Antes de 2020, era improvável que você soubesse quem era Trey Hendrickson. A menos que você fosse torcedor do New Orleans Saints ou um analista do esporte, ele passaria sob o radar, afinal, o EDGE fora uma escolha de terceira rodada em 2017 que contribuíra pouco até então.
De repente, ele se tornou um dos grandes talentos defensivos da NFL. Liderando os Saints em sacks em 2020, Hendrickson foi o grande destaque de uma unidade recheada de ótimos nomes. Como a franquia vivia imensas dificuldades com o teto salarial, mantê-lo depois de um ano brilhante seria impossível e, assim, ele atingiu a free agency.
Trey criou uma ambiguidade como agente livre: enquanto era muito visado pelo que acabara de demonstrar, levantava uma pulga atrás da orelha dos general managers. E se havia sido só “um ano de brilho”? Para ele regredir e voltar a ser um pass rusher comum, era muito fácil. Era uma aposta que poderia se pagar muito, mas que não era livre de risco.
Querendo elevar seu nível defensivo, o Cincinnati Bengals acreditou que o investimento pesado em contratá-lo – um vínculo de quatro anos e $60 milhões de dólares – se pagaria. Nessa altura do campeonato, julgo que eu não preciso dizer que o retorno foi muito feliz.
A lição mais importante
Natural da Florida, Hendrickson cursou o ensino médio na região central do estado. A escola em que estudou, Apopka High School, não é famosa por revelar grandes jogadores, mas lá ele aprendeu a lição que redefiniu sua carreira.
Quando estava começando a chamar a atenção de universidades, ele começou a ser um “babaca”, tanto com seus companheiros de time como com os da sala de aula. Rick Darlington, treinador do time, resolveu, então, dispensá-lo apesar de seu talento. Nas palavras do próprio treinador, “ele tinha um grande potencial, mas precisaria mudar de rumo como pessoa. Era necessário aprender a ter humildade”.
Até então, Hendrickson “só se dava bem se estivesse na situação perfeita”, diz o treinador. O choque da dispensa, foi o primeiro passo para Trey começar a entender o recado. Como ele mesmo disse, ser chutado “o ensinou que ele nunca será maior que o jogo”. Mas ainda era preciso mais.
Quando uma nova temporada começou, o defensor implorou para voltar a jogar. Darlington sabia que isso seria o certo, só que não sem antes ele, realmente, comprovar que aprendeu a lição. Primeiramente, colocou Hendrickson como um assistente técnico, auxiliando nos treinos e servindo água. Tempo depois, disse que ele poderia voltar aos campos, mas agora como tight end! “Nós precisávamos torná-lo humilde, ele era muito cheio de si”, foi a fala do comandante.
“Eu faço o que você precisar, só quero estar no time”, respondeu Hendrickson. Ele aprendeu a lição.




