Browns começam a provar que podem existir sem Myles Garrett

Cleveland está 2-1, disputa a liderança da AFC North e mostra sinais de uma equipe menos dependente de uma única estrela

Quando o Cleveland Browns negociou Myles Garrett com o Los Angeles Rams em junho, recebeu Jared Verse, uma escolha de primeira rodada de 2027, uma de segunda em 2028 e uma de terceira em 2029. No papel, era uma troca compreensível. Na prática, parecia o começo de outra reconstrução.

Garrett vinha de 23 sacks em 2025, recorde da NFL, e havia sido eleito o Jogador Defensivo do Ano. Retirar esse tipo de jogador de uma defesa normalmente significa aceitar que o presente perdeu importância. Quatro meses depois, Cleveland chega ao Thursday Night Football contra Pittsburgh com campanha 2-1 e uma oportunidade inesperada: quem vencer terminará a noite na liderança da AFC North.

Talvez a maior surpresa não seja o recorde.

É que os Browns finalmente parecem saber que tipo de time querem ser.

Cleveland trocou uma estrela por uma defesa

Garrett era capaz de destruir uma partida sozinho. O novo Browns parece menos dependente desse tipo de solução individual.

Mason Graham talvez seja o melhor exemplo. O defensive tackle conseguiu dois sacks contra Carolina e chegou a quatro na temporada. Entre jogadores de sua posição com pelo menos 50 oportunidades de pass rush, sua taxa de sacks de 5,1% é a melhor da NFL. Ele também soma seis tackles for loss.

Jared Verse, recebido na troca com os Rams, não precisa substituir Garrett estatisticamente. Essa provavelmente seria a maneira errada de avaliá-lo. Cleveland precisa que Verse faça parte de uma frente capaz de criar pressão coletivamente enquanto a secundária continua dificultando passes explosivos. A estrutura já existia. Em 2025, os Browns terminaram terceiros contra o passe, permitindo 167,2 jardas por jogo, e quartos em defesa total. A franquia também chegou a 45 partidas consecutivas sem permitir um quarterback de 300 jardas.

A saída de Garrett mudou o teto individual da unidade. Não necessariamente destruiu sua base.

O desafio desta quinta ajuda a medir exatamente isso.

Pittsburgh possui uma das duplas de edge rushers mais produtivas da liga com T.J. Watt e Alex Highsmith, ambos já com pelo menos três sacks. Mas ofensivamente ainda existem fragilidades importantes.

O 2-1 não significa que o ataque esteja resolvido

É aqui que qualquer empolgação com Cleveland precisa encontrar um limite. Deshaun Watson ainda comanda um ataque que converte apenas 30,6% das terceiras descidas, 30ª marca da NFL. Em terceiras para sete ou mais jardas, os Browns converteram somente 3 de 19 tentativas, pior índice da liga.

O jogo terrestre também continua dependendo demais da capacidade dos corredores de sobreviver ao primeiro contato. Cleveland produz somente 0,6 jarda antes do primeiro contato, à frente apenas de Jacksonville. Quinshon Judkins tem média de 2,9 jardas por tentativa em seus últimos 12 jogos, e 84,1% de suas jardas nesta temporada vieram depois do contato.

Isso não é uma receita ofensiva sustentável. Todd Monken, portanto, não transformou Cleveland em contender em três semanas. Mas talvez tenha feito algo mais básico e igualmente necessário: deu ao time uma forma reconhecível.

Os Browns venceram duas partidas consecutivas e marcaram pelo menos 21 pontos em ambas, algo que não conseguiam desde 2024. Contra Carolina, Watson encontrou Harold Fannin Jr. para o touchdown da virada nos dois minutos finais antes de Ronnie Hickman fechar o jogo com uma interceptação.

Não foi bonito. Foi funcional.

E talvez seja exatamente disso que Cleveland precise agora. A troca de Garrett significou abandonar a ideia de que uma superestrela defensiva poderia resolver todos os problemas de uma organização desorganizada. Três semanas depois, os Browns continuam imperfeitos. O ataque ainda tem limitações sérias. Watson ainda precisa provar muito.

Mas, pela primeira vez em algum tempo, Cleveland parece maior que seu melhor jogador.

Para uma franquia que passou anos procurando salvadores, essa talvez seja a mudança mais importante de todas.