Com Josh Allen, tudo é possível

Allen supera todas as adversidades, não importa quão complexa seja a situação. Chegou a vez do quarterback de Buffalo conquistar o que lhe falta?

Palavras não seriam suficientes para descrever o que acontece com Josh Allen na pós-temporada. Imparável, incansável, inquebrável, clutch, dono de “aura” (a palavra da moda). Posso tentar vários adjetivos aqui; um só, porém, não será o bastante. Vimos isso por outra vez na rodada de Wild Card.

Desde a temporada de calouro de Allen, os Bills sempre conquistaram sua vaga via título da AFC East. Isso, porém, gerou uma marca negativa: até então, Buffalo nunca havia vencido uma partida de playoffs como visitante. Eram quatro jogos e quatro derrotas. Buffalo adentrava o território do Jacksonville Jaguars como azarão, enfrentando o time mais emplacado da AFC e com um estigma sobre suas costas.

Mas, para quem tem Josh Allen, tudo é possível. Sem tirar o (imenso) mérito defensivo de Buffalo aqui – falaremos mais na prévia da semana da equipe -, é preciso ressaltar a tranquilidade com que o quarterback colocou seu time nas costas nos momentos mais decisivos. Ele, literalmente, entregou tudo de si para levar seu time até a jarda final. Os Bills sonham com o título por conta de seu quarterback.

“Aura máxima”

A palavra “aura” ganhou alta recorrência nos últimos tempos no mundo esportivo. É um intangível utilizado para descrever um jogador ou situação especial. Como todo termo da moda, seu uso se tornou exagero, todavia, para Allen, ele é completamente devido. É difícil explicar racionalmente o que ele é capaz de fazer em determinadas situações.

E não falo só por sua atuação na última semana. Em toda sua carreira na pós-temporada, com exceção do ano de calouro, Josh ascendeu para além de seu nível tradicional. São atuações impressionantes, considerando o nível dos adversários, mesmo que tais triunfos ainda não tenham levado os Bills ao Super Bowl. Verdade seja dita, ele pouca culpa teve em tais eliminações.

A relação de proporção entre touchdowns e interceptações de Allen nos playoffs é a melhor da história da NFL. E, lembrando: nessa relação não entram seus touchdowns terrestres, característica importante de seu jogo – são nove, somados os dois do último domingo. Josh, simplesmente, vira a chave e encontra formas de deixar sua equipe viva nos confrontos, independentemente de seu nível de apoio.

Resolvendo sozinho

Em uma era na qual quarterbacks se acostumaram a possuir bons entornos para entregar resultados, Allen se tornou notória exceção. Mesmo sem apoio decente no corpo de recebedores, ele consegue fazer o ataque avançar nas campanhas. Buffalo teve de correr atrás de Brandin Cooks, com 32 anos e longe do auge, para ganhar mínima ameaça em profundidade. Khalil Shakir é o único minimamente confiável, sendo um alvo para conquistar jardas após a recepção.

É muito pouco para uma equipe que possui tanto talento na posição. Em situação de apoio melhor, Allen faria chover touchdowns – como em outros momentos da carreira -, todavia, é isso que os grandes nomes fazem: eles resolvem sozinhos e elevam o seu redor. Allen supera as adversidades de uma forma que raras vemos em sua posição.

Na partida contra Jacksonville, sequer auxílio terrestre ele teve. James Cook finalizou a partida com menos de 50 jardas e média de 3,07 jardas/carregada. Se removermos a corrida de 11 jardas, sua mais longa na partida, essa média cai para 2,5, número irrisório. Ainda assim, ele estava lá para salvar o dia.

Pode vir quem quiser

Para complementar tão impressionante narrativa, é notório perceber que Allen não se dá bem contra determinado sistema ou matchup. Ele é capaz de salvar o dia contra qualquer sistema e contra qualquer adversidade. Mesmo que a defesa de Denver seja uma das melhores da temporada, terá de fazer um trabalho absurdo para minimizar a atuação de Josh neste final de semana.

A bem da verdade, é muito difícil que qualquer defesa consiga segurá-lo neste momento, ainda mais com a motivação extra de ser uma chance de ouro para Buffalo. O algoz Patrick Mahomes não está na pós-temporada e Lamar Jackson/Joe Burrow tampouco conquistaram seu ingresso para este momento. Não é algo que vai se repetir duas vezes.

Allen está motivado e sabe que é uma oportunidade única de chegar à tão sonhada final. Será necessária uma partida perfeita para minimizar seu impacto. Quando se possuir um jogador de tamanho talento e que cresce no momento mais importante da temporada, tudo é possível. Será que, enfim, chegou sua vez, Josh?

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