Por incrível que pareça, foi a defesa de Atlanta que venceu Denver ontem – não o ataque

É, ao que tudo indica o Atlanta Falcons é “for real” em 2016. No ano passado a equipe, tal qual neste ano, também havia começado o primeiro quarto de temporada sem perder. Acabou terminando o ano sem sequer ir para os playoffs.

A Semana 5 desta temporada reservava o que poderia ser o mais difícil teste para Atlanta até agora. A pedra no caminho de anos anteriores (os jogos dentro da NFC South) havia sido vencida – são três partidas contra os adversários da divisão, com duas vitórias (Carolina/New Orleans) e a derrota para Tampa Bay na Semana 1. Agora seria hora de ver o quão bom o ataque dos Falcons era: a melhor defesa da NFL, o Denver Broncos, seria o adversário de domingo (e fora de casa, na altitude de Denver).

O curioso é que o plano de jogo montado por Kyle Shanahan, coordenador ofensivo do time, desconsiderou as virtudes que os Falcons apresentaram até então. Julio Jones? Depois de uma partida para mais de 300 jardas recebidas contra os Panthers, a expectativa de boa parte dos torcedores é que Jones fosse para cima da sólida secundária de Denver e que tivesse outro grande dia.

Mas aí que tá.

O futebol americano é um jogo situacional. Cada adversário tem que ser “atacado” de maneira diferente, de modo a maximizar o talento do elenco e de buscar saídas para fraquezas. É sabido que Denver tem um pass rush de outro mundo. Com efeito, Matt Ryan por vezes poderia não ter tempo para acionar Jones. Chamar muitas jogadas assim poderia ser temerário justamente por isso: não teria como conectar com Jones se o sack viesse antes.

Por conta disso, Shanahan chamou 10 passes de Ryan para os running backs dos Falcons – passes rápidos, para “travar” o pass rush que não chegaria a tempo em cima do quarterback de Atlanta. Desses 10, 8 foram completos e os Falcons ganharam 190 jardas e mais um touchdown. Julio? Teve apenas 2 recepções neste domingo. Para se ter ideia de quão eficiente foi esse plano de jogo, essa quantidade de jardas recebidas em passes para running backs foi a melhor da liga desde a semana 15 de 2013, quando os Chiefs tiveram 236 contra Oakland.

Mostremos amor à defesa de Atlanta, porque ela ajudou muito

Nos últimos dois anos somados (2014/2015), o Atlanta Falcons foi a pior equipe num quesito cada vez mais essencial da liga – ainda mais para vencer contra ataques potentes em pós-temporada: pass rushA franquia da Georgia foi a pior da liga em sacks forçados e isso foi bastante grave em partidas da reta final da temporada passada. Nesta temporada, Atlanta continuava no fundo do poço nesse quesito: apenas quatro sacks forçados, empatado pela pior marca da NFL. Num esquema como a Northwestern Defense de Dan Quinn (desenvolvido no Seattle Seahawks, onde ele fora coordenador defensivo), fica difícil vencer partidas sem pressionar o quarterback adversário.

Não foi o caso de ontem contra Denver. Aliás, na partida deste domingo o pass rush dos Falcons foi grata surpresa para o torcedor. Os Falcons pressionaram Paxton Lynch em 41,3% das situações de passes do calouro quarterback dos Broncos. Foi a segunda maior porcentagem de pressão gerada por Atlanta nas últimas duas temporadas.

Lynch foi sackado incríveis seis vezes – a pior marca para um quarterback de Denver desde que Tim Tebow era o titular, na Semana 8 de 2011 contra o Detroit Lions. Todos os sacks vieram em pressão padrão, de quatro homens (não blitzes, portanto, situações nas quais cinco ou mais jogadores vão para cima do quarterback). Isso é bom na medida que os outros sete ficaram na marcação e Dan Quinn não precisou perder homens marcando o passe. E foi o que pode ter determinado a vitória ontem, além de um ataque explosivo.

Comentários? Feedback? Siga-me no twitter em @CurtiAntony, ou nosso site em @profootballbr e curta-nos no Facebook.

“odds