Curti: É HORA DE RESPEITO A BRISSETT

Mais de 300 jardas. Primeiro jogo na carreira com quatro passes para touchdowns. Batalhando pela coroa provisória da AFC South, o camisa 7 trabalhou com postura, calma e inspirou

Duas semanas antes da temporada começar, vaias no Lucas Oil Stadium. Adam Schefter tinha reportado que Andrew Luck decidira se aposentar. A torcida, com seus celulares no bolso, soube do fato enquanto Luck deixava o campo rumo ao vestiário do estádio em sua última aparição como um colt. Alguns vaiaram, outros aplaudiram. Para todos, o sentimento agridoce era o mesmo: a temporada foi para o espaço.

Não existe posição mais importante nos esportes americanos do que a de quarterback. Talvez o goleiro no hockey, mas mesmo assim: não há o mesmo impacto. Como líder. Um bom quarterback vai além do rol de mero bom passador: é aquele que inspira, que ganha jogos, que sobrepõe-se ao general das tropas adversárias. Em meio a tantas alegorias bélicas, a do quarterback como general é uma das minhas favoritas.

Jacoby Brissett precisava se impor. Seu duelo anterior contra Deshaun Watson havia sido ainda no college e ele saiu derrotado – também, pudera, era um quarterback inferior e seu time era bem pior do que o de Clemson. Mas a imposição era necessária por conta da narrativa – e ela tem força nos esportes. Poucos viram o bom jogo estatístico que ele teve contra os Falcons. Ali, foi um senhor passador. O que todos viram, o que cristalizou na mente do público, foi o fato dele ter sido apenas um game manager contra o Kansas City Chiefs no horário nobre do Sunday Night Football. Era essa imagem que podia ficar de vez.

Não ficou.

Em tarde pouco inspirada de Marlon Mack no jogo terrestre, o braço de Brissett foi chamado a campo. Os Colts recuaram para passe em 64% dos snaps e tinham entrado a partida com 56% apenas (4ª menor marca da NFL). Faltava uma partida como essa para que Jacoby inspirasse confiança ao torcedor dos Colts, de vez. Para que ele apagasse aquela imagem de “temporada foi pro buraco” que ficou na boca ao adeus de Luck.

Mais de 300 jardas. Primeiro jogo na carreira com quatro passes para touchdowns. Batalhando pela coroa provisória da AFC South, o camisa 7 trabalhou com postura, calma e inspirou. Quando se precisou que ele fosse mais do que um mero tampão ou um game manager, ele foi. Isso quer dizer que Brissett é melhor do que Luck? Não. Isso quer dizer que ele dá mais chances aos Colts do que seu antigo camisa 12? Também não.

Mas ele dá uma chance. Isso ficou claro no mesmo estádio que em agosto ficou em pânico com a aposentadoria de Andrew. No domingo, viu a chegada de Brissett. É óbvio que há mais em Indianapolis para além dele. Uma excelente linha ofensiva. Uma defesa coesa, que contou com a volta de Darius Leonard. Um time bem treinado por Frank Reich. Mas faltava um quarterback, com Q maiúsculo.

Os Colts tomaram para si a liderança da AFC South. Brissett, por sua vez, tornou o patch de capitão que veste algo mais legítimo do que nunca.

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