Estamos na Semana 9 e, com isso, metade da temporada 2016 da NFL é história (já?!). Sim, já. Como metade já foi, podemos agora pensar em premiar os melhores jogadores desse “primeiro turno” de futebol americano.
Com isso, estabelecemos 10 prêmios para esta metade. Os prêmios são retrospectivos, não prospectivos. Ou seja: a ideia aqui é olhar para o passado e premiar os melhores jogadores em cada quesito, não pensar como eles irão na reta final da temporada. Quer um exemplo? Eu previ no texto de previsões (este, sim, prospectivo) que Tom Brady seria o MVP de 2016. Mas de 2016 inteiro, não da primeira metade – até porque ele esteve fora de quatro jogos. Aqui, o prêmio de MVP da primeira metade da temporada vai para Matt Ryan, de maneira retrospectiva.
Feita essa observação inicial, vamos aos prêmios. São 9, como dito na manchete: MVP, técnico, calouro ofensivo, calouro defensivo, melhor time da primeira metade da temporada, pior time (se é que isso é um prêmio), melhor não quarterback, melhor jogador defensivo e comeback player. Vamos a eles.
Jogador Mais Valioso (MVP) da primeira metade da temporada: Matt Ryan, QB, Falcons
Por João Henrique Macedo; O quarterback dos Falcons vem tendo a melhor temporada de sua carreira, além da melhor temporada dentre todos os jogadores da NFL em 2016. Ryan mostra adaptação completa ao sistema ofensivo de coordenador ofensivo Kyle Shanahan, mostrando inclusive uma capacidade de se mover no pocket não vista antes em sua carreira. Até o momento, Matt Ryan lançou para 23 touchdowns e 4 interceptações, além de 2980 jardas.
Além disso, (considerando até a Semana 8) o quarterback tem completado 69,6% dos seus passes, mantendo uma média por tentativa de 9,5 jardas e um rating de 119, todas melhores marcas de sua carreira. Tom Brady e Derek Carr são adversários de peso nesta disputa, mas se Ryan mantiver seu patamar de atuações, o prêmio de MVP deste ano já tem dono.
Melhor Técnico da primeira metade da temporada: Bill Belichick, Patriots
Por Jean Souza: Esta era fácil. O prêmio de melhor técnico do ano dificilmente vai para profissionais já consagrados. Não faz muito sentido ficar premiando Belichick quase todo ano pelo seu trabalho com Tom Brady – seria o mesmo que fazer isso Bill Walsh nos anos 80. Só que este ano foi totalmente inusitado com a suspensão de Brady e a confirmação (para aqueles que ainda não acreditavam; sério mesmo?) que Belichick é um dos grandes fatores para esta franquia ser uma dinastia até hoje.
Jimmy Garoppolo e Jacoby Brissett tiveram um recorde de 3-1 começando os primeiros jogos de suas carreiras. Além disso, vale lembrar que o jogo contra os Texans foi 27-0 na primeira partida de Brissett na NFL. A derrota, para Buffalo, foi muito mais por méritos de um Rex Ryan que precisava vencer pelo menos um jogo contra New England no ano – porque sabia que as chances com Brady em campo eram muito baixas. O trabalho com os reservas foi formidável, mas o que mais chama atenção é o nível que Tom Brady entrou na temporada. O esquema todo montado pela franquia se alterou rapidamente e Brady parecia estar em plena forma, sem sentir a falta de ritmo de jogo em nenhum momento. O estilo Belichick de dispensar jogadores que querem ganhar mais do que ele acha que merecem (como Jamie Collins) ainda persiste, só que a sua genialidade foi muito presente nesta primeira metade.
Calouro Ofensivo da primeira metade da temporada: Ezekiel Elliott, RB, Cowboys
Por Antony Curti: É virtualmente impossível não dar este prêmio para Ezekiel Elliott. Quando um calouro entra na mesa de discussões para MVP, é porque o negócio tá bom mesmo.
Sim, Elliott tem a sua disposição a melhor linha ofensiva da NFL (os Cowboys ganham este prêmio implícito por tabela aqui), mas isso não quer dizer que ele não tenha méritos. São 799 jardas terrestres (melhor marca da NFL) e 5,03 jardas por carregada. Provavelmente alguém ainda vai apontar que os méritos são todos da linha ofensiva, mas não é verdade – mesmo.
A estatística isolada que comprova isso é que Elliott tem média de 2,28 jardas após o primeiro contato do defensor (sétimo da liga no quesito). Ademais, são 42 first downs creditados a Elliott neste ano: isso comprova sua capacidade de quebrar tackles e infiltrar no segundo setor da defesa – quando a linha ofensiva já não é mais tão importante. Não obstante, lembremos que a linha ofensiva dos Cowboys era essa mesma ano passado e o comitê de running backs não teve os mesmos números.
Calouro Defensivo da primeira metade da temporada: Joey Bosa, DE/OLB, Chargers
Por Eduardo Miceli: A entrada de Joey Bosa na defesa do San Diego Chargers, na Semana 5, mudou radicalmente a linha defensiva da equipe. Com ele, a produtividade de Melvin Ingram, seu companheiro de pass rush, subiu consideravelmente. Em apenas quatro partidas, Bosa já acertou quarterbacks adversários sete vezes, pressionou-os 15 e já tem 15 tentativas terrestres impedidas por sua ação.
A terceira escolha geral do Draft 2016 mudou drasticamente o panorama defensivo da franquia. Ao lado de Casey Heyward, Bosa tem sido o comandante do lado defensivo da bola, mostrando que o front office acertou ao selecioná-lo tão cedo – não vou nem falar da novela contratual que ameaçou o futuro dele lá na California.
Melhor time da primeira metade da temporada: New England Patriots
Por Antony Curti: Objetivamente falando, a melhor porcentagem de vitórias neste ano até agora é do New England Patriots. A equipe tem literalmente 99% de chances matemáticas de chegar à pós-temporada e fez isso sem ter Tom Brady em um quarto dela. Subjetivamente falando, o nível de dominância patriota é tamanho que Bill Belichick se deu ao luxo de trocar Jamie Collins – discutivelmente um dos melhores jogadores defensivos de New England.
Com a lesão de Roethlisberger, a incerteza como ele volta e mais o nível de jogo aquém do desejável para Trevor Siemian considerando toda a temporada, é possível dizer que New England se posta como melhor time da Conferência Americana já há algum tempo. Comparando os Patriots com o melhor time da NFC por ora, Dallas, é possível dizer com alguma clareza que no todo os Patriots estão um passo acima.
Pior time da primeira metade da temporada: Cleveland Browns
Por Gabriel Moralez: Todo mundo imaginava que Cleveland iria ter um ano de 2016 difícil. Pouco talento no time, a maioria dos melhores jogadores indo embora na intertemporada, técnico novo começando quase tudo do zero etc. Porém, provavelmente ninguém pensou que ia ser tão difícil assim.
Robert Griffin III se machucou logo na semana 1 e inaugurou uma inacreditável sequência de quarterbacks lesionados – a franquia já teve seis signal callers diferentes em oito partidas. Some a isso uma carência enorme de playmakers ofensivos, lembrando que o wide receiver Josh Gordon foi para a reabilitação e ainda não jogou, e temos um ataque que não coloca medo em ninguém. Já a defesa consegue ser pior ainda, cedendo a maior média de jardas por partida (421,5) e a terceira maior média de pontos (29,8) da liga. Os Browns estão 0-8 e possuem uma chance assustadoramente real de terminarem o ano 0-16.
Melhor Não Quarterback da primeira metade da temporada: A.J Green, Bengals
Por Eduardo Miceli: O rol de recebedores de elite não pode mais deixar A.J. Green de fora. O wide receiver tem sido um alvo extremamente confiável para Andy Dalton – ele é o número um da sua posição em primeiras descidas convertidas. Essa estatística mostra que o camisa 18 não é apenas uma ameaça longa, mas um alvo com o qual a equipe pode contar para conquistar novas descidas. Ademais, o resto do corpo de recebedores de Cincinnati não é como ano passado. Tyler Boyd e Brandon LaFell não são Mohamed Sanu.
Contra talentos de primeira grandeza o marcando, como Darrelle Revis e Josh Norman, Green venceu o duelo. Na Semana 1, Revis viu Green pegar as 10 bolas que foram lançadas na sua direção para 152 jardas e um touchdown. No último domingo, o A.J. Green teve 76 jardas das 121 que conquistou no empate contra Washington em cima de Josh Norman. Isso sem sequer mencionar as quatro faltas que o jogador por tentativas do cornerback em pará-lo na linha de scrimmage
Melhor Jogador Defensivo da primeira metade da temporada: Von Miller, OLB, Broncos
Por Antony Curti: J.J Watt deve ficar de fora do resto da temporada, então haveria caminho livre para Khalil Mack ou Von Miller – até porque Justin Houston também está machucado. Nessa batalha, Miller tem a vantagem.
São 8,5 sacks na primeira metade da temporada e incontáveis rushes nos quarterbacks adversários. O grande dado que influencia Miller positivamente nessa amostragem é seus arredores. Para começar, a defesa de Denver não conta mais com ajuda pelo meio – Malik Jackson e Danny Trevathan saíram na free agency para Jaguars e Bears, respectivamente. Mas, principalmente, o “irmão mais velho de Miller”, DeMarcus Ware, já perdeu alguns jogos nesta temporada por conta de lesão no braço.
Especificamente, seis jogos. Mesmo sem Ware, Miller conseguiu deixar a produção acima da média. Nessa contextualização e até pela falta de concorrência – Mack tem 4 sacks em 2016 – o prêmio ficaria com o MVP do Super Bowl 50.
Comeback Player da primeira metade da temporada: Lorenzo Alexander, OLB, Bills
Por Murilo Romulo: Jadeveon Clowney e DeMarco Murray que me desculpem, mas as honras vão para Lorenzo Alexander. A maioria do público provavelmente nunca tinha ouvido falar no linebacker dos Bills, que está em sua 10ª temporada. O jogador de 33 anos já foi até selecionado para o Pro Bowl em 2012, mas na função de especialista. Em 2016 ele vem surpreendendo, e atualmente lidera a NFL em sacks (9 até aqui) e tem três fumbles forçados, sendo um dos responsáveis pelo bom rendimento da unidade defensiva de Buffalo. Não selecionado no Draft de 2005, o então defensive tackle pesava 142kg, e teve seu primeiro snap em partida oficial apenas em 2007. De lá pra cá passou por grandes mudanças: perdeu aproximadamente 30kg, jogou como tight end, fullback e até mesmo como guard, mas geralmente aparecia apenas nos special teams.
Nos últimos anos foi convertido em linebacker, mas sem muito sucesso – nos últimos 3 anos foram 30 tackles e apenas um sack. Contratado para ser reserva nos Bills, Alexander assumiu a posição de titular após a lesão de Shaq Lawson antes da temporada começar – e se tornou um dos principais defensores da liga. Para se ter ideia, em 9 anos ele conseguiu os mesmos 9 sacks e 3 fumbles forçados que já alcançou em 8 jogos este ano. Enfim, a meteórica (e tardia) ascenção do linebacker de Buffalo o garantem o prêmio de Comeback Player aqui.
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