Um dia da caça, outro do caçador. Apesar de velho, o ditado serve muito para a NFL e na semana 3 tivemos um exemplo claro disso. Se na rodada anterior Bill Belichick tinha dado sua aula anual em um quarterback calouro, fazendo da tarde de Zach Wilson um caos, nesta ele viu seu pupilo sofrer: Sean Payton provou que também sabe tornar a vida de um novato bem complicada, fazendo com que Mac Jones passasse por apuros no jogo contra seu New Orleans Saints.
Porém, para ser justo, não foi apenas Jones que padeceu nesta partida. O placar de 28 a 13 é ilusório e aponta para um jogo muito mais equilibrado do que realmente foi: o controle dos Saints sobre o New England Patriots foi total, desde a primeira campanha. Se o ataque não mostrou explosão e exuberância, ao menos eficiência não faltou. Entretanto, o grande destaque esteve do outro lado da bola, com a defesa dominando e expondo os problemas de New England.
Payton não teve medo da dinâmica ofensiva
Quando Mac Jones foi draftado, muito se falou sobre como era bom o casamento do seu estilo de jogo com o sistema usado pelos Patriots: passes rápidos e decisões conservadoras, tudo ancorado por um forte jogo corrido. Dono de um braço apenas mediano, atacar o fundo do campo para Jones é algo a ser feito apenas em oportunidades claras, daquelas que não podem ser deixadas em campo. Isso se confirmou nas duas primeiras semanas: o camisa 10 foi pouco ousado, mandando apenas 5 passes para mais de 20 jardas, o equivalente a 7,2% dos seus lançamentos, sexta menor marca entre os titulares[foot] Pro Football Focus[/foot].
O jogo corrido, entretanto, seguia sendo o motor do time, com a boa média de 4,2 jardas por tentativa. Damien Harris era o destaque e líder da unidade de running backs. Desta forma, colecionando jardas pelo chão, Jones não era colocado em situações desconfortáveis, podendo trabalhar no seu feijão com arroz: a média da bola no ar por tentativa do quarterback não chegava a 6 jardas, uma das 5 menores de toda NFL.
Payton entendeu que não podia dar aos Patriots o que eles queriam. Tirar o time da zona de conforto seria o primeiro passo para sair vitorioso. E ele fez isso lotando o box, sem se preocupar com o fundo do campo. Desta forma, o jogo corrido dos Patriots ficou limitado a 2,9 jardas por tentativa, com a secundária dando grande suporte próximo à linha de scrimmage. O defensive back Chauncey Gardner-Johnson, por exemplo, teve 2 tackles para perdas de jardas e um sack. E aí quando o jogo corrido não entra, o ataque se obriga a fazer seu quarterback lançar.





