Às vezes eu me pergunto como pode estarmos em 2016 e eu ter que escrever um texto desses. Pois é, não é o que o legislativo do Estado da Georgia pensou.
E isso pode fazer com que o novo (ainda em construção) estádio do Atlanta Falcons não seja sede do Super Bowl num futuro próximo. Para ser sancionada está na mesa do governador do Estado uma lei que, em tese, implica em previsão legal para que as pessoas possam discriminar gays. A Proposta de Lei 757 (House Bill 757) permitirá que associações religiosas possam negar casamento, emprego e mesmo prestação de serviços a pessoas que sejam gays. É, você leu isso no Século XXI.
Ao mesmo tempo, Atlanta, a capital do Estado, tem como objetivo ser sede do Super Bowl. Considerando que cidades que constroem novos estádios costumam ser premiadas com a chance de sediar a final da NFL – e que Atlanta está num lugar com clima agradável para fevereiro nos Estados Unidos – a cidade poderia ser o objeto de nossas atenções em 2019 ou 2020. Com a legislação entrando em vigor – ou seja, sendo sancionada pelo governador da Geórgia, Nathan Deal (R), o vindouro estádio dos Falcons pode ficar fora dessa rota.
“As políticas da NFL enfatizam a tolerância e a inclusão, proibindo discriminação em função de idade, raça, religião, orientação sexual ou qualquer outro preconceito inadequado”, disse o porta-voz da liga nesta semana, Brian McCarthy. “O fator da legislação estadual e municipal ser consistente ou não com esses valores são um dos muitos pontos que os donos de franquias da NFL utilizam para avaliar futuros locais para Super Bowl”.
Legislação já afastou Super Bowl de Arizona
Existe precedente para que a NFL exclua uma cidade ou um Estado do mapa de cidades eventualmente sede do Super Bowl. Em 1993 o Estado do Arizona não criaram – a exemplo do resto dos Estados Unidos – um feriado em homenagem ao ativista civil Martin Luther King Jr. Com efeito, perderam a chance de realizar o Super Bowl (só reavida em 1996, no Super Bowl XXX, após terem passado tal legislação).
Na ocasião, o Arizona deixou de ganhar cerca de 400 milhões de dólares em benefícios para sua economia. Considerando que 20 anos depois o Super Bowl é um evento ainda maior, um governador tem que pensar duas vezes antes que, com sua assinatura, possa indiretamente de riscar o evento do turismo de seu Estado.





