Não existe, no canon de Star Wars, uma definição sobre o fato da Estrela da Morte II ter sido construída antes da destruição da primeira ou logo depois. Pelas semelhanças – até físicas – entre Bill Belichick e o Imperador Palpatine, eu não duvido nada que a construção começou antes de qualquer tiro no reator por parte de Luke.
No caso, aqui, o tiro no reator é “a idade chegando para Tom Brady”, coisa que nem remotamente pareceu acontecer em 2016. De toda forma, Belichick tentou se precaver de alguma forma. Na segunda rodada do Draft de 2014, os Patriots draftaram Jimmy Garoppolo, produto de Eastern Illinois (onde Tony Romo e Sean Payton jogaram). Pois bem, parecia, na época, um reach – termo usado para quando um jogador é recrutado antes de onde teoricamente ele deveria sair.
Dois anos depois, pareceu uma aposta bem feita por parte dos Patriots e de Darth Belichick. E como Brady não parece nem perto de perder poder de fogo, talvez seja a hora de vender essa ação que foi comprada na baixa. Isto é: trocar Jimmy Garoppolo.
Por quanto?
É aí que a coisa fica boa. Americanos adoram precedentes, não é a toa que o sistema jurídico deles é todo baseado nisso. Segundo Adam Schefter, os Patriots começaram a aceitar propostas por Jimmy. Os primeiros “números” condizem com o que os Vikings deram para o Philadelphia Eagles por Sam Bradford: uma escolha de primeira rodada e uma de quarta.
Jimmy Garoppolo ainda tem contrato com New England para 2017, vale lembrar: 1,1 milhões de dólares. E aí, entra a questão: Brady, seja com 45, com 50 ou com 60 anos, um dia vai cair de produtividade. É biologicamente impossível que isso não aconteça. Embora, claro, possa ser adiantado.
Novamente, precedentes…
Warren Moon, quarterback que está no Hall da Fama, é um dos exemplos notórios quando o assunto é longevidade na carreira. Depois de começar seus anos de futebol americano, digo, canadense na CFL nos anos 1970 – onde, inclusive, foi campeão – Moon veio a jogar até o final da década de 1990.
Especificamente, aos 41 anos, Moon teve 3678 jardas e 25 touchdowns lançados enquanto jogador do Seattle Seahawks. Aos 42, ainda em Seattle, continuou como titular, embora com números modestos. Moon, em realidade, jogou até os 44! Em 1999 ele era reserva em Kansas City e chegou a jogar uma partida.
OU SEJA, há precedente. E não é um só. George Blanda chegou a jogar uma partida com os Raiders, como quarterback, aos 43 anos em 1970. E Henry Burris, aos 41 anos, acabou de ser campeão da CFL, a liga profissional de futebol canadense. Brady tem 39 anos, ele nasceu em agosto de 1977. Nesse ritmo, se cuidando como ele se cuida, e com o lado negro da força dominando seu coração com ódio daqueles que não o draftaram em 2000 até a escolha 199 a alta competitividade em seu coração, não é de se espantar que ele jogue 2017 e 2018 em alto nível.
O que, na prática, abre uma porta para Garoppolo sair. Porque ele não vai querer esperar para sempre.
OK, mas vale uma escolha de primeira rodada e uma de quarta?
Sinceramente, não sei. Garoppolo jogou bem contra Arizona numa época em que achávamos que os Cardinals eram favoritos para o Super Bowl. E depois contra Miami numa semana onde os Dolphins saíram de Seattle para jogar em Foxboro e quando o jogo terrestre da equipe não era forte como depois acabou sendo – na prática, Garoppolo jogou contra uma defesa cansada.
Enfim, não querendo menosprezar, longe disso. Mas estou tentando pensar como um general manager aqui. Será que não consigo um talento próximo de Garoppolo na primeira rodada e depois consigo investir em outra necessidade na quarta?
No caso de Bradford, a oferta de Minnesota foi alta porque existia o tempero chamado “desespero” para aumentar o preço da troca. Aqui, sinceramente, não sei se vale tanto. Nesta altura do campeonato, é uma troca especulativa. Para mim, o espaço amostral é pequeno demais para apertar esse gatilho. A esse preço alto, eu ainda iria preferir focar num calouro.
Mas, claro, outras equipes não vão pensar assim. A única que eu acho que os Patri… Não, existe o precedente de Belichick trocando Drew Bledsoe para Buffalo em 2001, um time da mesma divisão. Qualquer time pode ser o porto de desembarque de Garoppolo. Basta haver necessidade. E há.
Denver? Não sei, acho que nesse ponto Belichick não trocaria, a menos que fosse um gigantesco cavalo de Tróia. Jets, Bills, Browns, 49ers, Bears, Texans, pretendentes não faltarão. Vamos acompanhar essa novela com calma.
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