Parece que não está ruim, mas está. A segunda metade de temporada do Baltimore Ravens não vem bem e, se por um lado a vaga nos playoffs dificilmente será perdida, por outro o desempenho em campo é fraco. Dos dois lados da bola, a equipe não vem sendo eficiente e até mesmo Lamar Jackson, que teve ótimo início de temporada, vem demonstrando um desempenho desanimador.
Os problemas são muitos e não dá para sonhar em resolver todos. A defesa tem problemas em todos os setores e o ataque está totalmente desconexo do que o elenco apresenta. Com a pós-temporada batendo na porta, os Ravens precisam saber bem no que focar para não ter mais um ano decepcionante.
Com um calendário bem difícil nas últimas semanas, cada semana será um teste de fogo para provar a evolução da equipe. Após sonhar alto e cair, pode Baltimore sonhar baixo, mas conseguir se sobressair?
Chega de 0800-Lamar
Por melhor que seja seu quarterback, tentar resolver os problemas ofensivos unicamente com ele sempre será uma solução errada. O maestro rege a orquestra, mas ele não pode fazer isso enquanto toca violoncelo e vira as páginas da partitura. O problema é que Baltimore está tentando fazer de Jackson um Bombril e é óbvio que não vai funcionar – é preciso se adaptar.
De início, está mais que claro que a linha ofensiva é uma peneira. Jackson foi pressionado em 37% dos seus recuos de passe até então, segunda maior marca entre quarterbacks com mais de 400 dropbacks. Sabendo disso, as defesas se aproveitam e, hoje, ele também é o passador que mais sofre blitzes na NFL, estando nessa situação em 35,8% das oportunidades.[foot]Pro Football Focus[/foot]
O resultado até aqui é catastrófico e elucida o porquê de as defesas usarem essa estratégia. Como o Curti elucidou na coluna da semana, Lamar tem o pior rating da NFL contra a blitz desde a semana 7. A equação é simples: se Lamar tem problemas processando a pressão e ela chega fácil por conta dos buracos da linha ofensiva, faremos isso incessantemente. Se Baltimore não mostrar resposta – e Greg Roman realmente não demonstra ter uma -, o ataque não produzirá.
Já passou da hora do coordenador ofensivo tentar algo novo. Esperar que Lamar resolva com as pernas não vai funcionar, afinal, com tantos defensores chegando ao backfield, principalmente quando tratamos da cover-0, improvisar pelo chão se torna uma tarefa árdua. Começar a ser criativo com rotas rápidas e dar boas opções para que ele solte a bola rapidamente tem de estar no plano de jogo do treinador.
Eu sei que parece vago, mas é que a realidade da NFL, na verdade, é simples; o problema é apostar na execução, como Bill Belichick fez passando a bola somente três vezes contra o Buffalo Bills. Jackson, hoje, é o segundo quarterback da liga que mais demora para soltar a bola[foot]Ibid[/foot]. Corrigindo isso, a dinâmica do ataque atual mudaria muito. O que Roman não pode fazer é esperar que Lamar, sozinho, resolva todos os problemas. Ele está vivendo um período de baixa, mas precisa de ajuda.




