A classe de jogadores vinda do Draft 2014 está caminhando para se tornar uma das melhores da história recente da NFL. Não importa de qual lado da bola você olhe, o talento está quase sempre presente em abundância. Por exemplo, é difícil imaginar um grupo de wide receivers mais qualificado que Odell Beckham Jr., Sammy Watkins, Mike Evans, Allen Robinson etc. Ou então pensando na posição mais importante do jogo podemos citar Blake Bortles, Teddy Bridgewater e Derek Carr, três jovens quarterbacks que são o presente e o futuro das suas respectivas franquias. Os defensores, por sua vez, não ficam para trás e estão muito bem representados em atletas fantásticos como Khalil Mack, Aaron Donald, Anthony Barr, C.J. Mosley etc.
Entretanto, de maneira irônica, a primeira escolha geral de 2014 ainda não vingou na liga – pelo menos não como todos esperavam. Antes de ser selecionado pelos Texans, Jadeveon Clowney teve uma grande carreira na universidade de South Carolina. Dono de atributos físicos impressionantes (seu tiro de 40 jardas no Combine comprova isso), o edge rusher era visto como uma futura estrela da NFL e o melhor jogador de todo o recrutamento. Contudo, duas temporadas após ser draftado, Clowney ainda não conseguiu cumprir estas expectativas.
Bastante limitado por contusões nos primeiros anos como profissional e com aspectos técnicos a serem aprimorados, o jovem de 23 anos precisará dar um salto de rendimento em 2016 se quiser afastar de vez o rótulo de bust (farsa). Será que ele conseguirá fazer isso? Bem, seu razoável desempenho na temporada passada é um indício de que pode acontecer – caso mantenha-se saudável e fique mais tempo em campo.
Lesões e mais lesões
A trajetória de Clowney em Houston infelizmente foi marcada até aqui pelos mais diversos tipos de problemas físicos. Em junho de 2014, ele passou por uma cirurgia de hérnia. Algumas semanas depois, durante o Training Camp, sofreu uma concussão que o fez perder treinamentos e partidas da preseason. Posteriormente, na abertura daquela temporada regular, rompeu o menisco lateral do joelho – esta contusão, a qual culminou em uma cirurgia de microfratura, comprometeu todo o seu ano de calouro, fazendo com que ele disputasse apenas quatro partidas em 2014.
Em 2015, Jadeveon ficou de fora dos confrontos das semana 6 e 10 respectivamente por conta problemas no tornozelo e nas costas. Por fim, perdeu a partida final da temporada regular e o duelo de Playoff diante dos Chiefs com uma lesão no pé. Em maio deste ano, o linebacker declarou estar 100% saudável, porém recentemente ficou alguns dias de molho de novo devido ao seu joelho operado. Embora não tenha sido nada sério e ele já tenha voltado a treinar, seu imenso histórico de contusões faz com que qualquer coisa se torne motivo de alarme.
O elevado número de lesões fez Clowney perder muitos treinamentos e tempo de jogo, o que obviamente atrapalhou seu desenvolvimento como profissional. Ao todo, ele disputou apenas 17 de 33 partidas possíveis e atuou 719 snaps somadas duas temporadas – para se ter uma ideia, J.J. Watt joga algo em torno de 1.000 snaps por ano.
Apesar disso, Clowney foi bem quando esteve em campo
Longe de ter condições físicas ideias há dois anos, Clowney acabou na prática tendo sua temporada de “estreia” na NFL em 2015 – e não foi mal, ao contrário do que algumas pessoas costumam pensar. Ele não justificou o hype pré-Draft, mas mesmo assim foi importante para a defesa dos Texans.
Sua maior contribuição foi no combate ao jogo terrestre, uma informação de certa maneira surpreendente dado sua fama de pass rusher. De acordo com o site Pro Football Focus, Clowney foi o segundo melhor 3-4 outside linebacker contra a corrida (atrás apenas de Khalil Mack) e o sexto mais efetivo no quesito porcentagem de corridas paradas (7,1%). O primeiro foi Jeremiah Attaochu, dos Chargers (11%).
Ademais, Jadeveon também foi útil contra o jogo aéreo. Ele somou 4,5 sacks, 5 hits e apressou os quarterbacks adversários (hurries) 18,5 vezes, sendo o terceiro melhor pass rusher da defesa de Houston – atrás de Watt e Whitney Mercilus. O linebacker foi especialmente efetivo no duelo contra os Patriots, na semana 14, quando demonstrou com mais frequência os atributos que o destacaram na universidade.
O título de bust por enquanto é injusto, mas chegou a hora de dar um passo à frente
Seria uma injustiça já rotular Clowney como um bust, haja vista ele ter perdido quase toda a sua temporada de calouro com lesões. Claramente ele ainda não se transformou no atleta dominante que todos projetavam, porém o bom desempenho de 2015 é um sinal de que está ocorrendo evolução. Além disso, não devemos esquecer que a transição de um edge rusher do College Football para a NFL costuma ser uma das mais desafiadoras. Os offensive linemen são mais fortes e habilidosos, os esquemas defensivos tendem a ser mais complexos, é necessário aprender um novo arsenal de movimentos e refinar a técnica de pass rush para vencer os bloqueadores etc. Em suma, não é fácil chegar com tudo no nível profissional.
Contudo, a cobrança em cima do linebacker só irá aumentar e 2016 precisa definitivamente ser o ano do seu protagonismo, o momento em que ele dará o salto de rendimento citado no começo deste texto. Clowney não foi draftado cheio de pompas com a primeira escolha geral para ser apenas uma arma contra a corrida. Ele terá que brilhar também pressionando quarterbacks – sobretudo se J.J. Watt estiver fora no início da temporada.
Enfim saudável e com mais experiência de jogo, Clowney tende a seguir evoluindo para ser muito importante aos Texans em 2016. No começo de agosto, o próprio head coach Bill O’Brien elogio seu progresso: “Ele é um cara que está cada vez melhor. Ele entende nosso sistema, nosso esquema e o seu papel nele. Eu acho que ele acrescentou alguns movimentos de pass rush. Ele está ficando melhor a cada dia.”
No final das contas, parece ser grande a chance do linebacker atingir seu pleno potencial nesta temporada. Por outro lado, se isto novamente não acontecer, os críticos terão outro motivo para colocá-lo no nada honroso grupo de busts da NFL.
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