13 personnel

Explicando tática: O dominante 13 personnel do Los Angeles Rams

O ataque de Sean McVay é dominante porque, dentre vários motivos, utiliza o 13 personnel com maestria. Entenda o que é e porque funciona com os Rams

Logo que o Pro Football teve sua volta oficial no site, em meados de julho, eu escrevi sobre a tendência tática que eu mais esperava em 2025 na NFL. A maior utilização de 12 personnel por parte das equipes da NFL parecia um caminho claro para o ano que chegava, tanto pelo crescimento progressivo que a liga via nesse tipo de alinhamento e pelo que se viu com a posição de tight end no Draft da NFL.

Na teoria, o texto estava certo. A NFL de fato viu uma maior utilização de 12 personnel, embora o crescimento tenha sido menor que o esperado. Atualmente, 22,91% das jogadas ofensivas são feitas em 12 personnel; o Cleveland Browns lidera a lista com 42,01% das jogadas, enquanto que, em 2024, nenhum time ultrapassou a marca de 40%. Só que esse mesmo texto utilizava o Los Angeles Rams como exemplo de crescimento de utilização, já que o time utilizou pouco (15,5%) em 2024 e teve muito sucesso (3º time com mais EPA/jogada) quando o fez.

Tecnicamente, erramos, já que hoje eles utilizam em apenas 10,1% das jogadas, o quarto time com menos utilização. Na prática, o que os Rams fizeram foi aumentar ainda mais a aposta. Enquanto Sean McVay ficou conhecido por utilizar 11 personnel em quantidades exageradas em praticamente todos seus anos na NFL, ele fez uma mudança mais radical que o esperado no seu sistema.

Hoje, nenhum time utiliza tanto 13 personnel na NFL como o Los Angeles Rams, e como os resultados provam, o time está tendo muito sucesso com isso.

O que é 13 personnel?

Demos uma explicação completa no texto lá de julho, e para que esse escritor não perca tempo, vamos apenas copiar o que foi escrito na ocasião.

“As denominações de personnel que tanto utilizamos na mídia e em nossos textos diz respeito aos jogadores que estão em campo em uma determinada jogada, mais especificamente os skill players. Nesse caso, sempre partimos do princípio básico de que um dos jogadores presentes é o quarterback e cinco outros são os da linha ofensiva.

Os números que aparecem antes da palavra personnel indicam, em ordem, a quantidade de running backs, tight ends e wide receivers presentes em campo pelo ataque. O primeiro número diz quantos running backs estão em campo naquela jogada; o segundo número diz quantos tight ends estão em campo, e os jogadores que sobraram são os wide receivers. Se ficou confuso, veja os exemplos abaixo:

11 personnel = 1 running back, 1 tight end, 3 wide receivers (+1 quarterback e 5 jogadores de linha ofensiva)
12 personnel = 1 running back, tight ends, 2 wide receivers (+1 quarterback e 5 jogadores de linha ofensiva)
21 personnel = 2 running backs, 1 tight end, 2 wide receivers (+1 quarterback e 5 jogadores de linha ofensiva)
10 personnel = 1 running back, 0 tight ends, 4 wide receivers (+1 quarterback e 5 jogadores de linha ofensiva)”

13 personnel (1 running back, 3 tight ends, 1 wide receiver) não foi utilizado de exemplo na ocasião porque, basicamente, ninguém ligava muito pra isso até a atual temporada. E os números comprovam isso: em 2024, apenas 3,72% das jogadas de ataque da NFL utilizaram esse tipo de alinhamento.

Esse número subiu para 5,39% em 2025. Calma, calma, eu sei que parece pouco e de fato é. Só que o texto de 12 personnel falava sobre uma mudança tática e uma tendência da NFL. No caso do texto de hoje, estamos falando sobre como os Rams estão mudando isso de forma extensa.

Estratégia, não coincidência

No ano passado, os Rams foram o time que menos utilizou 13 personnel em toda a NFL. Foram apenas três jogadas em toda a temporada, empatado com o Atlanta Falcons, o que lhes rendeu um percentual exato de 0,29%. Ao mesmo tempo, foram 82,4% de jogadas em 11p e os supracitado 15,5% de 12p.

A mudança desse ano é sensível. São 63,5% de jogadas em 11 personnel e incríveis 24,6% de jogadas de 13 personnel. Nas últimas duas semanas, os Rams utilizaram 13 personnel como seu principal alinhamento, superando de forma consecutiva os 40% de utilização de jogadas com três tight ends quando não o haviam feito durante todo o ano.

Nas últimas duas semanas, o Los Angeles Rams anotou média de 43 pontos.

Assim como falamos no texto de julho, o princípio aqui é basicamente o mesmo. Inovação de um lado, tendências do outro. E a tendência da NFL há uma década e meia é a utilização de jogadores de defesa mais rápidos e ágeis, menos fortes e pesados, para conter o avanço da spread offense depois de seu sucesso no College Football. Se o 12 personnel já levava vantagem física nesse sentido, o 13 personnel amassa.

É óbvio que não é apenas alinhar com jogadores mais pesados e está resolvido, teremos o melhor ataque da NFL, blá-blá-blá. O diferencial de McVay é ser justamente o tipo de treinador que sempre sabe como encontrar as melhores oportunidades a partir do que se mostra, misturando jogadas e opções a partir de alinhamentos muito parecidos para a defesa no pré-snap.

Como Sean McVay o usa?

Basicamente, de todas as formas. Apesar de liderarem a liga, não faz sentido que os Rams utilizem 13 personnel com uma super frequência por um motivo muito simples: três tight ends e um running back em campo significa que Puka Nacua e Davante Adams não podem coexistir na mesma jogada.

Mas a grande chave de sucesso é o play-action. Com 13 personnel, a efetividade é grande: se quiser correr com a bola, existem bloqueadores pesados para ajudar. Para Los Angeles, o play-action com três tight ends tem sido uma fórmula extremamente efetiva, com Colby Parkinson e Terrance Ferguson tendo um papel importante ainda que não se mostrem tantos nos números.

Quando os Rams jogam em 13 personnel, 93% do tempo, as defesas utilizam alguma variação de base defense. O mismatch físico facilita demais as situações para o ataque de Los Angeles. Com Davante Adams provavelmente fora por algumas semanas com uma lesão na coxa, a tendência é que vejamos o time utilizando três tight ends numa alta frequência nas próximas semanas.

O antídoto Mike Macdonald

Por fim, vale notar que a defesa que mais teve sucesso parando esse alinhamento dos Rams, de longe, foi a do Seattle Seahawks, que também provém seus próprios desafios para todo e qualquer ataque adversário. Os dois times se enfrentam novamente no Thursday Night Football, num jogo que pode valer a primeira colocação na conferência, o título da NFC West, a paz mundial, o plano diretor da cidade de São Paulo e tudo o mais.

Os Seahawks não terão de lidar com Davante Adams também como opção ofensiva. Claro, Seattle está com seus próprios problemas quando tem a bola nas mãos e não tem um ataque tão versátil quanto o de Sean McVay. Esse vai ser o grande teste para o novo ataque dos Rams. Caso superem, vai ficar muito difícil de encontrar um adversário a altura.

Para saber mais:
O ultimato Burrow: é hora dos Bengals acordarem
Transmissões da Semana 16 da temporada 2025 da NFL
5 lições da Semana 15: A NFL é duríssima com todos
Patrick Mahomes sofre lesão grave no joelho e está fora da temporada

Quer ter todo conteúdo do ProFootball rapidinho em seu celular ou computador sem perder tempo?

Acesse nossos grupos no WhatsApp ou no Telegram e receba tudo assim que for para o ar.

“odds