mercado para ele. De toda forma, não é uma contratação que muda a imagem do time ante a liga ou o faz favorito na disputada NFC South – no momento em qualquer site de apostas brasileiro o time figura como provável lanterna da divisão.

***
Ainda há nomes conhecidos do público na free agency, como o CB Morris Claiborne, o RB Jay Ajayi e outros tantos. Contudo, é certo dizer que esta segunda leva – que não afeta as escolhas compensatórias – teve seu final com os três defensores que falamos acima assinando contrato. Ainda há Gerald McCoy, mas tudo indica que ele deve assinar com Cleveland.
Sem ele, sobra poucos nomes interessantes para que as equipes se reforcem rumo a 2019. Para se ter ideia, no ataque, temos o TE Jermaine Gresham (após terrível passagem em Arizona), o WR Michael Crabtree e o WR Mike Wallace. A maior parte dos ainda disponíveis são jogadores de rotação/fundo de elenco.
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