Pelo segundo ano consecutivo, o Philadelphia Eagles realizou uma arrancada na parte final da temporada que vê a equipe se colocando como uma postulante aos playoffs. Se no ano passado o time venceu 5 das últimas 6 partidas para arrancar a última vaga de wild card do Minnesota Vikings, nesse ano são 3 triunfos seguidos nos últimos 3 jogos; caso vença a última partida, contra os Giants em New York, Philadelphia consumará o título da NFC East.
Ainda que estejamos falando de um time cujas expectativas eram maiores em relação ao desempenho na temporada regular – e isso se aplica também ao último ano -, não se pode negar que os Eagles apresentaram resiliência para se manterem vivos a essa altura do ano. Assim como em 2018 o time era considerado um dos grandes favoritos da Conferência Nacional, no entanto, o desempenho não foi tão bom em campo quanto se esperava no papel, especialmente por conta das lesões no elenco – não podemos descartar algumas decisões muito ruins também de seus treinadores. De toda forma, e repetindo o enredo turbulento do ano anterior, Philadelphia chega na semana 17 com uma chance considerável de jogar em janeiro – e dessa vez nem precisarão de contar com outros resultados se fizerem a lição de casa.
No texto de hoje, listaremos algumas das razões que elevaram o time até o topo da divisão, o que não é exatamente uma demonstração de força se considerarmos o que foi a NFC East em 2019. Mesmo assim, o mínimo de competência dos Eagles – especialmente contra seus rivais divisionais – foi suficiente para a equipe controlar seu próprio destino na semana 17.
Miles Sanders (e Boston Scott) cresceu de produção – e o ataque seguiu o ritmo
Os Eagles sofreram com lesões do lado ofensivo da bola ao longo de praticamente todo o ano. DeSean Jackson, o recebedor de quem mais se esperava em 2019, sofreu uma lesão grave no abdômen na primeira semana da temporada e, com a demora para optar pela cirurgia, perdeu praticamente a temporada regular inteira – existe a possibilidade dele voltar na Semifinal de Conferência no caso de Philadelphia chegar lá; Alshon Jeffery e Nelson Agholor, outros dois nomes estabelecidos do grupo de recebedores, tiveram anos bem ruins quando em campo e, nesse momento, estão ausentes por conta de lesão.
Num primeiro momento, a solução pra esse ataque foi apostar no jogo terrestre, com um backfield encabeçado principalmente por Jordan Howard e Miles Sanders. Assim que o primeiro se machucou, a produção do segundo decolou: desde a semana 10, o calouro acumula 4.57 jardas por tentativa terrestre; mais do que isso, ele se tornou uma arma ainda mais importante no jogo aéreo, com 2 touchdowns recebidos nas últimas 4 semanas. Sua evolução gerou até mesmo uma campanha tardia pelo prêmio de Calouro Ofensivo do Ano, que tem Josh Jacobs dos Raiders como favorito à recebê-lo.
Outros jogadores de menor renome também se tornaram playmakers de uma hora pra outra. Na vitória contra os Giants na semana 14, que deu início à arrancada final, foi o desempenho de Boston Scott que moveu o ataque; Greg Ward, um antigo quarterback no futebol americano universitário, se tornou um recebedor útil saindo do slot. Por menos conhecidos (ou piores) que sejam os jogadores disponíveis, o ataque se tornou produtivo o suficiente para que o time pudesse encaixar uma sequência de vitórias, ainda que os adversários sejam fracos – vale lembrar que, ao longo da temporada, os Eagles perderam para times como Lions e Dolphins.
Wentz melhorou de nível, especialmente nas tomadas de decisão
Assim que o grupo de jogadores em volta de Wentz começou a sofrer com lesões, as tomadas de decisão do jogador caíram muito de nível – nomeadamente, o aspecto psicológico do esporte entra em questão, já que ele procurava sempre fazer o mais difícil ao invés de simplesmente aceitar o que a defesa lhe estava dando. Em nenhum jogo isso ficou mais evidente do que no confronto contra Seattle, o pior jogo da carreira do quarterback.
Desde então, mesmo na derrota contra o Miami Dolphins, ele tem sido bem mais cuidadoso com a bola e se utilizando melhor de ganhos curtos para manter o ataque avançando. No jogo contra o Dallas Cowboys, no último domingo, ele reverteu para o modo mais arriscado, mas com sucesso: sua química com o ‘novo’ grupo de recebedores era maior e ele soube explorar perfeitamente as janelas curtas de passe.
Ainda que o problema de fumbles permaneça, é inegável que o desempenho de Carson subiu bastante de produção nos últimos 4 jogos. Longe ainda de qualquer denominação de elite ou do nível que ele apresentava em 2017, Wentz tem sido um bom quarterback e que foi capaz de liderar dois game-winning drives contra dois rivais de divisão em duas semanas consecutivas. Os Eagles não precisam que ele seja mais do que isso nesse momento
Sorte ajudou a defesa – inconsistente, mas não quebrou
É bem verdade que, nos últimos 6 jogos, a defesa dos Eagles limitou os adversários a menos de 17 pontos em 4 das ocasiões. Em jogos como Patriots e no segundo tempo contra os Giants, o nível da unidade realmente foi muito alto; porém, há de se dizer que uma das principais razões pela qual o time conseguiu manter a pontuação adversária baixa foi realmente uma boa dose de sorte.
No jogo contra os Cowboys, por exemplo, Dak Prescott foi inconsistente e impreciso ao longo de todo o confronto – o quarterback adversário estava sofrendo com uma lesão no ombro e desperdiçou diversos passes fáceis. Contra os Seahawks, a atuação do ataque visitante foi bem ruim, e nem isso adiantou dada a péssima tarde do ataque.
Isso não quer dizer que não houve competência nenhuma – somente que as cartas ajudaram, e como diz o velho ditado, sorte é para aqueles que se dedicam. Diversos jogadores apareceram com boas jogadas individuais: Fletcher Cox, Josh Sweat, Sidney Jones, Avonte Maddox, Malcolm Jenkins… a lista anda demais.
O time pode fazer barulho (se chegar) nos playoffs?
Difícil ver uma equipe tão combalida tendo impacto contra times fortes em janeiro, mas não impossível. No ano passado, os Eagles viajaram até Chicago e superaram a fortíssima defesa dos Bears com Nick Foles under center. Se vencerem a NFC East nesse domingo, terão como prováveis adversários os Seahawks – e, dessa vez, um time com muito mais problemas de lesões do que aquele da semana 12. Novamente: é uma vitória difícil, mas não impossível.
Pensando ainda mais à frente, caso Philadelphia alcance a Semifinal de Conferência, o time poderá ter a adição de DeSean Jackson, que elevará muito o nível do ataque de modo geral: mesmo que ele se torne o principal foco das defesas adversárias (que deve continuar a ser Zach Ertz), sua verticalidade abre muito o leque de opções de Doug Pederson nas chamadas.
Uma coisa que aprendemos com os Eagles ao longo dos últimos dois anos é não duvidar da resiliência da equipe. Perderam Wentz, Peters e Hicks em 2017, sofreram com lesões e mais lesões em 2018 e em ambos os anos o time foi competitivo na pós-temporada, até mesmo vencendo o Super Bowl. Caso vençam os Giants, seja lá a situação que Philadelphia encontre em janeiro, não se pode nunca descartar esse time.






