O Carolina Panthers começa a temporada 2016 tentando replicar o sensacional ano anterior. Apresentando a melhor campanha da liga na temporada regular (15 vitórias e 1 derrota), além de chegar ao Super Bowl e de ter o MVP da NFL (o quarterback Cam Newton), certamente não estamos falando de uma tarefa fácil.
Analisando o elenco da equipe para 2016, chama a atenção a inexperiência dos jogadores da secundária, composta basicamente por calouros e alguns veteranos de pouca expressão (os chamados “journeymen“). Entretanto, observando o próprio histórico da equipe dos Panthers na montagem de seu elenco, é possível perceber que esta “fraqueza” da secundária é quase que proposital.
Hoje, aqui no Pro Football, falaremos sobre a secundária do Carolina Panthers, com foco em eventuais problemas para a equipe causados pela pouca experiência desta unidade. Veremos que, na era do teto salarial na NFL, as subtrações podem terminar com saldo positivo.
As Mudanças na Secundária para 2016
Em 2015, Carolina baseou sua secundária na excelente performance do cornerback Josh Norman. Norman, já tendo jogado muito bem em 2014, chegou ao patamar de estrela da liga em 2015. Entre os melhores da NFL em média de jardas por passes nos quais foi alvo, além de terceiro melhor cornerback da liga de acordo com o site Pro Football Focus (que atribui notas a cada snap que o jogador participou na temporada), não foi surpresa quando os Panthers colocaram a franchise tag no jogador. A surpresa viria um pouco depois quando, sem conseguir um acordo para um contrato de longo prazo, o General Manager dos Panthers, Dave Gettleman, decidiu rescindir a tag, fazendo de Norman um free agent. O status de free agent, por sua vez, duraria apenas um dia, pois Josh Norman logo assinou um lucrativo contrato com Washington.
A decisão de Gettleman de abrir mão do principal jogador da secundária certamente pareceu surpreendente, mas vai ao encontro da filosofia do dirigente. Carolina não tem investido altos valores nesta unidade. Podemos perceber este fato até pela composição do resto do corpo de cornerbacks e safeties da franquia em 2015. Jogadores medianos e baratos, como Roman Harper e Bene Benwikere, além de veteranos já perto do fim de suas carreiras, como Cortland Finnegan e Charles Tillman. Na NFL atual, com as limitações impostas pelo teto salarial, torna-se impossível investir valores muito elevados em todos os setores de uma equipe. Os Panthers têm preferido priorizar, tanto em contratos quanto em escolhas no draft, os jogadores de linha defensiva e linebackers. Como veremos mais à frente, estas decisões têm feito bem à defesa da equipe.
Para 2016, com as saídas de Norman, Harper, Finnegan e Tillman, a secundária da equipe contará com os “journeymen” Tre Boston e Kurt Coleman, além do retorno de Benwikere e dos “draftados” James Bradberry e Daryl Worley. Excetuando os dois calouros, os demais prováveis titulares desta secundária (considerando cinco titulares, compatível com a formação nickel utilizada na maior parte do tempo hoje em dia) estão avaliados pelo Pro Football Focus como “na média” (Boston), “acima da média” (Coleman) e “abaixo da média” (Benwikere). Certamente um grupo de pouca experiência, entretanto, resta saber se isso se configurará em problemas para a equipe dos Panthers. O histórico recente indica que não, até porque, de acordo com o plano de montagem do elenco do time, é provável que uma secundária “na média” seja exatamente o objetivo.
O Plano dos Panthers
Diante da realidade da secundária inexperiente dos Panthers, cabe a pergunta: qual é o plano da equipe para manter o bom desempenho defensivo da equipe em 2016? A resposta para esta pergunta está no mesmo lugar que esteve em outras temporadas: no front 7 (composto por linha defensiva e linebackers da equipe).
O General Manager Dave Gettleman optou por investir em construir e manter um núcleo forte no meio da defesa dos Panthers. A linha defensiva é a epítome do que se pode chamar de uma linha “moderna”, em que a principal fonte de pressão sobre o quarterback vem do meio e não das extremidades. Neste aspecto, não há jogador com papel mais importante do que o defensive tackle Kawann Short. Classificado pelo Pro Football Focus como sétimo melhor defensive tackle da liga em 2015, Short lidera uma unidade que conta ainda com outros bons jogadores, como Star Lotulelei, Charles Johnson e Kony Ealy.
Mas o grande destaque da defesa dos Panthers certamente é o grupo de linebackers. Liderado por dois dos melhores da liga (Luke Kuechly e Thomas Davis), a unidade é capaz de, com a mesma maestria, dar suporte para o combate ao jogo terrestre e participar ativamente da cobertura. Kuechly, em particular, parece se alternar, de um snap para outro, entre ser um pass rusher, um thumper (termo utilizado para caracterizar linebackers eficazes contra o jogo corrido) ou um safety. Já o veterano Davis parece não sentir os efeitos da idade (ou das várias contusões no joelho) e segue atuando em alto nível. Finalmente, os Panthers contam ainda com Shaq Thompson, escolhido na primeira rodada do draft de 2015. Thompson é quase um clone de Davis, também tendo jogado como safety na universidade. Em 2016, é esperado que o corpo de linebackers dos Panthers continue sendo um dos melhores (quiçá o melhor) da NFL.
Assim, com um front 7 de grande qualidade, Carolina provavelmente pode arcar com a inexperiência de sua secundária. Gerando pressão sobre os quarterbacks adversários, além de contar com o auxílio dos linebackers na cobertura, o trabalho dos defensive backs é facilitado. Nas últimas temporadas, particularmente em 2015, o plano deu certo: a defesa dos Panthers se manteve eficaz, mesmo contra os passes longos e nas laterais. Algo que pode colocar um pouco de dúvida sobre o planejamento de Gettleman é um componente de “sorte”. Carolina conseguiu bons resultados defensivos nos últimos dois anos de acordo com o modelo descrito acima. Mas o quanto desse desempenho se deve às atuações de Josh Norman? Norman foi selecionado na quinta rodada do draft em 2012 e, sem sombra de dúvida, sua performance superou em muito as expectativas. Agora, sem Norman, o plano de Gettleman e do Carolina Panthers pode ser colocado à prova de uma maneira mais incisiva.
Perspectivas
De acordo com o site de estatísticas avançadas Football Outsiders, uma das posições com maior irregularidade de desempenho entre temporadas é a de cornerback. Temporadas excelentes de alguns jogadores são seguidas, muitas vezes, de anos péssimos. Talvez baseando-se também nesta ideia os Panthers mantenham-se optando por investir pouco em sua secundária, abrindo mão, inclusive, de um dos melhores cornerbacks da NFL.
Para um time que busca retornar ao Super Bowl, a rescisão da franchise tag de Josh Norman pode parecer um contrassenso. Mas os Panthers já decidiram que a prioridade será utilizar os recursos que cabem no seu teto salarial para manter a força da sua linha defensiva e do seu corpo de linebackers. Neste momento, certamente o principal objetivo é garantir a permanência de Kawann Short, que inicia seu último ano de contrato. Deu certo até agora, por que mexer?
O sucesso da defesa dos Panthers em 2016 segue dependendo principalmente do seu front 7. Entretanto, os jogadores da secundária, particularmente os calouros James Bradberry e Daryl Worley, ainda que não necessitem se tornar estrelas de imediato, precisam pelo menos de atuações medianas, para garantir à equipe a chance de seguir brigando, não apenas pelo título da Divisão Sul da Conferência Nacional, como pelo retorno ao Super Bowl.
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