Como são belas as histórias de reviravolta. A superação, a força interior, todos os obstáculos superados para conquistar o que antes parecia impossível. Nunca poderemos fugir da adversidade e da dor, podemos, contudo, escolher como lidaremos com ela. Sam Darnold enfrentou suas grandes muralhas e hoje está a um passo de conquistar a glória máxima do esporte que escolheu amar.
Foi um início de carreira de extremos: uma escolha alta de Draft que viu sua carreira ficar por um fio. Uma redenção que poucos acreditavam ser possível, mas que aconteceu – e nos faz lembrar o motivo pelo qual acompanhamos esse esporte.
Da promessa aos “fantasmas”
Darnold iniciou sua carreira com o peso de ser uma terceira escolha geral de Draft. Saindo de USC como uma grande promessa, ele chegou ao New York Jets para ser a esperança de salvação da franquia, a qual, na época, já estava há sete temporadas sem ir aos playoffs. Curiosamente, o último quarterback relevante da equipe, Mark Sanchez, era produto da mesma faculdade que Sam, o que gerou um simbolismo ainda maior para o torcedor.
Os dias prometidos, porém, nunca chegaram para o quarterback. Pelo contrário, transformaram-se em pesadelos. O primeiro passe de sua carreira foi uma pick-6, na primeira semana da temporada regular de 2018, contra o Detroit Lions. Ao longo de toda temporada regular, os turnovers possuíam alta frequência, a precisão era baixa e, para completar, Sam sofreu com lesões.
Seria no ano seguinte, porém, que um momento específico marcaria sua carreira de uma forma negativa, quase colocando-a no cemitério dos quarterbacks. Em uma partida contra o New England Patriots (as ironias do destino), em um Monday Night Football, Darnold cometeu cinco turnovers e completou menos de 35% de seus passes, com um rating de 3,6 – um dos 20 piores da história da liga – em um sonoro revés de 33-0. Tudo isso retornando aos gramados logo após sofrer de mononucleose.
O simbolismo foi ainda maior quando as câmeras o capturaram dizendo que estava “vendo fantasmas”. Em uma era de redes sociais, Darnold se transformou em um verdadeiro meme (para pior). Na temporada seguinte, nada melhorou e sua trajetória em New York rapidamente caminhava para o fim. Iniciava-se, então seu período de deserto.
Overcame the Jets… overcame the Ghosts.. overcame Mono
Now in the Super Bowl.
What a JOURNEY for Sam Darnold
— Polymarket Football (@PolymarketBlitz) January 26, 2026
O deserto e o início do recomeço
Poucos dias antes do Draft de 2021, Darnold foi trocado para o Carolina Panthers. Saiu de uma franquia que era um cemitério de triunfos para…, outra franquia que era um cemitério de triunfos. Lá, em duas temporadas, nada mudou: turnovers, lesões, baixa precisão, times que fracassaram.
Um período de deserto que poderia ter sepultado muitas carreiras. Darnold, porém, manteve-se firme. É uma característica sua, aliás. Max Browne, que disputou posição com o quarterback na universidade, disse que “(percebia-se) que Sam tinha muita confiança em si mesmo sem precisar dizer uma palavra.”
Isso aconteceu mesmo quando Browne iniciou o ano de titular na frente de Darnold. Max conta que “quando (Sam) descobriu que eu seria o titular, ele não mudou de comportamento. No dia seguinte, nem parecia que havia acontecido algo”. Sam poderia ter tomado muitas atitudes escandalosas – ainda mais nos dias atuais que vivemos -; escolheu, contudo, passar pelo silêncio. Foi tal atitude que impediu a morte de sua carreira.
Após o fracasso de Carolina, ele foi passar uma temporada como reserva no San Francisco 49ers. A tutela de Kyle Shanahan fora do campo o fez bem. Darnold foi o reserva imediato de uma equipe que chegou ao Super Bowl e esse ano fora dos holofotes fez bem para que ele pudesse colocar tudo em ordem. Aprender com a melhor mente ofensiva da liga também foi fundamental. Era a calmaria necessária para superar o período de deserto e iniciar sua retomada inesperada.
A jornada de Minnesota
Na intertemporada de 2024, ainda com futuro indefinido, Darnold assinaria com o Minnesota Vikings. Um contrato de um ano para ser a ponte de segurança para uma equipe que se preparava para selecionar, pelo Draft, uma aposta jovem para a posição após encerrar seu vínculo com Kirk Cousins.
O que Darnold não sabia, porém, é que ele não seria mais apenas um reserva, mas que sua trajetória mudaria radicalmente. J. J. McCarthy foi selecionado, mas não pisou em campo na temporada de estreia em virtude de uma lesão que o afastou dos gramados. A missão, então, recaiu sobre os ombros de Sam.
Sob a tutela do talentoso comando de Kevin O’Connell, ele deslanchou. A melhor temporada de sua carreira que fez a equipe finalizar o ano com campanha 14-3. Um 2024 quase perfeito; a derrota na última semana para o Detroit Lions, porém, fez o time sair de seed #1 para seed #5, caindo na pós-temporada logo na rodada de Wild Card, para o Los Angeles Rams (olha aí, mais uma ironia na sua jornada).
Na eliminação, Darnold fez uma partida ruim, na qual foi sackado nove vezes. Ressurgiram, então, os questionamentos de quão bom ele, realmente, poderia ser. “Ele é utilizável, mas não vai fazer franquias darem o próximo passo!”. Minnesota, então, optou por seguir a vida com McCarthy e deixar Darnold testar o mercado. Ele teria de passar por mais um recomeço em sua trajetória – agora, definitivo.
Entre a incerteza e a glória
Ao assinar um contrato de três anos com Seattle na última intertemporada, as reações foram mistas. Qual era o real upgrade para a franquia de sair de Geno Smith para Darnold? Havia uma melhora efetiva que poderia fazer a franquia balançar a NFC? Logo após uma eliminação decepcionante de Minnesota?
Foi uma pergunta que perdurou até poucos dias atrás. Em Seattle, Sam continuou sua linha de eficiência como passador, todavia, continuou com alto número de turnovers e havia dúvidas sobre como ele se sairia nos jogos que realmente importavam. Na temporada regular, ele teve uma atuação péssima de quatro interceptações contra o Los Angeles Rams e vinha de sequência ruim na reta final.
Tais dúvidas, porém, eram externas. Para seu time, a certeza nunca se alterou. “Nos amamos jogar por ele”, diz Eric Saubert; Ernest Jones IV, pilar defensivo, disse que “(desde o primeiro dia), não importa o que acontecesse, nós estaríamos lá por ele”. Eles estavam e, na hora que mais precisaram, Sam esteve lá por eles.
Na partida mais importante de sua carreira, na Final de Conferência contra o Los Angeles Rams – o mesmo time que havia encerrado previamente sua primeira volta por cima -, Darnold foi o responsável por levar seu time a vitória. Todos esperavam que ele fosse fazer lambança quando fosse necessário que ele crescesse, mas ele fez justamente o contrário.
Hoje, está a poucos instantes do grande dia. A ansiedade cresce, afinal, cada jogada pode definir sua história na liga. Mas isso poderia afetá-lo, mesmo? Darnold foi a síntese de uma grande história de superação. De dúvidas, fracassos e, principalmente, recomeços. Ele foi forjado para isso. Agora, está perto de celebrar sua inesquecível trajetória com a glória máxima do esporte.
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