A aposentadoria de Philip Rivers pôs fim a carreira de um dos melhores quarterbacks da NFL nas últimas duas décadas. Se Rivers nunca teve a chance de vencer um Super Bowl em 17 temporadas na liga, isso diz muito mais sobre a incapacidade de seus times de lhe darem condições para tal: quando pensamos na famosa classe de Draft de 2004, Ben Roethlisberger venceu seu primeiro Super Bowl em 2005 e Eli Manning tinha seu primeiro anel em 2007, enquanto o jogador do San Diego/Los Angeles Chargers nunca disputou a final.
Rivers encerrou sua carreira depois de uma temporada com o Indianapolis Colts, encerrada na rodada de Wild Card. Apesar de ter sido um bom ano do veterano e do fato dele ainda ter qualidade para jogar por mais um ou dois anos, ele escolheu pendurar as chuteiras e assumir o posto de treinador principal num colégio no estado do Alabama. Mesmo com a passagem pelos Colts, ele será lembrado como uma lenda por seu tempo junto dos Chargers.
Mágica além dos recordes
Pergunte a um torcedor dos Chargers o que significou Philip Rivers nas últimas duas décadas e observe-o responder de forma apaixonada. É quase impossível, mesmo que o quarterback não tenha conseguido conquistar um título para a franquia, encontrar um fã que não admire o jogador.
Rivers sempre deu tudo que tinha em campo e o fato de sua aposentadoria acontecer em 20 de janeiro, como o quarterback planejou, nos leva automaticamente a essa mesma data no ano de 2008, a única final de conferência que ele disputou ao longo de seus 17 anos de carreira. Os Chargers perderam para o então invicto New England Patriots na final da AFC, num jogo apertado e de uma posse até o último quarto. O que eternizou Rivers naquela partida foi o fato do jogador entrar em campo com o ligamento do joelho rompido na semana anterior, durante a vitória sobre o Indianapolis Colts de Peyton Manning.
Se andar com um ligamento do joelho rompido é quase impossível, imagine jogar futebol americano.
Rivers está bem posicionado na história da liga. Dentre suas marcas, ele tem 63,440 jardas passadas e 421 touchdowns na carreira, atrás apenas de Drew Brees, Tom Brady, Peyton Manning e Brett Favre em ambas as categorias. [foot] ESPN [/foot]. Além disso, ele nunca perdeu um jogo por lesão: de 2006 até 2020, ele foi titular em todos os 16 jogos de suas equipes na temporada regular.
O veterano domina praticamente todos os recordes de passe dos Chargers, uma franquia que definitivamente não fez o melhor dos trabalhos montando uma equipe forte à sua volta durante a carreira do quarterback. Até o jeito que eles seguiram caminhos diferentes pós-temporada de 2019 poderia ter sido diferente. Mesmo que Justin Herbert seja o futuro da organização, e sua temporada de calouro tenha sido nada menos do que fantástica, o estilo único de Rivers pra sempre terá um lugar especial no coração do torcedor dos Chargers.
Hall da Fama é quase certo
Com a aposentadoria de Rivers nessa semana e Eli Manning pendurando as chuteiras em janeiro do ano passado, Ben Roethlisberger é o último do trio que ainda atua na NFL. A expectativa geral é de que ele esteja de volta em 2021 para mais uma tentativa de vencer o Super Bowl, já que a última parou no Cleveland Browns também na rodada de Wild Card.
Assim como a histórica classe de 1983, que teve seis quarterbacks escolhidos na primeira rodada e três deles hoje são membros do Hall da Fama, a expectativa é de que isso se repita com o Draft de 2004. É muito difícil imaginar um cenário no qual Manning ou Roethlisberger fiquem fora de Canton com seus dois anéis de Super Bowl – Big Ben, inclusive, é um forte candidato a entrar de primeira.
Mesmo sem título, não deveria haver dúvida sobre a presença de Rivers no Hall da Fama. Ele esteve consistentemente entre os melhores quarterbacks da liga por, ao menos, uma década e meia, alcançando marcas históricas e quebrando uma porção de recordes. Por mais que existam as lacunas de títulos e aparições no Super Bowl em sua carreira, não podemos nunca nos esquecer do fato do futebol americano ser um esporte coletivo, e ele certamente não foi a razão pela qual seus times não puderam competir.
Com tudo que conquistou e entregou para o esporte nos últimos 17 anos, Rivers merece, sim, ser eternizado com a jaqueta dourada em Canton.
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