Há uma máxima na NFL que diz: “qualquer time pode vencer nos playoffs”. É uma frase romântica, perfeita para o marketing da liga, mas que raramente sobrevive ao choque de realidade dos playoffs. No próximo sábado, quando o Carolina Panthers (8-9) receber o Los Angeles Rams (12-5) no Bank of America Stadium, o que veremos não é um duelo de iguais, mas sim o encontro entre um time que “sobreviveu” a uma divisão anêmica e uma potência que está pronta para buscar o Troféu Lombardi.
Não há como dourar a pílula ou tentar vender um equilíbrio que as estatísticas e o filme dos jogos não mostram: o favoritismo dos Rams é absoluto, e qualquer resultado que não seja uma vitória confortável de Los Angeles será a maior zebra da pós-temporada.
Carolina Panthers (8-9) @ Los Angeles Rams (12-5)
Bank of America Stadium, Charlotte, NC
Sábado, 10 de janeiro, 18h30. ESPN2 e Disney+
Los Angeles favorito por 10,5 pontos
A ilusão da Semana 13 e a realidade dos Playoffs
Muitos analistas mais cautelosos vão apontar para a vitória dos Panthers por 31-28 na temporada regular como prova de que Carolina sabe o caminho das pedras. No entanto, o contexto é tudo. Naquela tarde de novembro, Matthew Stafford teve um de seus raros “dias de folga”, lançando duas interceptações evitáveis, e a defesa de Los Angeles cedeu jardas terrestres em situações de terceira descida que beiraram o bizarro.
Nos playoffs, o jogo muda. Sean McVay é um mestre em ajustar planos de jogo após derrotas, e a versão dos Rams que entra em janeiro é muito mais refinada e implacável do que aquela de dois meses atrás. O ataque de LA lidera a liga em eficiência (DVOA) e chega com uma média de 30,5 pontos por jogo. Para Carolina, que penou para manter uma média de 18 pontos durante o ano, acompanhar esse ritmo é uma tarefa hercúlea, para não dizer impossível.
O fator Matthew Stafford: Um mestre contra um aprendiz
O abismo na posição de quarterback é o ponto de partida para entender por que este jogo deve ser unilateral. Matthew Stafford vive uma temporada de renascimento total. Com 37 anos, ele exibe uma precisão cirúrgica e uma leitura de defesa que Bryce Young, por mais talentoso que seja, ainda levará anos para desenvolver.
O arsenal de Stafford é covarde. Ter Davante Adams e Puka Nacua no mesmo campo é um pesadelo logístico para qualquer coordenador defensivo. A secundária dos Panthers, que sofreu para conter ataques bem menos explosivos, terá que escolher seu veneno: ou dobra a marcação em Adams e libera o meio do campo para as rotas cruzadas de Nacua, ou foca nos recebedores e assiste a Kyren Williams correr para 150 jardas.
A verdade nua e crua é que os Panthers não possuem peças o suficiente para estancar todas as sangrias simultaneamente. Bryce Young, por sua vez, entra em sua primeira partida de pós-temporada sob uma pressão imensa. Se a linha ofensiva de Carolina não for perfeita — e ela raramente foi em 2025 — a agressividade de Jared Verse e Byron Young transformará o pocket em um lugar claustrofóbico para o jovem QB.
Jogar em casa é importante, mas…
Embora Carolina tenha o mando de campo por vencer a NFC South, o clima no estádio não entra em campo para bloquear Jared Verse ou marcar Davante Adams. A defesa dos Panthers ocupa a 27ª posição na liga em pontos cedidos por jogo. Em uma liga moderna onde o ataque dita as regras, entrar nos playoffs com uma defesa porosa contra um time que marca touchdowns em 70% das visitas à red zone é um convite ao desastre.
O plano de jogo de Carolina será, previsivelmente, tentar “esconder” Bryce Young através do jogo corrido com Rico Dowdle e Chuba Hubbard. Eles querem que o relógio corra, que o jogo seja feio e que as posses de bola sejam escassas. O problema é que os Rams são excelentes parando a corrida em situações óbvias. Se Los Angeles abrir 10 ou 14 pontos de vantagem, o plano de Carolina vai para o lixo. Forçado a lançar a bola 40 vezes para buscar o placar, Bryce Young deve se tornar uma presa fácil para o sistema defensivo de Chris Shula.
No fim, se Carolina vencer esse jogo, será uma história para contarmos por muito tempo, tamanha a diferença entre os times.
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