Uma das histórias mais trágicas da NFL aconteceu justamente quando o arco de redenção de seu personagem principal começava a apontar pra cima. Em 2021, serão completados 14 anos desde o assassinato de Sean Taylor, safety de Washington que foi baleado enquanto sua casa foi invadida e morreu horas depois em decorrência da alta perda de sangue.
Desde aquele ano, ninguém mais é autorizado a utilizar a camisa 21 enquanto jogar pela franquia. Num time em que o sucesso foi escasso nas últimas duas décadas, nenhuma perda dentro de campo foi maior do que a perda daquele que estava destinado a se tornar uma grande estrela em Washington.
Sean Taylor era único. Não dá pra substituí-lo.
O jogador incompreendido
A história de Sean Taylor não faz sentido se você não quiser entender quem era o jogador. Só que querer não é poder. Quase 14 anos depois de sua morte, ex-jogadores, técnicos e até o dono da franquia de Washington falam sobre a personalidade ímpar do jogador, da ética de trabalho para se tornar o melhor safety possível e de como ele demorou a amadurecer, apenas para ser assassinado quando sua vida parecia estar entrando nos eixos.
Na época de seu recrutamento, Taylor era o principal atleta de todo o estado da Florida, com alguns considerando-o inclusive o melhor atleta de todo o país naquele ano. Ele preferiu jogar pela universidade de Miami, perto de sua casa, um ambiente que, por mais que não fosse conhecido por uma alta taxa de criminalidade, era envolto por duas comunidades bastante perigosas. O foco do jogador no esporte e o fato de seu pai ser um policial são atribuídas como as principais razões pela qual ele não caiu para lugares errados na sua vida.
Com uma capacidade atlética fora do comum e se destacando cada vez mais na universidade, Taylor foi construindo sua própria reputação. Quem via de fora ficava duplamente impressionado com seu desempenho em campo e formava uma opinião ruim por algumas atitudes consideradas bastante imaturas por parte do jogador. Um exemplo é que, escolhido no top 5 do Draft de 2004, ele recebeu uma multa de 25 mil dólares da NFL por abandonar o simpósio anual de calouros após o primeiro de quatro dias no evento.
Só que, mais do que sua intensa rotina de treinos, sua expulsão de um jogo de playoffs por cuspir num adversário ou as sete multas recebidas nos seus três primeiros anos de NFL, a grande representação de Sean Taylor em sua carreira no futebol americano certamente está nas pancadas que ele dava nos adversários.
A mais famosa aconteceu já em 2007, quando ele simplesmente não deu a mínima que o Pro Bowl era um jogo amistoso e obliterou o punter Brian Moorman durante uma jogada.
Não é normal vermos pancadas dessa forma no Pro Bowl assim como não eram normais muitas das coisas que Sean Taylor fazia. Ele era, no final das contas, incompreendido, e seus próprios companheiros de equipe diziam que ele só começou a ajeitar sua vida depois que sua filha nasceu. Sua reputação como um dos jogadores que mais batiam forte na NFL estava estabelecida, mas quem quisesse ver apenas seu lado negativo, também. Desde que chegou à NFL, ele se envolveu em vários problemas com a lei que geraram muita polêmica sobre seu caráter.
Só que, depois dos problemas nos primeiros anos, as coisas pareciam estar se ajeitando. Ele melhorou muito em campo e, comandado por Gregg Williams, um coordenador defensivo que sabemos o quanto gosta de agressividade, se tornou uma estrela em campo, indicado ao Pro Bowl em 2006. O ano seguinte vinha sendo ainda melhor, com Taylor somando 5 interceptações e 2 fumbles forçados em 9 jogos de 2007. A vida do safety tinha entrado nos eixos.
Até que 26 de novembro de 2007 aconteceu.
O assassinato.
A casa de Taylor em Miami, vazia, foi invadida em 18 de novembro. Oito dias depois, com ele machucado, ele estava em casa, o que surpreendeu os invasores. Quando o jogador foi investigar o acontecido, ele foi baleado na perna, atingindo uma artéria que o fez perder muito sangue. Cerca de 24 horas depois, Taylor foi declarado morto.
Taylor havia sido a primeira escolha de Draft do treinador Joe Gibbs por Washington. Todos os jogadores da liga usaram um decal com o número 21 em seus capacetes na semana 13. Washington, na primeira jogada defensiva do confronto contra o Buffalo Bills, utilizou apenas 10 jogadores em campo, com ninguém ocupando a posição de free safety. Ele foi o primeiro jogador a ser eleito de forma póstuma para o Pro Bowl.
Eric Rivera Jr., identificado como o atirador, tinha 17 anos na época e foi condenado a 57 anos e meio de prisão. A pena de outros envolvidos variou de 29 anos até prisão perpétua. Quando Taylor finalmente colocou sua vida em ordem e amadureceu, ele foi assassinado, deixando sua namorada e uma filha de 18 meses.
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