Quem ganha o Super Bowl 50?

Já fizemos vários textos nesta semana cobrindo o passado do Super Bowl e o presente.

Listamos os duelos principais que podem decidir a partida, as 5 coisas que cada um dos times tem que fazer para vencer o título e todo o mais. Abaixo, você pode conferir o índice completo de textos em nossa cobertura.

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Os 5 duelos que podem decidir o Super Bowl 50

Falamos muito, mas não falamos nosso palpite. Então sem mais delongas, que tal irmos a ele?

Quando Denver tem a bola

Aparte do que o ataque de Denver fizer, ele não terá uma amplitude tão grande de previsões. O time tem média de apenas 22.2 pontos por partida – o que o qualifica como o 19º da NFL. É um ataque que raramente opera de maneira explosiva, de modo que o segredo deve ser correr com a bola para não forçar o braço de Peyton. O principal papel do ataque dos Broncos é de a) não fazer nada errado (leia-se, turnovers) e de b) ficar o máximo de tempo em campo.

Explicamos; O tempo, como também a quantidade de posses de bola, é algo limitado numa partida de futebol americano. São 60 minutos e em média 8 ou 9 campanhas para cada time. Se os Broncos tiverem pelo menos 60% de tempo de posse de bola, isso indica que o Carolina Panthers terá apenas 40% de tempo para colocar pontos no placar (desprezando na análise qualquer touchdown defensivo, claro). Não fazer besteira indica não ter turnovers, porque o turnover não indica apenas que você perde a posse de bola: ele quer dizer que você dá uma chance a mais para o adversário (e geralmente em boa posição de campo).

O lado da emoção, vontade e experiência podem estar com o Denver Broncos. A equipe foi constantemente desrespeitada ao longo dos playoffs, chegando à final de conferência em casa como zebra – mesmo sendo a melhor campanha da AFC na temporada regular. Em tempo, os Broncos foram considerados zebras em cinco partidas em 2015-2016, além da final da Conferência Americana. Venceram contra os Patriots duas vezes, contra o 6-0 Packers e contra o Kansas City Chiefs na Semana 2. Só perderam para o saudável e explosivo ataque do Pittsburgh Steelers na Semana 15 – e mesmo assim o foi fazendo 27 pontos.

Quando Denver tiver a bola o grande segredo será limitar as situações óbvias de passe, de modo que a cobertura em zona – sobretudo por Luke Kuechly – não possam ser uma armadilha para passes de Peyton. Com efeito, o jogo terrestre tem que ser acionado pelo menos em 25 ocasiões para que Denver tenha uma chance. Considerando que Carolina cede 3,9 jardas por carregada, não é tão impossível de se imaginar que C.J Anderson e Ronnie Hillman tenham um jogo no qual os Broncos batam 3rd and short em algumas oportunidades para ajudar Peyton. Dali, o caminho tem que ser Demaryius Thomas tendo um jogo melhor do que teve ao longo da temporada – sobretudo com os drops. Considerando sua motivação de jogar um Super Bowl com a mãe nas arquibancadas (lembrando, ela esteve presa durante toda sua carreira no futebol americano) pode ser um extra. O mesmo pode ser dito de Peyton Manning e seu potencial último jogo.

sack

Os Broncos, então, tem de desenvolver um plano de jogo semelhante àquele que o New York Giants empregou para neutralizar a K-Gun Offense do Buffalo Bills em 1990, no Super Bowl XXV. Correr o máximo possível, evitar turnovers, gastar cronômetro e punir o quarterback adversário. Manter a média de 22 pontos pode ser o suficiente para os Broncos vencerem.

Quando Carolina tem a bola

O plano de jogo defensivo do New York Giants no Super Bowl XXV encontra-se imortalizado no Pro Football Hall of Fame. Seu arquiteto era um dos melhores coordenadores defensivos da NFL na época, talvez você o conheça, seu nome é Bill Belichick. Seu eixo motor, o melhor pass rush da liga naquele momento, Lawrence Taylor.

Pois bem. Vivemos numa era com o futebol americano tendo cada vez mais um viés aéreo. Mas uma coisa, sempre, é efetiva contra o passe: não deixar que ele aconteça. É muito mais difícil passar a bola quando se está pressionado. E é muito mais fácil defender um ataque quando a bola não chega a estar no ar. Em 11 ocasiões nas quais a melhor defesa da NFL esteve no Super Bowl, houve nove vitórias e duas derrotas. Isso dá 81% de aproveitamento. É muita coisa. O axioma “defesas ganham campeonatos” constantemente aparece mas as pessoas parecem sempre se inclinar aos ataques – afinal de contas, é o mais visível, porque é o ataque que colocar pontos no placar. Somos inclinados a ver o “fazer” com muito mais clareza do que o “não fazer”.

Bom, eu falei em coordenadores defensivos, certo? Wade Phillips, o coordenador defensivo dos Broncos, foi eleito ontem como o melhor técnico assistente da NFL. Não é para pouco: por mais que ele tenha sido um péssimo head coach, por outro lado é um dos três melhores coordenadores defensivos deste século. Não resta dúvida que ele terá um plano de jogo tão eficaz quando aquele de Bill Belichick. Além dos 52 sacks (que lideraram a liga), os Broncos lideraram a NFL em porcentagem de snaps que viraram sacks (8,1%) e porcentagem de snaps em que o quarterback tem que operar sob pressão (34,7 %). Não preciso lembrar também que na última vez que Cam Newton enfrentou Von Miller, ele foi ao chão em sete vezes. Em tempo, as duas únicas derrotas de Newton desde o final de 2014 foram para Dan Quinn. Nos playoffs daquele ano, como coordenador defensivo de Seattle. Na temporada regular de 2015, como técnico do Atlanta Falcons. Em comum, Newton foi pressionado como se não houvesse amanhã. E assusta que o pass rush dos Falcons nem tão forte é. “Seja com um quarterback móvel ou não, Cam ou Russell são caras capazes de criar, então você tem que puni-los fisicamente”, disse Quinn ao Monday Morning Quarterback, site ligado à Sports Illustrated.

O segredo, em resumo, foi marcar em zona – com três homens em profundidade para cortar rotas verticais de Greg Olsen e de Ted Ginn Jr – e pressionar Cam Newton. Se os Falcons conseguiram fazer isso, não espantaria que os Broncos também consigam.

De toda forma, aparte do que a defesa dos Broncos pode fazer, o ataque de Carolina tem poder de fogo, certo? Bom, mais ou menos. Não podemos, mais uma vez, desprezar a força da defesa de Denver; Imagine que os Panthers são como um carro: só que sua ignição chama-se “jogo terrestre”. Quando Carolina consegue correr, todo o resto encaixa mais facilmente – o Seattle Seahawks costumar operar do mesmo modo. A questão é que a defesa do Denver Broncos é disparada a melhor da NFL contendo o jogo terrestre adversário. É nesse momento que a carência de recebedores por parte dos Panthers pode acabar aparecendo, porque a defesa de Denver cede 3,3 jardas por corrida e pode colocar Cam Newton em situações de terceiras descidas longas – onde muito provavelmente receberá blitzes de defensive backs.

Ou nada disso pode acontecer

A bem da verdade, o Super Bowl 50 tem um caráter bastante binário. Ou o Carolina Panthers engata rotas em profundidade logo no início do jogo – e consequentemente abre 17 pontos no segundo quarto – ou a defesa dos Broncos deixa o jogo amarrado. Quanto ao ataque de Denver, ele deve começar com alguns three and outs e devagar. Por isso essa questão binária – ao mesmo tempo de que se os Panthers dispararem, ficaria difícil correr atrás.

O grande ponto é que as defesas são fatores subestimados na NFL Isso constantemente acontece. Raramente um jogador defensivo é eleito MVP, por exemplo. E para ser eleito MVP do Super Bowl ele tem que fazer interceptações e retornar elas para touchdown (a exemplo de Larry Brown, cornerback do Dallas Cowboys, MVP e vencedor do Super Bowl XXX).

Tenho profundo respeito e admiração por Cam Newton – o que ele fez neste ano foi algo surreal, escrevi extensamente sobre. Mas tenho ainda mais pela defesa do Denver Broncos, que parou Tom Brady com seus alvos saudáveis – e pode fazer o mesmo com Newton. O último MVP de temporada regular a vencer o Super Bowl foi Kurt Warner em 1999. No geral, quarterbacks MVPs estão apenas 6-12 (33% de aproveitamento). Isso ocorre porque o futebol americano é o esporte mais coletivo de todos. E quando você tem um grupo talentoso, com DeMarcus Ware, Aqib Talib, Von Miller, Derek Wolfe, Malik Jackson, Chris Harris Jr e outros tantos contra apenas um jogador, o coletivo pode acabar pesando.

Deve ser um jogo bastante pegado e provavelmente com poucos pontos. Mas no final, Peyton Manning pode sair do campo de futebol americano para as páginas da história e com dois anéis na mão.

Denver Broncos 21 x 20 Carolina Panthers

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