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Se você gosta de uma pirotecnia ofensiva, esse jogo tem todos os ingredientes. Dois grandes arquitetos de ataque em Sean McVay e Ben Johnson. Dois quarterbacks de gerações diferentes: Matthew Stafford de um lado, Caleb Williams do outro. Uma belíssima dupla em Puka Nacua e Davante Adams. Um bom conjunto em D.J. Moore, Colston Loveland, Rome Odunze e companhia (i)limitada.
Você percebeu que eu não citei defesas e special teams até aqui. E essas unidades serão os fiéis da balança aqui. Enquanto o special teams dos Rams é um problema crônico do time, a defesa dos Bears joga de acordo com o horóscopo. O lado defensivo dos Rams também não vem passando tanta confiança, embora o front seja muito talentoso.
Resumindo a ópera: quem tiver bala sobrando no final do tiroteio, vai para a final da NFC. Los Angeles Rams e Chicago Bears tem tudo para ser o grande espetáculo ofensivo deste Divisional Round.
Los Angeles Rams (13-5) @ Chicago Bears (12-6)
Soldier Field, Chicago, IL
Domingo, 18 de janeiro, 20h30. SporTV 2
Los Angeles favorito por 3,5 pontos
Por que os Rams podem vencer?
Falar de Matthew Stafford, Puka Nacua, Davante Adams e companhia é chover no molhado. Sobre Sean McVay, mais ainda. Embora o ataque tenha mostrado oscilações contra o (guerreiro) Carolina Panthers, ninguém é louco de dizer que é uma das melhores unidades desta pós-temporada. Porém, o fiel da balança se encontra nos dois setores menos badalados: a defesa e o special teams.
Substituir uma lenda como Aaron Donald (saudades) é impossível, mas Los Angeles conseguiu mitigar a transição com um conjunto de jovens e agressivos pass rushers. Byron Young, Kobie Turner, Jared Verse ou Braden Fiske: escolha o seu favorito que ele irá te entregar resultados. Juntos, eles tiveram quase 30 sacks na temporada regular. Isso sem contar com os quatro infernizando a vida de quarterbacks por aí. Algo que também auxilia outros nomes, como Poona Ford e (o ex-bagre) Nate Landman, a conseguir sacks e turnovers.
Contudo, o grande problema está na secundária. Cobie Durant tem quatro interceptações no ano e Kamren Kinchens é bom jogador, verdade. Porém, o resto do grupo não empolga. Para piorar, há desfalques por lesão – embora a ausência de Akhelio Witherspoon seja mais um reforço do que uma perda. No jogo contra Carolina, Jalen Coker e Tetairoa McMillan passaram das 80 jardas. Coker, em especial, passou das 100 jardas e anotou touchdown.
Contra Chicago, o match-up será pior por dois motivos. 1) Caleb Williams tem um braço mais forte do que Bryce Young para passar em janelas minúsculas e 2) opção de recebedor é o que não falta. D.J. Moore, Rome Odunze, Luther Burden III e Cole Kmet são apenas alguns. Isso sem contar com um dos heróis da classificação: Colston Loveland. Se o calouro ganhar o confronto contra os inside linebackers, essa secundária terá MUITOS problemas. Em caps lock mesmo.
Agora falando do elefante no meio da sala: o time de especialistas. Demitir o então coordenador Chase Blackburn não adiantou muita coisa, pois a unidade continua nada confiável. No confronto contra os Panthers, um punt bloqueado quase custou a eliminação do time. Isso foi algo que aconteceu com frequência durante a temporada regular (vide a semana 4, contra os Eagles) e pode acontecer contra os Bears. Portanto, a chave para os Rams é fazer o special teams trabalhar o mínimo possível. Até porque se depender deles, o trem irá descarrilhar.
Por que os Bears podem vencer?
É verdade que tem mais louco no elenco do Chicago Bears do que na torcida do Corinthians. Mas como diria o saudoso Chorão, tem coisas que só os loucos sabem.
E esses loucos sabem entregar um bom entretenimento.
Tente achar lógica nesse time e falhe miseravelmente nos dois lados da bola. O ataque tem seus problemas para engatar no 1° tempo, algo que pode custar (seriamente) a eliminação para os Bears. Conforme dito acima, o front dos Rams é muito melhor do que o dos Packers. Embora a linha ofensiva faça um bom ano aqui, Caleb Williams certamente sofrerá com o Quarteto Fantástico defensivo dos Rams e seus amigos.
Por isso que o match-up Colston Loveland versus secundária capenga é vital para Chicago. Com o tight end sendo o alvo seguro para curtas-médias distâncias, isso abre espaço para que os demais recebedores ganhem espaço e, portanto, consigam suas jardas pós-recepção. Aqui estou falando dos Rome Odunze, Luther Burden III da vida (D.J. Moore certamente receberá uma marcação maior). D’Andre Swift e Kyle Monangai serão fundamentais também, tanto correndo com a bola quanto recebendo.
Tal como na seção dos Rams, vamos endereçar o elefante no meio do Soldier Field: a defesa. Dennis Allen está tirando leite de pedra há meses, mas tem certas coisas que não tem como mitigar. O pass rush e a defesa terrestre são dois deles. Chicago é um dos piores times pressionando o quarterback adversário e disparado top-5 piores times defendendo corridas.
Sejam corridas under center ou corridas para fora dos tackles, a defesa dos Bears não consegue defender nem se o fim da fome estivesse em jogo. Para azar deles, Kyren Williams e Blake Corum são bons em ambos os cenários. Isso sem contar com Puka Nacua (em todos os sentidos) e os tight ends na meiuca do campo. É muita coisa para a defesa dos Bears e, nesta altura do campeonato, é demais para eles. O que irá pressionar ainda mais o ataque.
Palpites
Da última vez que Rams e Bears se encontraram nos playoffs, a União Soviética ainda existia e o Xou da Xuxa não tinha sequer estreado ainda (a estreia seria em junho). Quarenta anos depois, o Soldier Field verá mais um duelo entre as duas equipes.
Mas infelizmente para os torcedores de Chicago, quem levará esse confronto será o Los Angeles Rams.
Para além da ruindade contra corridas, a defesa dos Bears é PÉSSIMA em dois fatores: passes para mais de 10 jardas e play-action. Matt Stafford é o líder absoluto nos passes longos, com 19 touchdowns e apenas três interceptações. E não é preciso nem se estender muito sobre o play-action: para Sean McVay, é tão essencial quanto os cafés turbinados que ele toma na sideline. Contra o play-action, a defesa dos Bears só não cedeu mais TDs do que a dos Jets – sim, “a” defesa que teve zero interceptações. Pois é.
Não vejo Chicago perdendo de lavada, mas é como eu disse no começo do texto. Quem tiver bala sobrando no final desse tiroteio, vai para a final da NFC. E nesse caso, irá quem tiver a melhor defesa do confronto.
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