Palavras não seriam suficientes para descrever o que acontece com Josh Allen na pós-temporada. Imparável, incansável, inquebrável, clutch, dono de “aura” (a palavra da moda). Posso tentar vários adjetivos aqui; um só, porém, não será o bastante. Vimos isso por outra vez na rodada de Wild Card.
Desde a temporada de calouro de Allen, os Bills sempre conquistaram sua vaga via título da AFC East. Isso, porém, gerou uma marca negativa: até então, Buffalo nunca havia vencido uma partida de playoffs como visitante. Eram quatro jogos e quatro derrotas. Buffalo adentrava o território do Jacksonville Jaguars como azarão, enfrentando o time mais emplacado da AFC e com um estigma sobre suas costas.
Mas, para quem tem Josh Allen, tudo é possível. Sem tirar o (imenso) mérito defensivo de Buffalo aqui – falaremos mais na prévia da semana da equipe -, é preciso ressaltar a tranquilidade com que o quarterback colocou seu time nas costas nos momentos mais decisivos. Ele, literalmente, entregou tudo de si para levar seu time até a jarda final. Os Bills sonham com o título por conta de seu quarterback.
JOSH ALLEN TUSH PUSHES FOR 10 YARDS
BUFvsJAX on CBS/Paramount+
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“Aura máxima”
A palavra “aura” ganhou alta recorrência nos últimos tempos no mundo esportivo. É um intangível utilizado para descrever um jogador ou situação especial. Como todo termo da moda, seu uso se tornou exagero, todavia, para Allen, ele é completamente devido. É difícil explicar racionalmente o que ele é capaz de fazer em determinadas situações.
E não falo só por sua atuação na última semana. Em toda sua carreira na pós-temporada, com exceção do ano de calouro, Josh ascendeu para além de seu nível tradicional. São atuações impressionantes, considerando o nível dos adversários, mesmo que tais triunfos ainda não tenham levado os Bills ao Super Bowl. Verdade seja dita, ele pouca culpa teve em tais eliminações.
It’s absurd how good Josh Allen has been in the playoffs
His 26-4 TD/INT ratio is the best in NFL history by far pic.twitter.com/mIlJNZOp8Z
— Lev Akabas (@LevAkabas) January 12, 2026
A relação de proporção entre touchdowns e interceptações de Allen nos playoffs é a melhor da história da NFL. E, lembrando: nessa relação não entram seus touchdowns terrestres, característica importante de seu jogo – são nove, somados os dois do último domingo. Josh, simplesmente, vira a chave e encontra formas de deixar sua equipe viva nos confrontos, independentemente de seu nível de apoio.
Resolvendo sozinho
Em uma era na qual quarterbacks se acostumaram a possuir bons entornos para entregar resultados, Allen se tornou notória exceção. Mesmo sem apoio decente no corpo de recebedores, ele consegue fazer o ataque avançar nas campanhas. Buffalo teve de correr atrás de Brandin Cooks, com 32 anos e longe do auge, para ganhar mínima ameaça em profundidade. Khalil Shakir é o único minimamente confiável, sendo um alvo para conquistar jardas após a recepção.
É muito pouco para uma equipe que possui tanto talento na posição. Em situação de apoio melhor, Allen faria chover touchdowns – como em outros momentos da carreira -, todavia, é isso que os grandes nomes fazem: eles resolvem sozinhos e elevam o seu redor. Allen supera as adversidades de uma forma que raras vemos em sua posição.
Na partida contra Jacksonville, sequer auxílio terrestre ele teve. James Cook finalizou a partida com menos de 50 jardas e média de 3,07 jardas/carregada. Se removermos a corrida de 11 jardas, sua mais longa na partida, essa média cai para 2,5, número irrisório. Ainda assim, ele estava lá para salvar o dia.
Pode vir quem quiser
Para complementar tão impressionante narrativa, é notório perceber que Allen não se dá bem contra determinado sistema ou matchup. Ele é capaz de salvar o dia contra qualquer sistema e contra qualquer adversidade. Mesmo que a defesa de Denver seja uma das melhores da temporada, terá de fazer um trabalho absurdo para minimizar a atuação de Josh neste final de semana.
A bem da verdade, é muito difícil que qualquer defesa consiga segurá-lo neste momento, ainda mais com a motivação extra de ser uma chance de ouro para Buffalo. O algoz Patrick Mahomes não está na pós-temporada e Lamar Jackson/Joe Burrow tampouco conquistaram seu ingresso para este momento. Não é algo que vai se repetir duas vezes.
Allen está motivado e sabe que é uma oportunidade única de chegar à tão sonhada final. Será necessária uma partida perfeita para minimizar seu impacto. Quando se possuir um jogador de tamanho talento e que cresce no momento mais importante da temporada, tudo é possível. Será que, enfim, chegou sua vez, Josh?
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