Há pouco mais de quatro anos, o Los Angeles Rams era o epítome do “all-in”. O mantra “f-ck them picks” de Les Snead estampava camisetas e definia uma filosofia agressiva que culminou no topo do mundo com o título do Super Bowl LVI. Naquele momento, o consenso era de que o preço a pagar seria uma década de mediocridade e um deserto de talentos após o esvaziamento do capital de draft. Mas, ao contrário do que os pessimistas previam, os Rams não implodiram. Pelo contrário: eles executaram uma das reconstruções em pleno voo mais impressionantes da história recente da NFL. Hoje, a franquia de Los Angeles não está apenas sobrevivendo, ela está armada para voltar a competir todo ano pela NFC.
A base de qualquer esperança em Hollywood começa e termina na saúde de Matthew Stafford. O quarterback jogou ao nível de MVP na última temporada, desafiando a lógica da idade e das lesões acumuladas. Stafford mantém a capacidade de fazer passes que poucos seres humanos no planeta conseguem replicar. A leitura de jogo está mais afiada do que nunca e a conexão com o sistema de Sean McVay atingiu um estágio de simbiose total. Se Stafford quiser continuar jogando — e ele deu todos os sinais de que a fome de vitória permanece intacta —, o teto deste time continua sendo o Super Bowl. Ele ainda tem muita lenha para queimar e, enquanto o camisa 9 estiver sob o centro, os Rams são um problema para qualquer defesa da liga.
Tá tudo azul em Los Angeles
O que torna a situação atual ainda mais interessante é a saúde financeira e o capital de draft que Snead conseguiu recuperar. Durante anos, os Rams foram figurinhas carimbadas no final da primeira rodada ou simplesmente espectadores do primeiro dia de recrutamento. Em 2025, o cenário é radicalmente diferente. O time possui duas escolhas de primeira rodada, ocupando a 13ª (vinda do Atlanta Falcons) e a 29ª posição. Isso é um luxo para um time que já é competitivo. Ter dois trunfos desse calibre permite a McVay e Snead serem agressivos novamente, seja buscando um sucessor para Stafford, um cornerback de elite ou reforçando ainda mais as trincheiras.
Por falar em trincheiras e jovens talentos, a taxa de acerto dos Rams nos últimos drafts beira o inacreditável. Enquanto muitos times queimam escolhas de top 10 em bust, Los Angeles encontrou ouro em rodadas intermediárias. Puka Nacua deixou de ser uma surpresa para se tornar uma das jovens estrelas mais brilhantes da liga, estabelecendo recordes e provando ser o herdeiro legítimo de Cooper Kupp. Na defesa, a agressividade de Byron Young e o impacto imediato de Jared Verse transformaram um setor que muitos julgavam órfão após a aposentadoria de Aaron Donald.
A gestão do elenco agora entra em uma fase de consolidação. Diferente de outros anos, os Rams não têm nenhum super free agent cuja saída deixaria um buraco impossível de preencher. Não há aquela necessidade desesperada de lutar contra o mercado por uma peça insubstituível na reposição. O foco administrativo será interno e estratégico. Puka Nacua e Byron Young devem receber extensões contratuais generosas este ano, e o time tem total condição de fazer isso sem comprometer o futuro. A projeção financeira é extremamente saudável: Los Angeles é o sétimo time com mais espaço na folha salarial para 2026, com cerca de 56 milhões de dólares livres. É a combinação perfeita entre ter estrelas jovens sob controle e dinheiro para atacar a free agency quando necessário.
Sinergia nos Rams não é apenas uma palavra da moda
No comando de tudo isso, a dupla Sean McVay e Les Snead segue provando que a continuidade e a inteligência estratégica são os maiores ativos de uma organização. McVay, que há pouco tempo cogitava a aposentadoria precoce para a cabine de transmissão, parece renovado pela energia desse elenco jovem. Ele adaptou seu ataque, tornou-se mais físico no jogo terrestre e continua sendo uma das mentes táticas mais brilhantes do esporte. Snead, por sua vez, calou quem o chamava de imprudente, mostrando que sabe reconstruir um elenco com a mesma eficiência com que sabe gastar para ganhar agora.
O futuro dos Rams não é apenas uma promessa distante; é uma realidade que está batendo à porta. Eles conseguiram o que poucos conseguem: passar pela transição de um elenco veterano e caro para uma base jovem, talentosa e barata, sem perder a relevância competitiva. O cenário para os próximos três anos é de um time que terá um quarterback de elite, recebedores dinâmicos, um pass rush jovem e agressivo e, acima de tudo, flexibilidade para moldar o elenco conforme as oportunidades apareçam.
Se os rivais da NFC West esperavam que a janela dos Rams se fechasse com a saída de Donald ou o envelhecimento de Stafford, eles se enganaram profundamente. A janela não fechou; ela foi trocada por uma maior e com vista para o topo. Com as escolhas de draft em mãos, o espaço no teto salarial e a liderança comprovada no comando técnico, o Los Angeles Rams está pronto para provar que o sucesso de 2021 não foi um ponto fora da curva, mas sim o início de uma cultura de excelência que sabe se renovar. O horizonte em Los Angeles nunca foi tão promissor. Preparem-se, pois o show em Hollywood está longe de terminar.
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