Times competitivos se constroem pelo Draft. Na NFL, isso é uma verdade inegociável. É impossível almejar o título sem construir uma boa base no recrutamento anual. O número de atletas por elenco é grande e você precisa de uma boa leva de jogadores bons em vínculos enxutos para balancear a realidade financeira e conseguir solidificar as bases de seu time.
Foi assim que o Seattle Seahawks retornou ao Super Bowl após mais de uma década. John Schneider, general manager da equipe desde 2010, montou a equipe que chegou a duas finais consecutivas, vencendo uma, assim. Bobby Wagner, Earl Thomas, Kam Chancellor, Malcolm Smith, Richard Sherman, Russell Wilson: todos vieram pelo recrutamento – e sem contar outros nomes “menores” que auxiliaram nessas campanhas.
Construção exímia
Quando analisamos o elenco deste ano, a tendência permanece. Os Draft de Schneider nos últimos anos são assombrosos e construíram a base para que Mike Macdonald brilhasse. Byron Murphy, Charles Cross, Devon Whiterspoon, Grey Zabel, Jaxon Smith-Njigba, Kenneth Walker, Nick Emmanwori, Riq Woolen, Zach Charbonnet: todos nomes essenciais para a caminhada ao Super Bowl que foram adquiridos pela seleção de calouros.
Não é um trabalho fácil; pelo contrário, realizá-lo com tal excelência é de extrema complexidade. É assim, que Schneider conduz a estrutura que leva Seattle ao palco máximo do futebol americano. Nem sempre foi feito de acertos, já que no meio desse caminho houve escolhas de primeira rodada altamente questionáveis, casos de L. J. Collier, Jordyn Brooks e Rashaad Penny, por exemplo.
Ainda assim, destaca-se a exímia construção de elenco. Schneider sabe os pontos que precisa atacar e isso faz com que seu time tenha coesão. A linha ofensiva, por exemplo, tem quatro de seus titulares via recrutamento; os principais skillplayers ofensivos (Smith-Njigba e Walker), também vieram de lá. Na defesa, há nomes valiosos que chegaram via free agency, porém, isso se deve a aquisição de Macdonald no meio do caminho, visando criar um grupo que se encaixasse à sua mentalidade. Emmanwori e Murphy, peças essenciais do sistema, indicam como serão as próximas aquisições defensivas via Draft, pois são nomes que levam o sistema de Mike à perfeição.
Controle de gastos
Seattle está no Super Bowl, tem seu quarterback sob contrato e, ainda assim, tem o quinto maior espaço na folha salarial em 2026, com mais de $ 76 milhões de dólares disponíveis para serem gastos na free agency. Fazer bons Draft em sequência permite que seu elenco seja completo e, mais ainda, que ele seja barato.
Sim, eventualmente surgirão os prazos de renovação, porém, caso se mantenha tal qualidade de seleção, os substitutos serão encontrados naturalmente. Seattle poderá renovar com Smith-Njigba, Whiterspoon e ainda se dar ao luxo de gastar rios de dinheiro na intertemporada para deixar seu elenco ainda mais completo. Essa é uma posição que raras equipes se gabam de ter e podem fazer com que a equipe se mantenha no topo pelo futuro próximo.
Perpetuação da competitividade
Tal construção de elenco permitiu a Seattle algo raro na NFL: a perpetuação da competitividade. Desde que Schneider assumiu, em 2010, foram apenas três anos de campanhas negativas, sendo que dois deles vieram, justamente, nas duas primeiras temporadas do general manager em Seattle, período no qual ele ainda estruturava seu elenco.
A equipe está constantemente entre as cabeças e sendo ameaça na NFC – e veremos isso permanecer pelos próximos anos. Na NFL, para se manter competitivo é preciso ter um bom quarterback, um técnico de excelência e um elenco coeso. Schneider encontrou essa tríade pela segunda vez em sua gestão e, não à toa, liderou a conferência e chegou ao Super Bowl.
Seattle se prepara para brigar pelas cabeças da NFC por um bom tempo. Se resultará em título, dependerá da performance em campo. Contudo, tal gestão de excelência resultará em muita felicidade para o torcedor, o qual verá seu time buscando altos objetivos pelos próximos anos. Uma boa gestão começa na essência – é o simples que não deixa de funcionar.
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