ATAQUE DOS 49ERS: COMO PRODUZ TÃO BEM?

O que faz o ataque do San Francisco 49ers, sem grandes nomes, ser tão produtivo?

Confesso que fui um dos últimos a aderir ao “bonde do San Francisco 49ers”. Primeiro achei que era resultado de um calendário tranquilo nas três primeiras semanas, depois fiquei em dúvida se o time venceria  Cleveland Browns e Los Angeles Rams, coisa que fez com propriedade. Não tenho mais nenhuma ressalva ou ponto de dúvida ao time que ao meu ver melhor joga no momento na NFL. O ataque esquematicamente encanta, e com boas execuções, vem sendo muito sólido. 

Mas, como?

O primeiro ponto vem do seu treinador. Kyle Shanahan é uma brilhante mente ofensiva e sabemos disso desde o seu tempo como coordenador ofensivo do Atlanta Falcons. Porém, em alguns momentos na sua carreira suas convicções foram seus piores inimigos. Em certas horas, Shanahan foi teimoso e preferiu usar seu sistema sem ajustes em detrimento as características dos jogadores. Mais maduro, Kyle tem sido mais aberto a isso, fazendo concessões e tirando o máximo de cada peça.

Sem forçá-lo a lançar muitas bolas em profundidade, o treinador minimiza o risco de turnovers e dá maior eficiência ao jogo de passe, podendo arriscar apenas na boa.

O sucesso começa por saber exatamente do que Jimmy Garoppolo é capaz. Sem forçá-lo a lançar muitas bolas em profundidade, o treinador minimiza o risco de turnovers e dá maior eficiência ao jogo de passe, podendo arriscar apenas na boa. Com apenas 13 passes em que a bola viaja por mais de 20 jardas, Garoppolo é o segundo quarterback com maior percentual de passes completos nesta situação, 53%. Para quem é conhecido por ter precisão aquém do desejado em bolas longas, esse número é sensacional.

Sabendo disso, Shanahan adota uma prática que é a premissa de um sistema bem diferente do seu, o spread offense: entregue a bola na mão dos seus melhores jogadores e os deixe fazer a mágica. Quase 60% das jardas aéreas são produzidas pelos recebedores após a recepção. Isso faz com que seu quarterback possa soltar a bola rapidamente e por isso ter o melhor índice quando pressionado, completando 55% dos passes. O tight end George Kittle, jogador mais talentoso do ataque, é o destaque com mais de 200 jardas após a recepção.

Com o sistema facilitando, Garoppolo é o quarto quarterback que mais rápido solta a bola, com 2,47 segundos do snap até que a bola comece a sair de sua mão. Isso faz com que a proteção ao passe seja mais eficiente. Se em 2018 a equipe da Califórnia cedia mais de 3 sacks por jogo, neste ano a média caiu para um. Vale frisar que o left tackle titular e três vezes All-Pro Joe Staley está fora desde a semana dois por lesão e nem por isso o nível caiu. Nítida evolução, somada à melhoria sistêmica e que beneficia o ataque no geral.

A força terrestre é também importante

A citada “magia” passa também pelo jogo corrido. Com um comitê de running backs muito verticais, que só precisam de um corte e explodem, o time abusa das corridas em zona, com muitas dobras na primeira linha defensiva. Com jogadores de linha ofensiva não tão renomados, esse sistema tira parte da responsabilidade dos bloqueadores: com regras claras de quem bloquear em cada situação, os running backs tem que encontrar a oportunidade e atacar o espaço. E isso Tevin Coleman, Matt Breida e Raheem Mostert tem feito bem, fazendo com que os 49ers tenham 180 jardas corridas por jogo, segunda maior média da liga.

Para não dizer que tudo são flores, uma coisa não corrigida da temporada passada preocupa Kyle Shanahan: a ineficiência na red zone. Quando chegam dentro da linha de 20 jardas do oponente, os 49ers só marcam touchdowns em 45% das vezes, sexta pior marca da NFL. Em 2018, o time foi o de pior marca no quesito. Tantas oportunidades virando apenas field goals podem custar caro em jogos que a defesa não consiga manter equilibrado ou contra quarterbacks acostumados a decidir jogos. Na própria divisão, vale atenção em especial contra o Seattle Seahawks, pois Russell Wilson pode fazer custar caro.

A segunda metade do calendário apresentará grandes desafios para o ataque dos 49ers como Seahawks, Green Bay Packers, New Orleans Saints e Baltimore Ravens. Não existem dúvidas que serão jogos difíceis e que indicarão até onde esse ataque pode chegar. Com um Kyle Shanahan mais flexível e focado em suas peças, confesso que a expectativa é das melhores para o futuro desta envolvente unidade.

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