No começo da semana, o Bulio dedicou uma parte do 5 Lições ao head coach dos Patriots. Fazendo coro ao que ele disse, Mike Vrabel conseguiu um feito quase impossível. O New England Patriots vinha de duas temporadas consecutivas negativas e pior: um cenário de bagunça total após a saída de Bill Belichick e a tentativa fracassada com Jerod Mayo.
O que Vrabel tinha quando chegou em Foxborough? Um projeto muito promissor em Drake Maye e outras poucas peças na defesa, como Christian Gonzalez. E só. O elenco não era um dos melhores – e ainda não é. A previsão antes da temporada era que New England arrumasse a casa e ajudasse no desenvolvimento de Maye.
Pois bem: eles estão no Super Bowl mais uma vez. Seja qual for o resultado final no dia 8 de fevereiro, New England tem o comandante perfeito para conduzir sua nova era.
A arte do situational football e outras miudezas
Vrabel is always on top of situational football, end of half/end of game scenarios, taking advantage of rules, timeouts, utilizing every potential opportunity, etc.
It is always shocking how many coaches in the league struggle in those areas with all the resources available.
— JJ Watt (@JJWatt) January 25, 2026
Durante a final da AFC, J.J. Watt (saudades) chamou a atenção para um ponto subestimado às vezes. Em um mundo de grandes esquemas ofensivos e defensivos, os meandros do futebol americano ganham menos destaque. Quando falo de meandros, é isso que Watt citou em seu tweet. O famoso situational football – terceiras, quartas descidas e redzone -, ter o livro de regras na palma da sua mão e usá-lo ao seu favor, timeouts, punts e afins. Fatores que, plasticamente falando, não são bonitos aos olhos. Porém, são eles que decidem a vitória ou derrota de um time.
E Mike Vrabel se aproveita disso muito bem.
Vamos pegar o jogo contra Denver como exemplo. O ataque não fluiu como o esperado, nem quando a neve virou um fator. Por exemplo: Drake Maye foi sacado cinco vezes e teve só 10 passes completos na partida inteira. A defesa, em contrapartida, conseguiu pressionar Jarett Stidham e forçar o primeiro turnover decisivo do jogo. O ataque soube capitalizar e o próprio Maye correu para o touchdown.
É depois do 7-7 que as coisas começam a ficar feias aos olhos, mas perfeitas para Vrabel. Na primeira campanha ofensiva após o intervalo, os Patriots gastaram mais de nove minutos no relógio, chutam o field goal e deixam o placar 10-7. Nas palavras do próprio treinador para a sua defesa, “se eles [os Broncos] não marcarem pontos, vai ser difícil eles vencerem o jogo”.
Dito e feito: o ataque dos Broncos não fez nada no segundo tempo. É verdade que a neve já tinha virado um obstáculo naquela altura. No entanto, isso não tira o mérito de New England, que soube emperrar as ações do adversário. Vide o field goal bloqueado no último quarto e, claro, a interceptação derradeira de Christian Gonzalez. Os Patriots souberam utilizar as miudezas (e as feiuras) do jogo ao seu favor e vejam só: eles estão no Super Bowl. De novo.
Uma nova era e um novo capítulo no Patriot Way
Pela 12° vez na história, o New England Patriots disputará o Super Bowl. É isso mesmo que você leu: são doze aparições no Super Bowl, sendo metade delas levantando o troféu Vince Lombardi. Nenhuma franquia na história da NFL conseguiu chegar perto desse feito. O Pittsburgh Steelers tem a mesma quantidade de títulos, mas com menos aparições (8). O Kansas City Chiefs, o grande bicho-papão desta década, tem quatro títulos em sete aparições.
Mas o que significa tudo isso, afinal? Para a tristeza de 31 torcidas, a volta do Império do Mal de Foxborough.
Para início de conversa, Mike Vrabel e companhia tem um pequeno tabu pela frente. New England nunca venceu um Super Bowl fora da era Belichick-Brady. E as outras duas vezes que chegou antes da Dinastia, em 1985 e 1996, terminaram com derrota. Vale lembrar que eram outros tempos e, em especial, um outro New England Patriots. Até mesmo em 1996, já com Robert Kraft de dono. Naquela época, a franquia ainda tentava encontrar seu eixo. O tão famoso Patriot Way estava para nascer: primeiro com Bill Parcells (e um breve período com – vejam só – Pete Carroll), depois florescendo de vez com Bill Belichick.
Desta vez, o cenário é diferente. Ok, Josh McDaniels foi o arquiteto ofensivo da Dinastia. Mike Vrabel foi tricampeão do Super Bowl como jogador: mais do que isso, um dos pilares da defesa dos Patriots no início dos anos 2000. O velho Patriot Way ecoa ainda em Foxborough, porém reformulado para esta década. Seja qual for o final no dia 8 de fevereiro, feliz ou não, o New England Patriots finalmente chegou aos anos 2020. Com isso, voltou ao maior palco de todos. Mais uma vez.
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