Bill Belichick fora do Hall da Fama é um insulto ao futebol americano

Credibilidade do Hall da Fama foi afetada com decisão de não indicar o treinador como first ballot e nenhuma justificativa é minimamente válida

Belichick

O que parecia ser uma indicação bastante óbvia se tornou o maior choque fora de campo da NFL em 2026. Seth Wickersham e Adam Schefter reportaram durante a noite de terça-feira que o treinador Bill Belichick, o maior vencedor de Super Bowls na história da NFL, não recebeu 40 dos 50 votos necessários para adentrar o Hall da Fama da NFL.

Por si só, a credibilidade do Hall da Fama foi fortemente afetada com essa decisão. Certamente que existem razões para não gostar de Belichick, e alguns escândalos fizeram parte de sua vitoriosa carreira. O problema é deixar o julgamento pessoal afetar uma decisão que é longe de ser discutível; Se Belichick não é digno do Hall da Fama, quem é?

Filho feio não tem pai

O Hall da Fama é composto por 50 votantes e Belichick precisava de 40 votos para garantir sua entrada. Os votos são secretos e, na prática, ninguém precisa justificar nada. Talvez seja melhor assim: a vergonha é coletiva e a credibilidade é diminuída. Ossos do ofício—embora o nome de Bill Polian, ex-general manager do Indianapolis Colts, tenha sido citado como um dos responsáveis por ir contra o nome de Belichick no primeiro ano.

É inacreditável. Belichick possui seis títulos de Super Bowl no currículo, nove aparições na final, 17 títulos de divisão e tudo isso em uma carreira que, até o momento, soma 28 anos como head coach na liga. Belichick também é responsável por uma longa árvore de treinadores e da manutenção de um padrão de excelência que resultou em Tom Brady se transformando no maior quarterback da história da liga. Histórias suas não faltam, respeito não falta, desempenho em campo não falta.

O que falta então? Vergonha na cara dos votantes. O Spygate e o Deflategate são controvérsias em uma longa carreira e que não vão desaparecer. Só que eles também passam longe de qualquer justificativa para uma “punição”, como a matéria da ESPN aponta que Bill Polian sugeriu durante a votação (curiosamente, o mesmo Polian parece ter sido um dos que mais apoiou a entrada de Robert Kraft no Hall da Fama). O foco em Belichick será maior do que o foco em outros que vão adentrar o Hall da Fama, o que por si só já é horrível. O fato dos votantes também virarem centro de atenções é outro problema.

Um dos maiores treinadores da história—provavelmente o maior—foi punido por politicagem e rusgas pessoais. Perde o Hall da Fama e perde o futebol americano.

Belichick sai com reputação inabalada, mas efeitos serão sentidos

A opinião pública após a notícia ser divulgada diz tudo o que você precisava saber: ninguém em sã consciência acreditava que Belichick ficaria de fora do Hall da Fama e o choque foi coletivo. Essa reação extremamente negativa e de forma quase que instantânea tende a resultar numa indicação ainda mais óbvia em 2027, mesmo que o ano atual nos mostre que garantias não servem de nada.

O problema são os efeitos colaterais. Com Belichick eleito nesse ano (o que deveria ser óbvio), algum treinador que também merece entrar no seleto grupo vai ter de esperar ainda mais um ano, já que a tendência é a correção do erro em 2027. Quando você diz que Belichick não merece estar no Hall da Fama, você também desqualifica muitos dos nomes que por lá estão e que possuem uma lista de feitos muito menores que a do ex-treinador dos Patriots.

Tudo isso por rusga pessoal e politicagem, fatores que não deveriam ser parte de uma votação que reconhece a história da NFL. A carreira de Belichick segue histórica e seus feitos e transformações no futebol americano no século atual são inabaláveis. Quem perde é o Hall da Fama.

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