É HORA DOS BEARS ABORTAREM A OPERAÇÃO TRUBISKY

A gota d´água veio na partida de ontem - 54 passes por Mitchell Trubisky, um plano de jogo kamikaze com um "quarterback" de seu nível. A defesa parece estar jogando a toalha. Algo precisa ser feito.

Tudo na vida tem que ser feito com consciência. Passar a bola 54 vezes com Mitchell Trubisky beira a negligência, a incompetência e a irresponsabilidade. Matt Nagy chegou a Chicago com pompas de mais um nome que veio como fruto da árvore de treinadores de Andy Reid – que conta com nomes como Doug Pederson e John Harbaugh, só para citar dois deles. O grande problema – que está mais evidente do que nunca – é que, aparte de um trecho final da temporada 2017, Nagy nunca chamou o ataque de Kansas City. Ele sempre foi de Andy Reid, de um jeito ou de outro.

Meses depois de uma derrota pavorosa dos Chiefs contra os Titans – na qual o ataque foi chamado por Nagy – ele foi para o Chicago Bears e herdou Mitchell Trubisky. Herança maldita, para não dizer outra coisa. Após mandar a comissão técnica de John Fox para rua, descontando Vic Fangio, o ex-coordenador ofensivo dos Chiefs recebeu a missão de ganhar a Fórmula 1 com um fusca. O problema, como evidenciado pela quantidade surreal de passes por um quarterback inepto, é que ele não pareceu perceber isso. Tarik Cohen, um running back teve 19 jardas recebidas em 9 passes. Não me parece bom. E, em resumo, é a essência do ataque do Chicago Bears neste momento.

Algumas estatísticas do jogo de ontem deixam em evidência o quão ruim as coisas estão. Talvez tão ruins como em 2014, quando o então técnico, Marc Trestman, colocou Jimmy Clausen no lugar de Jay Cutler porque o ataque precisava de uma faísca. Os Bears tiveram menos de 300 jardas em todos os jogos nesta temporada – pior marca da franquia desde 1975. O ataque terrestre, que até teve lampejos de sucesso no ano passado, teve 17 jardas – segundo jogo seguido com menos de 50 jardas corridas. O primeiro touchdown ofensivo do time foi faltando dois minutos para o final do jogo.

Ontem, como em várias outras partidas, ficou claro que não dá mais. É perceptível na própria aura do time. Mãos na cintura, menos vontade na defesa. Não quero mergulhar muito nisso porque é uma questão subjetiva, mas a linguagem corporal dos jogadores dos Bears, especialmente na defesa, denunciam que o limite chegou. Os próprios recebedores, em seu semblante, também denunciam que estão de saco cheio – especialmente quando Trubisky erra o alvo por quilômetros.

E agora? Bom, em resumo, a tendência é que o barco siga e naufrague. Numa NFC North que se apresenta como a divisão mais competitiva da NFL e com a própria Conferência Nacional estando abarrotada de bons times, com a defesa dos Bears jogando a toalha e sem intensidade, como achar que as coisas vão melhorar? Spoiler: não vão.

Então, em meio a isso tudo: por que não fazer como os Rams? A gente vê trocas com cada vez mais frequência na NFL e muitas delas envolvendo pro bowlers. Não estou dizendo que os Bears poderiam trocar por um QB que foi ao Pro Bowl (até porque, inacreditavelmente, Mitchell Trubisky foi para ele ano passado). Mas há opções. Marcus Mariota, Andy Dalton – em ambos os casos haveria possibilidade de uma troca por escolhas condicionais. 5ª rodada. Se os Bears chegarem à final da NFC, vira uma 3ª rodada. Sei lá, ALGO! É nítido no vestiário dos Rams como a chegada de Jalen Ramsey energizou o time. Uma troca assim poderia salvar a temporada de Chicago, energizar a defesa. Levar esse time a algum lugar.

Ainda, como Michael Lombardi sugeriu, uma outra possibilidade seria Nick Foles – que volta lá para a 12ª semana da IR. Ainda haveria tempo disponível para ao menos brigar por algo. Brigar para que essa defesa chegue a algum lugar. Às vezes, é como se você estivesse chegando no cruzamento e o sinal de repente fica amarelo. Você freia ou acelera? Se os Bears frearem, capaz que alguém acabe batendo neles. Se acelerarem e trocarem por um QB, quem sabe cheguem em seu destino.

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