A MATURIDADE DE SHANAHAN E MAIS 4 COISAS QUE APRENDEMOS COM A SEMANA 14

Como Kyle Shanahan tem se mostrado maduro, a falta de identidade dos Packers e mais algumas lições da semana 14

Eu me entristeço cada vez que olho no calendário e vejo como a temporada da NFL passa rápido. 14 semanas já se foram e o ditado que diz ” o que é bom passa rápido” se faz valer muito aqui. Fica como consolo o fato de em breve chegarmos aos playoffs, aquela parte maravilhosa do ano em que cada jogo se torna uma decisão e que separamos os que ficarão para história dos demais. Até lá, vamos tirar mais lições de uma semana de futebol americano!

1-  Os Packers precisam encontrar uma identidade

Sou um dos grandes defensores do elenco do Green Bay Packers neste ano. Achei o trabalho na offseason muito bem feito, com contratações nos pontos onde o time mais precisava como os edges Preston e Za’Darius Smith e o safety Adrian Amos. Também disse que o time precisava de tempo para ganhar corpo e ter a cara do novo treinador Matt LaFleur. Passadas 14 semanas, o time ainda não encontrou sua identidade. E isso é muito perigoso.

Não dá para concordar com um time com o talento dos Packers vencendo o Washington Redskins por míseros cinco pontos. Sem desrespeitar os Redskins, era jogo para pelo menos duas posses de diferença. Aaron Rodgers vem tendo performances burocráticas e a defesa, que começou o ano voando, caiu de performance. Os playoffs estão chegando e se o time não aproveitar as três rodadas faltantes para se ajustar, o caminho será bem duro.

2 – Kyle Shanahan amadureceu

Muito alardeado por conta de seus simples e criativos, Kyle Shanahan ainda pecava em alguns momentos cruciais. Foi assim quando ainda era coordenador ofensivo do Atlanta Falcons e não soube correr com a bola no segundo do tempo do fatídico Super Bowl LI. Mesmo à frente dos San Francisco 49ers, lhe faltou em alguns momentos a sapiência para saber o momento certo de arriscar ou de ser mais conservador. Isso mudou e na vitória dramática contra o New Orleans Saints, ele foi fundamental.

As chamadas criativas, como uma option do fullback Kyle Juszczyk ou o reverse com passe do wide receiver Emmanuel Sanders, foram usadas no momento certo, vendendo uma coisa completamente diferente a defesa dos Saints. Procurar George Kittle, seu melhor jogador, numa quarta descida, idem. Shanahan também soube ser conservador quando necessário, aceitando chutar field goals e não forçando em situações complicadas. A maturidade chegou e isso é muito bom para o futuro dos 49ers na temporada.

3 – Paremos com as desculpas em torno de Tom Brady

É hora de assumirmos que a ladeira está muito íngreme. O robozão não existe mais. Tom Brady está sentindo o peso da idade e hoje precisa de muita coisa dando certo ao seu redor para produzir. Nunca foi assim: quando a coisa apertava em outras áreas, Brady aparecia e resolvia. Ele era o fator da diferença, o ponto de desequilíbrio. Quando todos Stormtroopers já tinham sido batidos, “Darth Brady” desembarcava e dava a vitória ao Império. Hoje não.

A linha ofensiva não é maravilhosa? Não. Mas cansamos de ver Ben Roethlisberger e Aaron Rodgers fazerem milagres com linhas porosas em anos passados. O grupo de recebedores não é grande coisa? Drew Brees só tem Michael Thomas de renomado e segue fazendo ótimo trabalho. O próprio Brady já fez muitos recebedores desconhecidos se consagrarem. É hora de admitir que o camisa 12 de New England está jogando mal e não é mais o fator que costumava ser.

4 – É hora dos Colts pensarem maior

Por mais que o primeiro ano tenha sido bem sucedido com algumas escolhas surpreendentes, tanto no draft quanto no free agency, a fórmula de pagar barato em alguns nomes e escolher outros não tão badalados após acumular picks não dará certo sempre para o Indianapolis Colts. O general manager Chris Ballard terá que arriscar mais ou o time permanecerá no bloco intermediário da tabela por longo tempo. Isso ficou escancarado na derrota para o fraco Tampa Bay Buccaneers.

O primeiro ponto será ter coragem para chutar o balde e draftar um quarterback em escolha alta. Não adianta pensar que o time irá a lugar algum com Jacoby Brissett na posição. Subir por Justin Herbert pode ser uma alternativa interessante. É hora de pensar em mais nomes que façam a diferença. Não é todo dia que você acerta num Darius Leonard. Chris Ballard pode confiar nos próprios olhos, mas não pode achar que é Midas e tudo que toca se tornará ouro. 

5 – O melhor “Watt” na NFL joga com a camisa 90 e em Pittsburgh

 

Publiquei este tweet logo no começa da temporada passada. Me impressionava como o então segundo anista T.J. Watt já jogava em alto nível. Sua versatilidade era tanta que ele conseguia nas primeiras rodadas ser uma fator pressionando o quarterback, parando o jogo corrido e cobrindo o passe. Com o visível declínio físico do seu irmão J.J. Watt, minha aposta era que T.J. se tornasse o expoente da família na NFL. Mais de um ano depois, cravo que acertei.

J.J. continua sendo uma grande jogador, tendo inclusive uma excelente temporada em 2018. Neste ano, uma lesão o tirou da temporada na metade. Enquanto isso T.J. segue sua marcha, sendo fator decisivo num dos melhores fronts da NFL, o do Pittsburgh Steelers. Já são 12 sacks e 5 fumbles forçados. Neste domingo, sua presença foi notada ao conseguir uma interceptação já na red zone, na apertada vitória sobre o Arizona Cardinals. A passagem de bastão foi bem sucedida.

“odds