Foi-se o tempo de glória dos Rams, em que a franquia, ainda no Missouri, era uma das principais da NFL. Entre o final dos ano 1990 e início dos 2000, a equipe foi uma das mais respeitadas da liga principalmente graças ao seu ataque fenomenal comandado por Kurt Warner. St. Louis chegou duas vezes ao Super Bowl, venceu uma e terminou várias temporadas com ótimos records.
Entretanto, o período de extremo sucesso repentinamente deu lugar à uma fase nebulosa que perdura até os dias de hoje. Os Rams não ganham a NFC West ou encerram o ano com mais vitórias do que derrotas desde 2003 – naquela ocasião, tiveram o record de 12-4. Não se classificam aos Playoffs desde 2004, quando avançaram à pós-temporada com um 8-8 – depois foram atropelados pelos Falcons por 47-17 no Divisional Round. Sob a tutela do treinador Jeff Fisher, que foi contratado em 2012, a franquia vive atolada em um pântano de mediocridade, não conseguindo romper a barreira das seis ou sete vitórias por ano.
Agora de volta a Los Angeles, os Rams são um dos times mais desesperados para ter algum sucesso. Possuindo uma defesa com talento acima da média e um elenco geral sólido, a equipe investiu pesado nos últimos dois Drafts visando qualificar seu ataque e enfim sair da situação complicada em que se encontra. O primeiro passo foi a escolha do running back Todd Gurley em 2015. O segundo foi a seleção do quarterback Jared Goff, após quase vender a alma aos Titans em 2016. Os dois jovens são as grandes esperanças dos torcedores para acabar com o longo jejum de Playoffs dos Rams já nesta temporada, mas será que eles realmente poderão fazer isso?
Gurley tem tudo para ser uma estrela, enquanto Goff ainda é muito “cru”
Todd Gurley teve um ano de calouro espetacular e justificou ter sido draftado com a 10ª escolha geral. Depois de se recuperar de uma grave lesão no joelho sofrida na época de College, o running back somou 1,106 jardas terrestres, 10 touchdowns e uma bela média de 4,8 jardas por corrida. Tudo isso atuando em apenas 13 partidas e tendo que lidar com quase toda a atenção das defesas adversárias, pois era praticamente a única ameaça do anêmico ataque dos Rams. Esta bela performance elevou as expectativas sobre o jovem e faz com que muitos já o vejam como uma estrela da liga. Seja o hype um pouco exagerado ou não, Gurley parece ser uma aposta segura em termos de desempenho.
Goff, por outro lado, ainda não desperta tantas certezas. Conforme explicado aqui no Pro Football, o quarterback ex-Cal é o mais preparado da classe de 2016, contudo isso não significa que ele esteja pronto para brilhar imediatamente na NFL. O calouro precisa aprender o playbook, se adaptar a um ataque profissional bem diferente daquele utilizado pelos Golden Bears e, além disso, deve aprimorar aspectos como precisão dos passes e mecânica de lançamento. Recentemente, Steve Wyche, da NFL Media, afirmou que Goff “não está nem perto de estar pronto para ser o titular na semana 1” e mesmo Jeff Fisher falou que Case Keenum é o titular por enquanto.
Veja bem, não estamos dizendo que Goff é um mau jogador ou que Los Angeles agiu mal em escolhê-lo. A franquia necessitava desesperadamente de um quarterback e foi atrás do melhor nome disponível no Draft. Nosso ponto, porém, é não criar expectativas excessivas. Não espere o signal caller colocando o time nas costas logo de cara e o levando aos Playoffs, mais ou menos igual ao que Andrew Luck vem fazendo em Indianapolis desde 2012. O segredo aqui é paciência, até mesmo para não “queimar” o jovem.
Se ganhar definitivamente a posição durante o training camp e os jogos de pré-temporada – como é esperado por muitas pessoas -, Goff terá que encerrar um pequeno tabu: nenhum quarterback calouro conseguiu levar seu time aos Playoffs desde 2012, quando Luck, Robert Griffin III e Russell Wilson conquistaram o objetivo.
E a tabela não ajuda
Além da inexperiência, outro fator pode complicar muito a vida do jovem signal caller: a força da tabela dos Rams. A equipe terá o terceiro calendário mais difícil e será quem mais irá viajar em 2016. Para piorar, Los Angeles ainda faz parte da NFC West, uma divisão extremamente forte e competitiva, a qual conta com grandes times como Seahawks e Cardinals – dois favoritos ao Super Bowl.
Resumindo, a franquia pode até voltar aos Playoffs, mas não será por causa de Goff
Os Rams tiveram o ataque menos prolífico da NFL em termos de jardas (2.805) e touchdowns aéreos (11) em 2015, então, seguindo a filosofia do “pior do que tá não fica”, qualquer perspectiva de melhora com Goff já é algo a ser comemorado. Entretanto, não espere uma mudança da água para o vinho. O calouro não deve entrar em campo com a pressão de ser o “salvador da pátria”.
Nick Wagoner, da ESPN norte-americana, escreveu um texto bastante interessante comparando a possível situação de Goff com o que Ben Roethlisberger e Russell Wilson viveram quando entraram na liga. Nos dois últimos casos, respectivamente em 2004 e 2012, os calouros foram titulares em equipes com defesas fortes e um jogo terrestre protagonista. Deste modo, tiveram temporadas de estreia mais discretas, porém sólidas e adivinhe só: se classificaram aos Playoffs. Este seria o cenário perfeito para Goff, pois o deixaria apenas com a missão de gerenciar o jogo e não se expor a erros e turnovers – o ideal para alguém que ainda precisa se desenvolver. Sorte a dele que, como já dissemos antes, os Rams possuem uma defesa acima da média e um running back com um potencial gigantesco.
Caso o que dissemos acima venha a acontecer – sobretudo a parte do jogo terrestre -, talvez os Rams consigam pelo menos voltar a brigar seriamente por uma vaga na pós-temporada. Mas, se tudo cair nos ombros do jovem quarterback, tanto a equipe quanto os torcedores podem se decepcionar, afinal Goff não aparenta estar pronto para essa responsabilidade.






