Cowboys precisam pagar Prescott agora ou podem se arrepender

O time não pode deixar que a situação tenha o mesmo final que o imbróglio de Washington com Kirk Cousins

Prescott

Lá em 2018, quando Prescott estava na metade de sua terceira temporada, escrevi um texto dizendo que os Cowboys deveriam fazer dele o quarterback da franquia mesmo que soasse como uma decisão incerta. Desde então, Dallas fez praticamente tudo que era necessário pra reforçar essa posição aos olhos da imprensa, exceto a mais importante: o time ainda não chegou num acordo de longo prazo com o jogador.

Prescott assinou recentemente sua franchise tag, a qual lhe pagará 31,4 milhões de dólares em 2020, e agora jogador e franquia terão até o dia 15 de julho para assinar uma extensão; caso contrário, Dak será um agente livre em março de 2021, com a possibilidade de nova assinatura da tag no valor de 37,7 milhões de dólares, de acordo com a ESPN. Os Cowboys não terão um novo Le’Veon Bell, mas podem ter um novo Kirk Cousins. E isso é igualmente problemático.

Antes de entrar nos termos financeiros, precisamos deixar claro aqui que, em campo, Prescott já provou que é um jogador mais do que capaz. Ele teve o melhor ano de sua carreira em 2019, comandando um dos melhores ataques de toda a liga e que foi severamente afetado pela falta de qualidade de parte da comissão técnica. Após a temporada de 2018, ele supostamente recusou um contrato de cerca de 33 milhões de dólares anuais; existem boatos de que o valor desejado pelo quarterback dos Cowboys está na casa dos 40 milhões.

Nada mais justo que comparar Prescott com os outros nomes importantes da classe de 2016 e que já receberam suas extensões. Primeira escolha geral naquele ano, Goff tem um contrato de 4 anos e 134 milhões de dólares, com a média anual de 33,5 milhões por temporada; Wentz, escolhido em sequência, recebeu valores levemente inferiores, com duração semelhante, um total de 128 milhões e uma média anual de 32.

É inútil discutir aqui qual jogador é melhor entre Wentz e Prescott, mas dá pra chegar no consenso que os dois são decididamente melhores que Goff. O jogador de Philadelphia recebeu menos por dois motivos: Los Angeles renovou com seu passador depois dos Eagles e, ainda, os Rams haviam acabado de chegar ao Super Bowl.

Pegando então os 33,5 milhões anuais como mínimo, vamos fazer sentido da renovação de longo prazo. Se os Cowboys não chegarem a um acordo e tiverem de aplicar a tag novamente, a média entre os dois anos será de 34,5 milhões. Em comparação com os outros quarterbacks da liga, Prescott seria o segundo jogador mais bem pago da NFL, atrás apenas dos 35 de Russell Wilson.

Parece um valor justo à primeira vista, só que a vantagem nesse sentido está com o quarterback. Se Dallas novamente não chegar a uma extensão de longa duração em 2021, o valor da utilização da franchise tag salta para cerca de 54,3 milhões de dólares por um ano de contrato – 99% de chance que os Cowboys não vão pagar isso. Se ele atingir o mercado na condição de passador top 10 da liga, ainda jovem e com histórico saudável, pode ter certeza absoluta que algum time estará mais do que satisfeito em pagar ao menos 40 milhões de dólares por ano e com uma quantia gorda de garantias.

É exatamente o que aconteceu com a negociação contratual de Kirk Cousins, que jogou os anos de 2016 e 2017 sob a franchise tag após não conseguir chegar a um acordo com o time de Washington e rumou para o Minnesota Vikings com um contrato totalmente garantido valendo 84 milhões de dólares em 3 anos. Se o mesmo cenário se repetir aqui, a única compensação recebida por Dallas ao perder Prescott seria uma escolha compensatória de meio de Draft.

O teto salarial, ainda que possa diminuir em 2021 por conta dos efeitos financeiros da pandemia, terá um aumento significativo nos próximos anos com a adição de mais equipes participantes na pós-temporada e um possível 17º jogo, além da renegociação dos direitos de TV com as emissoras.

Além disso, os Cowboys já pagaram grande parte de seus jogadores recentemente; falta apenas o mais importante deles. A cada prazo que a organização deixa de ‘cumprir’ para assinar uma extensão, o preço sobe. No fim das contas, a vantagem já é de Prescott, que tem o exemplo de Cousins como sucesso para usar e maximizar seus ganhos: nada de desconto.

Pagar Prescott agora é essencial para que o time não se arrependa e tenha de dar ainda mais dinheiro ao jogador no futuro. A vantagem nas negociações já é dele, e só vai aumentar a cada dia que passa.

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