Broncos recebem Panthers sedentos por vingança, mas missão de Cam Newton não será fácil

O Super Bowl 50 não chegou a ser dos mais bacanas para quem é fissurado em estatísticas ofensivas. Peyton Manning jogou o feijão com arroz que podia aos 39 anos e Cam Newton viu sua vida virar um inferno, uma cortesia de Von Miller & Co.

Será que os Panthers aprenderam a lição? Será que em Denver, na abertura da temporada seguinte, os Panthers conseguirão “carimbar a faixa”? Tal qual diversas outras aberturas de temporada, o Kickoff 2016 da NFL reserva mais perguntas do que respostas no pré-jogo. É a primeira vez desde 1970 que temos uma potencial vingança do Super Bowl como abertura da temporada seguinte. Neste ano, um ponto extra é o fator “perdas”. Para começar, os Broncos.

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O campeão do Super Bowl 50 começa a temporada com um quarterback sem nenhuma estatística em temporada regular fora um único snap no qual entrou para ajoelhar ao final. Nenhum passe, nenhuma jarda, nenhuma corrida. Ainda assim, Trevor Siemian, escolha de sétima rodada do Draft do ano passado, ganhou a vaga de titular em Denver em disputa contra o veterano e máquina de turnovers chamado Mark Sanchez. O fato de Siemian ser inexperiente e, principalmente, escolha de sétima rodada, faz com que ele seja mal visto pelo fã mais casual. Afinal de contas, a tendência “óbvia” seria de que ele jogaria mal. Comecemos a desmistificar esse conceito. A princípio, vale lembrar que Siemian só caiu para a sétima rodada porque estava machucado na época do Combine. Em segundo lugar, vale ressaltar que ele foi constantemente elogiado do ano passado para este – e o elogiador era o técnico Gary Kubiak. Talvez você insiste em acreditar que ele é um calouro inepto (coisa que ele nem poderia ser, dado que é segundanist.

Bom, aqui vai uma notícia então: é um tanto quanto difícil jogar pior do que Manning/Osweiler no ano passado. Em realidade, Mark Sanchez, com os Eagles no ano passado, teve um ano estatisticamente melhor do que a razão 9/17 de touchdowns/interceptações que Peyton apresentou em 2015. Siemian não está substituindo o nome Peyton Manning. Ele está substituindo o Peyton Manning de 2015 que, queira você ou não, não teve um bom ano.

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Com efeito, se Siemian bateu Sanchez que, por sua vez, teve um ano estatisticamente melhor do que Peyton no ano passado, com efeito podemos crer que ele terá chance de fazer o mesmo que Peyton fez contra Carolina no Super Bowl. Em realidade, ele sequer deve ser muito exigido. Sem Peyton no ano passado, os Broncos tiveram uma sequência incrível do jogo terrestre – C.J Anderson, das semanas 11 à 16, teve 6,4 jardas por carregada. Siemian, portanto, deve ser um coadjuvante de um ataque extremamente baseado em jogo terrestre e, eventualmente, em play actions.

Buscando esquecer pesadelo de Santa Clara, Cam Newton tem volta de seu principal recebedor

A narrativa do Carolina Panthers de 2015 com suas 15 vitórias na temporada regular foi ainda mais inacreditável quando lembramos que o principal recebedor de Cam Newton na temporada anterior, Kelvin Benjamin, não jogou nenhum snap em 2016 por conta de ligamento anterior cruzado do joelho rompido. Ele está de volta e a expectativa do torcedor é que ao menos reprise os sólidos números que apresentou na temporada de calouro, dois anos atrás. Foram mais de 1000 jardas recebidas e uma ameaça constante na red zone, dada sua altura.

Enquanto Benjamin volta, Josh Norman se foi na última intertemporada. O cornerback discutivelmente foi o principal jogador da secundária dos Panthers no ano passado e não entrou em acordo salarial com a diretoria da equipe. Assim, foi liberado de sua franchise tag e assinou com Washington. Além de Norman, a secundária de Carolina teve outras duas perdas: Charles Tillman, aposentado, e Cortland Finnegan. Com isso, existe uma (forte) chance que essa secundária seja uma das mais inexperientes da NFL – com os calouros James Bradberry (escolha de segunda rodada do Draft de 2016) e/ou Daryl Worley (escolha de terceira rodada). Como você já deve ter percebido, este pode ser um dos duelos principais da partida: a inexperiência de Trevor Siemian contra a potencial inexperiência da secundária dos Panthers. Conquanto Norman tenha anulado Demaryius Thomas no Super Bowl, ele não está mais lá. Haverá poder de fogo no front seven de Carolina (que é sólido, diga-se) para parar o ataque terrestre de Denver? Se isso não acontecer, a jovem secundária será exposta por play actions a noite toda.

De toda sorte, é impossível fugir daquela que foi a história principal do Super Bowl 50: Cam Newton correndo pela vida contra o pass rush do Denver Broncos. É bem verdade que a unidade sofreu uma perda importante na saída do defensive tackle Malik Jackson (agora em Jacksonville), mas, jogando em casa e com Von Miller, a tendência é que os Panthers sofram de novo. Os dois offensive tackles de Carolina continuam os mesmos – Mike Remmers e Michael Oher, ambos extremamente expostos em Santa Clara no último mês de fevereiro. Mesmo tendo Benjamin de volta, a questão é se ele terá tempo para conectar com seu recebedor.

A história do Super Bowl 50 tem tudo para se repetir de novo no Colorado, com Peyton ou sem Peyton. É bem verdade que o quarterback é o nome do jogo, mas o duelo que ocorreu no Levi’s Stadium mantém os mesmos protagonistas e para o azar de Carolina, a balança pende para Ware, Miller e a unidade comandada pelo excelente coordenador defensivo Wade Philips.

Na revanche do Super Bowl IV, o Minnesota Vikings venceu o Kansas City Chiefs na abertura da temporada 1970. Hoje, a tendência é que Denver “confirme” a vitória do Super Bowl 50. A equipe tem 28 vitórias e 4 derrotas em casa desde 2012 – empatados com o todo-poderoso Patriots do Gillette Stadium. A home field advantage dos Broncos a uma milha de altitude é extremamente subestimada.

Palpite: Denver Broncos por até 7 pontos.

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