Bills e Jaguars: correr será o diferencial aqui

Para além do duelo de Josh Allens e Trevor Lawrence, quem conseguir mais jardas terrestres terá uma grande vantagem. Esse duelo promete ser definido nos detalhes - e quem não piscar, ficará mais perto da vitória.

De todos os jogos de Wild Card, talvez este confronto aqui seja o mais inusitado entre eles. Não no sentido ruim, longe disso. Inusitado no sentido de ambas as equipes estarem em posições que, antes da temporada começar, talvez não fosse o imaginado. Para a nossa sorte, claro.

Buffalo Bills e Jacksonville Jaguars fizeram temporadas diferentes, mas com momentos levemente parecidos. Os dois times tiveram oscilações no começo de temporada, em especial. Porém, encontraram jeitos de se recuperarem e agora se enfrentarão no próximo domingo. De um lado, Josh Allen (literalmente) carregando o piano dos Bills. Do outro, um Trevor Lawrence e companhia ressurgindo das cinzas sob a batuta de Liam Coen.

Um jogo que ninguém esperava antes de setembro, porém um dos mais equilibrados e imprevisíveis que a rodada do Wild Card pode oferecer. Esse duelo promete ser definido nos detalhes – e quem não piscar, ficará mais perto da vitória.

Buffalo Bills (12-5) @ Jacksonville Jaguars (13-4)
EverBank Field, Jacksonville, FL
Domingo, 11 de janeiro, 15h. SporTV 2
Buffalo favorito por 1,5 pontos

Por que os Bills podem vencer?

Dos quatro grandes moicanos – quer dizer, quarterbacks – da NFL, apenas Josh Allen está na pós-temporada em 2025. Isso diz muito sobre a grande loucura que foi a AFC em 2025, mas especialmente sobre o Buffalo Bills. Sem Mahomes, Lamar ou Burrow como bicho-papões, a melhor chance de vencer é agora. E eles têm o cara certo para isso.

Embora não tenham vencido a divisão (o que foi, de certa forma, decepcionante), os Bills souberam superar os momentos turbulentos e ganharam tração na reta final da temporada regular. E isso se deve muito por ter Josh Allen. O quarterback botou o time nas costas e virou “o” cara do ataque. Em 2025, ele teve números até parecidos com a da sua temporada anterior de MVP. Contudo, os sete fumbles e o número elevado de sacks (40) tornaram esse ano mais instável do que 2024.

Apesar disso, Josh Allen é o motivo n° 1 e n° 2 – o terceiro é o James Cook – dos Bills serem perigosos no ataque. O problema é que, com o elenco de apoio que tem, qualquer erro ganha mil holofotes. O grupo de recebedores segue sendo o calcanhar de Aquiles e pode trazer problemas no futuro. Já no lado defensivo, é 8 ou 80. A defesa aérea é uma das que menos cedeu jardas e touchdowns no ano, porém a terrestre é uma verdadeira bomba-relógio: a qualquer momento, pode implodir.

Para Buffalo, a chave é simples: suas estrelas brilharem + achar o equilíbrio na defesa + os Khalil Shakir, Dalton Kincaid da vida estiverem em um dia iluminado. Isso é possível? É. Ainda mais quando você tem um cara especial como Josh Allen no seu time.

Por que os Jaguars podem vencer?

Talvez a grande virada de chave nos Jaguars tenha sido realmente o dia em que Liam Coen soltou o seu famoso DUUVAAAL, durante a sua coletiva de apresentação. Antes galhofa, agora o meme virou uma tábua dos Dez Mandamentos jaguarianos. Mais do que isso: foi o pontapé de um primeiro ano de trabalho muito acima do esperado.

Isso quer dizer que o ano foi tranquilo? Longe disso. Jacksonville começou mal, principalmente no lado ofensivo. Depois de uma grande vitória em cima dos Chiefs, na semana 5, o time entrou numa sequência de derrotas bem feia e quase ficou de fora dos playoffs. Sem contar que perdeu peças por lesão: Travis Hunter, o maior exemplo disso. Ainda assim, o ataque deu a volta por cima e conseguiu engatar uma sequência de oito vitórias consecutivas. E de quebra vencer a AFC South, claro.

Trevor Lawrence começou o ano decepcionando, mas soube dar a volta por cima. Acostumando-se melhor com o sistema de Coen, o quarterback voou baixo na reta final da temporada regular. Nas últimas seis rodadas, foram 16 touchdowns e apenas uma interceptação. A chegada de Jakobi Meyers impulsionou essa produção, claro. Assim como fez com que outros nomes florescessem, como foi o caso de Parker Washington e de Brenton Strange.

Tal como o ataque, a defesa também passou por uma revolução. O pass rush pode não ser tão efetivo pressionando o QB adversário, é verdade. Mas a defesa terrestre é espetacular e a unidade como todo é uma máquina caça-níquel de turnovers. Jacksonville foi o segundo time que mais forçou turnovers na liga, com 30.

É uma equipe perfeita? Não é. Mas ela é uma das gratas surpresas desta pós-temporada – e pelos seus próprios méritos.

Palpites

Bills e Jaguars possuem algumas características parecidas, tanto ofensivamente quanto no lado defensivo. Contudo, as diferenças moram nos detalhes – e aqui é onde vejo Jacksonville levando vantagem.

Não subestimem Devin Lloyd, Josh (Hines-)Allen, Travis Hunter e amigos, especialmente contra as corridas. A defesa dos Jaguars foi a melhor da liga contra o jogo terrestre, além de ser top-5 em média de jardas por carregada (3,9). Mais do que isso: nos 17 jogos da temporada regular, nenhum running back adversário correu para mais de 75 jardas. Esse fator pode virar um problemão para o backfield dos Bills, além do próprio Josh Allen.

No outro lado da bola, o jogo terrestre também pode fazer a diferença. Travis Etienne não teve atuações de encher os olhos recentemente, mas contra essa defesa capenga dos Bills, ele pode voltar a brilhar. Ainda mais tendo Liam Coen, um grande arquiteto de corridas criativas, ao seu lado. Além dele, o grupo de wide receivers é mais confiável do que o de Buffalo e melhor também. Se o jogo terrestre engrenar – tanto com Etienne, quanto com o próprio Lawrence -, o aéreo vai junto e ficará difícil parar esse time.

Buffalo é favorito por ter Josh Allen e ele pode confirmar esse favoritismo em segundos. Entretanto, prevejo esse jogo sendo muito apertado e quem piscar primeiro, dança. Meu palpite é Jacksonville vencendo no detalhe, com uma diferença de três ou quatro pontos.

Para saber mais:
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