Um dos melhores quarterbacks de todos os tempos, detentor de um solitário anel de campeão, conta com sua experiência e a ajuda de um forte grupo de companheiros de Denver Broncos para chegar ao Super Bowl. No trajeto, ele percebe que seu corpo não responde mais da forma que gostaria e decide que este será o seu adeus do futebol americano profissional. Você pode achar que eu estou falando de Peyton Manning e a sua provável última dança na NFL, mas essa também é a história de John Elway, lenda dos campos e atual general manager da franquia.
George Lucas, durante a produção da trilogia prequel de Star Wars costumava dizer que queria que os novos filmes “rimassem” com os da lendária trilogia original, isto é, queria que a história encontrasse elementos básicos que se repetissem. Independentemente da sua opinião quanto à qualidade de Ameaça Fantasma e companhia, há algo bonito na ideia de que o esqueleto de uma boa narrativa voltem a se apresentar na sua repetição. Foi isso que Elway construiu nos Broncos em 2015.
1998: a última balada de Elway e os primeiros passos de uma lenda
Os Broncos haviam acabado de sair da primeira conquista de Super Bowl na história da franquia e estavam prontos para mais. O grande líder e general da equipe era Elway, um dos melhores jogadores da história da liga no décimo sexto ano de uma carreira gloriosa. No entanto, talvez o grande mérito do jogador de número 7 seja ter soltado um pouco as rédeas do ataque de Denver e o entregado nas mãos de Terrell Davis, um dos melhores corredores que a liga já viu, que correu para mais de 2.000 jardas na temporada. O time, orquestrado por Mike Shanahan, mostrava um foco grande no jogo terrestre e controle da posse de bola.
Foi nesse cenário que Elway percebeu que talvez fosse a hora de pendurar as chuteiras. Seu auge físico já havia passado, mas a sua experiência permitia que sua equipe competisse por mais um caneco. A dúvida martelava em sua cabeça durante toda a campanha de 1998 mas Elway conseguiu ignorar tudo o que se dizia fora do vestiário e se focar no trabalho.
Nos dias seguintes à conquista de seu segundo Lombardi Trophy e de ser eleito o MVP do jogo, Elway resolveu sair por cima e, com isso, pontuou um dos mais belos capítulos finais da história da NFL. Coincidentemente, foi justamente em 1998 que Peyton Manning começou a sua própria epopeia no futebol americano profissional.
2015: Elway procura a rima com o “eu lírico” Peyton Manning
Ao fim da temporada de 2014, o cenário em Denver era um pouco diferente. Após ter chegado ao Super Bowl com um dos ataques aéreos mais potentes da história um ano antes, o setor ofensivo dos Broncos mostrava sinais de que não sustentaria um jogo aéreo como sua identidade, muito em função dos problemas físicos que começaram a atrapalhar o xerife Peyton Manning.
Vendo esse cenário, Elway resolveu aproveitar o molde que seu último time como jogador deixara. Para liderar tal empreendimento, trouxe para o cargo de treinador principal o coordenador ofensivo e técnico de quarterbacks da equipe de 1998, Gary Kubiak. A ideia era tornar o jogo terrestre com C.J. Anderson o mais proeminente o possível e tirar um pouco do fardo das costas de Manning. A transição foi complicada para Manning, que muitas vezes não se via adequado para o estilo de jogo de Kubiak, mas ao longo da temporada o time achou o encaixe que melhor se aproveitava do QI de futebol americano único do “Xerife” para controlar os jogos em que a defesa domina.
Com isso, sob a arquitetura da lenda que escreveu a história original, Peyton Manning tenta trilhar o mesmo percurso de John Elway e ganhar o seu segundo anel de campeão no que deve ser a última partida de sua carreira. As estrofes se encaixam, resta agora saber até que ponto o último verso rimará.






