Assim que acabou o prazo final para as equipes “pagarem” escolhas compensatórias ao assinarem com free agents, em 30 de abril, o Miami Dolphins voltou ao mercado e assinou com Odell Beckham Jr. num contrato de um ano e três milhões de dólares, que pode ascender até 8,25 milhões com incentivos. É um contrato de baixíssimo risco para a franquia no geral.
A contratação não altera os planos do Miami Dolphins nem no curto e nem no longo prazo, mas também dificilmente altera o patamar da franquia num momento em que pensam em coisas mais altas. O barulho criado pelo nome de Odell deve ser maior do que seu impacto dentro do ataque de Mike McDaniel.
Complementando o jogo aéreo
No primeiro momento, o que se espera da chegada de Beckham nos Dolphins é que ele faça um papel bastante parecido com o que assumiu no Los Angeles Rams antes de sua grave lesão em 2021: um recebedor com pouco impacto e capacidade de esticar o fundo do campo, como o foi em outros momentos da carreira, mas que sabe encontrar espaços nas zonas intermediárias e que se destaque em rotas que cortem pelo meio do campo, ajudando em passes rápidos e fazendo com que Tua Tagovailoa solte a bola rápido. Além, claro, de aparecer com frequência na red zone.
Beckham teve média de 4.57 targets por jogo durante sua passagem no Baltimore Ravens do ano passado e, dessa vez, chega num ataque que será ainda mais amigável com o jogo aéreo. É bem verdade que a expectativa de sua utilização em Baltimore no ano passado era maior, especialmente pensando no esquema de Todd Monken, só que seu impacto em números também não foi necessariamente ruim – sim, abaixo do esperado.
Nos Dolphins, ele não terá a necessidade de esticar o campo. Melhor ainda: com Tyreek Hill e Jaylen Waddle como dois alvos completos e velozes nesse sentido, devem surgir melhores oportunidades para que Beckham encontre espaços no meio e facilite a vida de Tagovailoa, especialmente com a linha ofensiva desfalcada que os Dolphins possuem nesse momento. Vale lembrar que, em 2023, Tagovailoa foi o quarterback que mais rápido soltou a bola em toda a liga (2,36s em média após o snap), e tudo indica a continuação dessa tendência em 2024. Beckham ajuda a melhorar a eficiência ofensiva, se saudável e bem utilizado.
Impacto geral não deve ser dos grandes
A questão é que a profundidade do grupo de wide receivers melhora, assumindo que Beckham resolva o problema de WR3 que Miami possuía (muita qualidade e pouca profundidade nem sempre é uma receita de sucesso). Mas as necessidades mais gritantes do time continuam as mesmas desde a quinta-feira e são elas que ameaçam minar os objetivos dos Dolphins em 2024.
Os Dolphins continuam sendo um time com problemas no interior da linha ofensiva e que viu Robert Hunt deixar o time na free agency, embora concordemos que o preço foi absurdo e era melhor deixar sair do que pagar. As questões continuam como em 2023: se Tua for pressionado pelo interior, como resolver a bronca? Já sabemos que o quarterback sofre quando o ataque está fora da estrutura e do sistema perfeito de Mike McDaniel, e mesmo que Odell ajude em partes, a preocupação se mantém.
No fundo, a chegada de Odell Beckham Jr. é a clássica contratação feita de maio para a frente: as vezes é um nome conhecido e que gera bastante barulho, mas que pouco ou nada muda nas expectativas de uma equipe quando avaliamos dentro do campo. Para os Dolphins, é um grupo de recebedores bastante estrelado que maquia os grandes problemas da equipe: a linha ofensiva e Tua Tagovailoa não estão muito distantes de colocar tudo a perder.
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