Brown, McLaurin, Samuel: vale a pena pagar uma bolada?

Em meio à demanda de novos contratos por parte dos wide receivers mais jovens, atingimos o ápice com o pedido de troca de Deebo Samuel. Cabe as franquias aceitar o que está sendo proposto ou é melhor endurecer o jogo?

“Polêmica!” Diria nosso saudoso Roberto Avallone se ele comandasse uma mesa redonda de NFL nos dias atuais. Uma das intertemporadas mais movimentadas da história da liga continua mantendo o drama em níveis elevados. Até a semana passada, a notícia era que jovens estrelas na posição de wide receiver – principalmente, Deebo Samuel, A. J. Brown e Terry McLaurin – queriam receber novos contratos e, por isso, ameaçavam não se apresentar nos primeiros treinamentos da equipe.

Até aí, tudo normal. Quando um jogador está em época de discussão contratual e a negociação trava, ainda mais com o mercado da posição completamente inflacionado pelos últimos vínculos assinados, o procedimento padrão é iniciar uma mini greve. Só que as coisas começaram a superaquecer rapidamente. Deebo Samuel pediu para ser trocado do San Francisco 49ers; um movimento que pode até gerar um efeito em cadeia nos outros nomes que anseiam por um novo contrato.

Que são ótimos atletas, em idade próxima do auge e fundamentais para seus times, não é preciso ser um gênio para saber. Todavia, é preciso olhar com uma perspectiva diferente. Vale a pena, do ponto de vista das franquias, simplesmente “aceitar” e pagar a bolada que esses recebedores desejam?

Fácil reposição?

Não sou muito bom com analogias, mas gosto de usar comparações alimentícias para tentar explicar algumas situações do esporte – é mais fácil do que tentar te apresentar a teoria econômica, vai por mim. Sabe quando você vai no mercado e quer comprar uma comida, mas tem uma versão dela mais barata? De vez em quando, você ousa e descobre que foi bom ter arriscado e pagado menos, pois deu para substituir bem.[foot]Caso queira entender o conceito, pesquise por “bens substitutos”[/foot]

A posição de wide receiver, atualmente, passa por esse conceito. No mesmo ano que vimos um mercado que deu contratos bombásticos para Davante Adams e Tyreek Hill, podemos vislumbrar uma classe no Draft com profundidade e talento. Esse segundo ponto, aliás, vem se tornando muito comum: os atletas universitários da posição estão chegando à liga com talento para ganhar snaps desde o início, de todos os tipos e formatos, não sendo necessário escolher uma estrela na primeira rodada para atingir seus objetivos.

Os próprios nomes citados no início do texto, inclusive, não foram chamados no primeiro dia. Brown e Samuel foram escolhidos na segunda rodada, enquanto McLaurin foi selecionado na terceira. É aí que a teoria se alia à prática: a menos que seu wide receiver tenha um talento generacional, não vale a pena comprometer seu teto salarial com ele no momento que ele demanda um novo vínculo. Claro que o contexto importa – em uma situação de all-in com um quarterback em contrato de calouro, por exemplo, é possível manejar isso -, mas é uma tendência clara.

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