Semana 2018: Brady e Belichick passam a régua

Último Super Bowl conquistado de forma conjunta não veio com um time explosivo - o que não importa de nada: no final, os Patriots acharam (de novo) uma forma de ser melhor que toda a liga e conquistaram o sexto título

Já é tradição: todo ano, aproveitando o sossego da offseason, fazemos uma semana especial, relembrando alguma temporada da NFL. Para este ano, resolvemos contar a história da temporada de 2018, repleta de bons personagens e histórias cativantes. Vimos surgimento de uma estrela, treinador se consolidando, a última dança de uma famosa dupla e muito mais. Venha conosco nessa gostosa viagem no tempo!

Excelência se constrói com tempo, consistência e muito trabalho, e nas últimas duas décadas quem melhor mostrou isso na NFL foi o New England Patriots. Foram incríveis nove aparições em Super Bowl para a dupla Tom Brady & Bill Belichick enquanto estiveram juntos, resultando em seis títulos e a consolidação do método de trabalho Do Your Job – basicamente, se você fizer bem o seu trabalho, você não precisa se preocupar com seu colega de equipe. O importante é continuar trabalhando.

Talvez a temporada 2018 tenha sido a última vez em que vimos esse lema funcionando perfeitamente em New England, porque francamente, aquele time não era tão forte quanto o que venceu Super Bowls em 2014 e 2016. A gente já estava cansado de saber que nunca se podia duvidar da dupla Brady-Belichick; a questão é que, tirando isso, tinham algumas razões em que você conseguia pensar em times superiores chegando aos playoffs.

O 11-5 da temporada regular foi um bom reflexo do que vimos de setembro até dezembro. O time perdeu jogos permitindo quatro touchdowns de Blake Bortles (Jaguars, semana 2), perdeu jogos onde foi completamente dominado (Titans, semana 10) e perdeu jogos de forma tão inacreditável que a partida até recebeu seu próprio nome (Dolphins, semana 14). Aliás, aquele foi o primeiro ano desde 2009 em que New England perdeu cinco jogos na temporada regular. A folga no Wild Card só rolou por conta dos critérios de desempate.

E daí? Ninguém ganha Super Bowl em dezembro.

Hierarquia

Ok, não foi lá a melhor temporada regular do mundo só que a folga foi garantida mesmo assim – e essa folga sempre valeu muito para o braço de Tom Brady, que ali já tinha seus 41 anos. Primeiro veio o Los Angeles Chargers – que inclusive tinha tido uma campanha superior (12-4) na temporada regular, mas não podia ser nada além de um wild card porque o Kansas City Chiefs foi quem ganhou a divisão com os mesmos 12-4.

A questão dos Patriots de 2018 é que eles não eram explosivos ou brilhantes mas eram consistentemente eficientes em tudo que faziam. Não se engane pelo placar final de 41-28 naquela partida: os Chargers foram completamente dominados do início ao fim. New England controlou em todas as facetas do jogo, especialmente com Sony Michel tendo um papel vital (129 jardas, 3 touchdowns) correndo com a bola. Quando Philip Rivers e seu time tocaram na bola pela primeira vez no segundo tempo já estava 38-7. Não tinha mais competição.

Logo depois veio um dos melhores jogos de playoff que eu já vi – e se você também viu, vai ser impossível discordar. Final da AFC de 2018, Patriots e Chiefs.

A gente já falou mais cedo nessa Semana 2018 o porquê de Kansas City ser o queridinho de todo mundo naquela temporada, especialmente com um tal de Patrick Mahomes que virou o titular por lá. O confronto de estilos estava em todo lado: os Chiefs, explosivos e animados pela temporada histórica enquanto os Patriots eram os malvados que sempre estavam ali; Brady, o veterano que já ganhou tudo que podia contra Mahomes, o jovem que queria derrubá-lo. Esses times já tinham se enfrentado na semana 6 e o jogo também tinha sido incrível, quando os Chiefs perderam a invencibilidade na temporada.

E o jogo entregou exatamente o que planejava: os dois times indo pra cima um do outro e muito, muito equilíbrio, embora fossem fundamentalmente diferentes. A nota chata fica que a vitória dos Patriots terminou numa espécie de anticlímax, porque Kansas City orquestrou uma campanha incrível para levar para a prorrogação e nunca tiveram a bola lá porque perderam no cara-ou-coroa.

Belichick masterclass

Se parar Patrick Mahomes e Andy Reid foi bem difícil, a missão contra Sean McVay e o ataque do Los Angeles Rams não era nada fácil. Então o time buscou ajuda… no Chicago Bears?

Os Bears tiveram sua própria história dolorosa naquela temporada, perdendo para o Philadelphia Eagles no famoso Double Doink. Acontece que, na semana 15, os Bears limitaram o ataque dos Rams a apenas seis pontos. E ali tinha uma tendência muito clara: Vic Fangio lotou a linha de scrimmage e não deixou McVay e Jared Goff identificarem o que ia acontecer. Quando se cortava a comunicação entre técnico e quarterback, Goff tinha de decidir sozinho.

Belichick apostou nessa exata tática no Super Bowl e provavelmente não tinha como dar mais certo. O jogo acabou 13 a 3 e nem foi tão interessante para o fã casual mas mostrou uma batalha tática maravilhosa, com os Patriots alterando suas chamadas defensivas quando restavam 15 segundos no play call. McVay já não podia mais se comunicar com Goff, então a missão do quarterback era processar rapidamente tudo que estava acontecendo e executar a jogada.

Deu terrivelmente errado. Patriots campeão do Super Bowl, de novo.

A gente só não sabia que aquele era o jogo dos últimos. Rob Gronkowski se aposentou e nunca mais jogou pelo New England Patriots, voltando em 2020 já com o Tampa Bay Buccaneers. Foi a última vez que Brady e Belichick ganharam um jogo de playoff e, claro, o último Super Bowl da dupla junta. O time passou a régua como ganhou todos os outros: fazendo seu próprio trabalho da melhor forma possível.

A temporada 2018, uma das mais legais do século, acabou como tantas outras ao longo das últimas duas décadas.

New England Patriots no topo.

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